Baseball
Como a cada ano, a Série Nacional de Baseball atrai a atenção de milhões de cubanos. “La pelota”, como dizemos familiarmente, é desde há muitos anos o esporte nacional e não raro gera discussões acaloradas nos parques mais centrais de toda a Ilha. Para os que temos a ilusão de que as pessoas se ocupem de questões mais candentes, sempre torna-se um pouco frustrante comprovar que aquele grupo de homens, que gritava e gesticulava apaixonadamente, não discutia sobre como terminar com a dualidade monetária nem estava reclamando algum direito escamoteado, apenas resolvia se tal jogada foi correta ou quem é o melhor batedor entre todos os jogadores.
Porém a primeira paixão esportiva dos cubanos não está isenta de política, especialmente quando alguma estrela do baseball decide não regressar ao país de uma viagem ao exterior, ou se o peloteiro não integra a seleção num evento internacional porque é pouco confiável e se teme que “deserte”. Num recente encontro entre duas equipes de rivalidade ardorosa, um jogador sentiu-se ofendido porque pensou que a bola havia sido lançada com a intenção de atingí-lo e, para surpresa dos espectadores, saiu correndo em direção ao “pitcher” brandindo ameaçadoramente seu bastão. Os jogadores sairam do banco, alguns aficcionados lançaram-se em campo, a polícia borrifou gás pimenta e distribuiu pancadas e pauladas. As câmeras que transmitiam o jogo apontaram para o outro lado e nenhum telespectador inteirou-se do acontecido…nesse momento.
Porém as novas tecnologias impediram que a pacata censura fizesse das suas e dezenas de câmeras digitais e telefones celulares filmaram os detalhes. A versão dos fatos foi distribuída entre milhares de pessoas, gravada em CD e copiada em memórias USB. Que boas discussões tivemos então nos parques!
Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto















marzo 26th, 2010 a las 18:46
CIDH adverte para “gravidade” da situação dos direitos humanos na Venezuela
26 de março de 2010 • 19h10 Comentários
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Notícia
O vice-presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Felipe González, considerou “indispensável” prestar atenção à situação na Venezuela pela “gravidade” do estado dos direitos humanos no país.
“Temos uma profunda preocupação com os eventos recentes na Venezuela e, como assinalamos em alguns dos relatórios, nos parece que o Estado está usando do seu poder punitivo para silenciar os opositores neste país”, assinalou González.
O vice-presidente declarou que “a forma como o poder penal está sendo usado para restringir a liberdade de expressão não corresponde a um sistema democrático de Governo”.
González se referiu às ações contra o ex-governador e ex-candidato presidencial Oswaldo Álvarez Paz, o presidente de Globovisión, Guillermo Zuloaga, e a juíza María Lourdes Afiuni Mora que tomaram o país.
Nas últimas 24 horas, Zuloaga foi preso e posto em liberdade por um suposto delito de difamação contra o presidente Hugo Chávez devido a declarações que fez em uma recente reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).
Álvarez Paz foi detido no dia 22 de março acusado de ir contra a forma republicana de Governo, após denunciar supostos vínculos de altos funcionários estatais com grupos vinculados ao narcotráfico.
Já María Lourdes foi presa em dezembro depois de ter ordenado a liberdade condicional de Eligio Cedeño, um empresário acusado de “obtenção fraudulenta de divisas”, entre outros delitos.
“Como cenário de fundo de tudo isto está a situação do sistema judiciário venezuelano” disse González, assinalando que “existem evidências claras de problemas sérios e falta de imparcialidade do sistema judiciário na Venezuela”.
“O Estado está aplicando seu poder de maneira indevida, ao usar o sistema judiciário penal como mecanismo para perseguir e punir as pessoas que emitem certas opiniões, sobretudo quando é feito com um viés político”.
A Comissão defendeu o relatório publicado por ele no mês passado no qual advertia de “sérias restrições” aos direitos humanos no país.
González considerou que era “indispensável” que a Comissão fizesse o relatório “dada a gravidade da situação dos direitos humanos na Venezuela” e sustentou que “em nenhum caso” as palavras da Comissão são difamatórias.
Lamentou que o Governo venezuelano não tenha refutado o relatório com alegações concretas, mas o tenha desqualificado de maneira geral.
González assegurou que a Comissão está interessada no diálogo com os Estados, “embora não esteja de acordo”, e continua disposta a trabalhar com o Governo venezuelano.
A melhor maneira, disse, seria poder visitar o país. Ele assegurou que o diálogo próximo com o Estado e “o fato de que a sociedade civil pode participar livre e com respeito” são dois elementos “muito importantes” para confrontar as violações dos direitos humanos.
marzo 26th, 2010 a las 18:30
Manoel! mestre do entendimento político do Brasil, seus comentários sobre artigos que tenho transcrito em defesa da liberade e da democracia, tem o dom de incentivar e disseminar essas ideias para um maior número de pessoas que têm o direito a informação plena. Obrigado pela comunhão das ideias. Liberdade aos presos políticos em todas as ditaduras do mundo!
marzo 26th, 2010 a las 18:25
Cláudio Humberto,16/03/2010 | 00:00
Stédile revela que o Incra é informante do MST
Em reunião com jornalistas governistas para criar uma “rede contra a criminalização de movimentos sociais”, João Pedro Stédile fez uma revelação estarrecedora: o Incra informa o MST sobre os alvos de suas invasões. Ele admitiu que foi um erro invadir a fazenda do grupo Cutrale, em São Paulo, mas culpou o Incra por haver “repassado” ao MST uma informação errada: que a fazenda seria área pública.
marzo 26th, 2010 a las 18:23
“F-se a Constituição!”
Reinaldo Azevedo, Veja, 26 de março de 2010 | 5:59
Editorial ruim do Estadão é uma exceção. E ESTE NÃO É UMA EXCEÇÃO! Refere-se àquele incrível discurso que Lula fez anteontem contra a imprensa.
*
Luiz Inácio Lula da Silva não é o primeiro nem será o último chefe de governo, em qualquer instância e de qualquer país democrático, a se queixar da imprensa. Para não ir muito atrás, nem muito longe, o que se falava mal da mídia no Palácio do Planalto do presidente Fernando Henrique e o que se fala no Palácio dos Bandeirantes do ainda governador José Serra, por exemplo, ocupariam páginas inteiras de um periódico. Jornalistas – essa a reclamação recorrente nos palácios de todas as cores – ignoram na maior parte do tempo o que se faz de bom (e o esforço que isso demanda), só destacam o que vai mal (sem se aprofundar nas causas dos problemas) e preferem a fofoca aos fatos relevantes (porque estes dão mais trabalho para apurar).
Há, no entanto, uma diferença – não de grau, mas de natureza – entre os protestos dos que se julgam injustiçados pelos meios de comunicação e os sistemáticos ataques de Lula à imprensa a que acusa, indistintamente, de tratar o seu governo com “má-fé”. Governadores e prefeitos, ministros e secretários podem deplorar a suposta miopia do noticiário, mas reconhecem a carga inerente de tensão no seu relacionamento com o jornalismo que a eles não se subordina. Já o caso de Lula é obsessão. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele está em campanha para demolir a credibilidade dos órgãos de informação. As suas diatribes, como a de anteontem, durante um evento, são uma mistura de vezo autoritário com ressentimento de classe, agravada pelo descontrole emocional diante da mera expectativa de receber críticas.
No passado, Lula dizia que não teria se tornado o que se tornou, a ponto de disputar a Presidência da República, não fosse a liberdade de imprensa no Brasil. Foi ela quem de fato propeliu o seu nome, cobrindo passo a passo a sua trajetória, fossem quais fossem os julgamentos que pudesse fazer a seu respeito. Isso não mudou, mas o que Lula hoje entende por liberdade de imprensa é uma caricatura grotesca. “É triste”, investiu, “quando as pessoas têm o direito de escrever as coisas certas e escrevem as coisas erradas.” Nas democracias, as pessoas têm o direito de escrever ? ponto. Nas ditaduras, quem diz o que é certo ou errado é o ditador. Para Lula, o certo seria a imprensa dizer que o PAC é uma maravilha. O errado, informar que apenas 11% de suas obras foram concluídas e 54% não saíram do papel.
Certo também seria a imprensa olhar para o outro lado enquanto ele promove, com assombroso despudor, a candidatura Dilma Rousseff. Na mesma ocasião em que vociferou contra a mídia, deu a deixa para a platéia gritar o nome da ministra, ao afirmar: “Eu não posso dizer quem vai ser (o sucessor), eu não posso dizer, porque, porque? vamos aguardar.” Errado é noticiar que Dilma inaugura obras que não estão concluídas. Lula afirma que a imprensa tem predileção pela desgraça “para dizer: “viu, o menino não era letrado, o menino nasceu para ser torneiro mecânico. A partir daí já é abuso””. Ele jamais se cansará de fazer praça de suas origens ? menos por justo orgulho do que para insuflar o eleitorado pobre. Mas nunca pôs a sua formidável popularidade a serviço da educação, dizendo algo como “se sou o que sou sem ter estudado, imaginem o que eu seria se tivesse”.
Os historiadores do futuro certamente terão muito a dizer sobre a contribuição do governo Lula para o prosseguimento das transformações pelas quais o País começou a passar nos anos 1990. Tampouco deixarão de registrar que a democracia lhe deve a decisão de não buscar um terceiro mandato mediante emenda constitucional. Mas haverão de lembrar que nunca antes neste país, em regime democrático, um presidente havia manifestado tanto ódio pela imprensa livre. Lula é o governante que, com pouco mais de um ano no poder, tentou expulsar do País o correspondente do New York Times por ter escrito uma reportagem (de duvidosa qualidade, por sinal) sobre o que seria o seu gosto pela bebida. Alertado pelo então ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, de que a expulsão seria inconstitucional (o jornalista era casado com uma brasileira), Lula explodiu: “F-se a Constituição.
marzo 26th, 2010 a las 18:12
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Diversos
MORTOS NA INTENTONA COMUNISTA DE 1935
Monumento em homenagem aos heróis que tombaram na covarde tentativa de implantar o o comunismo no Brasil.
Praça General Tibúrcio, Praia Vermelha / RJ. Este monumento ocupa hoje o antigo local onde estava sediado o 3º RI, que, sublevado, foi completamente destruído.
Poucos conhecem seus nomes. Eles morreram na madrugada de 27 de novembro de 1935. Não em combate, mas covardemente assassinados. Alguns dormindo…
Durante todos estes anos, suas famílias, em silêncio resignado, reivindicaram dos governantes, a não ser um mínimo de coerência, a fim de que pudessem acreditar que eles não morrerem em vão.
01. Abdiel Ribeiro dos Santos – 3º Sargento
02. Alberto Bernardino de Aragão – 2º Cabo
03. Armando de Souza Mello – Major
04. Benedicto Lopes Bragança – Capitão
05. Clodoaldo Ursulano – 2º Cabo
06. Coriolano Ferreira Santiago – 3º Sargento
07. Danilo Paladini – Capitão
08. Fidelis Batista de Aguiar – 2º Cabo
09. Francisco Alves da Rocha – 2º Cabo
10. Geraldo de Oliveira – Capitão
11. Jaime Pantaleão de Moraes – 2º Sgt
12. João de Deus Araújo – Soldado
13. João Ribeiro Pinheiro – Major
14. José Bernardo Rosa – 2º Sargento
15. José Hermito de Sá – 2º Cabo
16. José Mário Cavalcanti – Soldado
17. José Menezes Filho – Soldado
18. José Sampaio Xavier – 1º Tenente
19. Lino Vitor dos Santos – Soldado
20. Luiz Augusto Pereira – 1º Cabo
21. Luiz Gonzaga – Soldado
22. Manoel Biré de Agrella – 2º Cabo
23. Misael Mendonça -T.Coronel
24. Orlando Henrique – Soldado
25. Pedro Maria Netto – 2º Cabo
26. Péricles Leal Bezerra – Soldado
27. Walter de Souza e Silva – Soldado
28. Wilson França – Soldado
marzo 26th, 2010 a las 18:09
Artigos
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado
A REVOLUÇÃO EM MARCHA
22 de dezembro de 2009
Meu caro leitor, eu queria aqui comentar o filme do James Cameron, AVATAR. Esplêndidos recursos tecnológicos colocados a serviço de um roteiro porcaria. Vale a pena ver as imagens? Certamente, mas a mistura de tribos apaches na forma de ETs, em planeta exterior, é demais. De novo e de novo o cinema pinta a imagem da civilização da forma a mais distorcida. Essa veneração de um clone da Mãe-terra é apenas ridícula. Roteiros assim servem para estupidificar as multidões. Cameron é como um Chaplin redivivo, na sua pregação panteísta e New Age. No lugar de um vagabundo sentimental temos ETs apaches sentimentais humanóides, que os tempos agora são de olhar para o céu em busca de um substituto de Deus para os ateus. Mas deixo o filme de lado, que outro assunto me chama.
Poderia também aqui comentar a decisão de se elevar o salário mínimo, tomada por Lula. Para quê? Essa gente revolucionária acha que a escassez é fabricada e que preços podem ser arbitrados independentemente do mercado. Eles acreditam mesmo é em planejamento central e, enquanto este não vem, brincam de fabricar todos os preços sistêmicos. Lula e o PT ficam o tempo todo maquinando decisões para adular as massas, a troco de votos para se perpetuarem no poder. Alguém haveria de dizer que algo assim é tolo? Que vai gerar inflação? Desemprego? Crise na balança comercial? Não vi voz alguma se levantar contra a arbitrariedade estatal. Todos se comportam como se fosse um ato de sanidade, quando é arrematada loucura. Quem pagará o mínimo maior é o próprio beneficiário, que perderá emprego e amargará inflação.
Mas quero mesmo é falar da entrevista publicada na Folha de São Paulo, em sua edição de ontem, concedida pelo promotor Marcelo Goulart, para mim estarrecedora. Um agente da estrutura de Justiça do Estado completamente inconsciente das suas responsabilidades institucionais, falando com desenvoltura de seu sonho utópico. Assumiu-se como agente ativo da revolução gramsciana. Nos tempos em que a elite dirigente era sã suas declarações seriam tomadas como uma perigosa manifestação subversiva e prontamente combatida. Agora é não apenas tolerada, é aplaudida.
O mal político é como um tumor maligno que se alojou em um órgão vital. A única chance de o organismo sobreviver é pela extirpação cirúrgica sumária. Estamos vendo o Brasil doente, sofrendo metástase fulminante, sem que algum curador se apresse a fazer o que precisa ser feito.
Marcelo Goulart declarou: “A visão do Ministério Público como mero agente processual está superada desde a promulgação da Constituição de 1988. O membro do Ministério Público é agente político e, hoje, tem a incumbência constitucional de defender o regime democrático e implementar a estratégia institucional de construir uma sociedade livre, justa e solidária”. Está aqui toda a receita de como uma agente de Estado se torna um serviçal do PT. O que é defender o regime democrático? Para essa gente, não é respeitar as regras da democracia representativa, menos ainda a propriedade privada. Sua visão de democracia é a utopia extraída dos livros de Rousseau e difundida mundo afora pela pena de Marx, Kant e muitos filósofos desde então. Gramsci aqui é um mero retransmissor do jacobinismo que fez a Revolução Francesa.
Declarou: “Os membros do Ministério Público têm clareza do seu papel social, dos limites de suas funções e do uso do instrumental jurídico de que dispõem. Assim, a aproximação entre Ministério Público e as forças progressistas da sociedade torna-se inevitável e necessária. É um bem, não é um mal”. O ideal de Justiça com a igualdade de todos diante da lei é simplesmente ignorado e, no seu lugar, o agente público, como se fosse um mero agente de partido, procura moldar a realidade social utilizando a força do poder de Estado, mesmo contra a vontade da maioria. É a subversão praticada desde dentro do aparelho de Estado.
Declarou: “As forças sociais democráticas são aquelas que assumem o compromisso de implementar o projeto democrático da Constituição de 1988. A Constituição definiu para o país um modelo de Estado social e de democracia participativa. Os sujeitos políticos que atuam na defesa desse projeto são aliados naturais do Ministério Público na luta pela construção da hegemonia democrática. Não é difícil identificá-los. O que é democracia participativa? São circos leninista de que tivemos exemplos há pouco, com a realização da Confecom. São simulacros de democracia direta, sob o controle do partido, com o único objetivo de legitimar a ação dos militantes revolucionários. Para eles, o Congresso Nacional não é democrático; democrático é o MST. Completa inversão das coisas, pois o MST quer implantar um regime comunista ditatorial nos moldes chinês por aqui.
Seu grito de guerra: “O papel do Ministério Público é claro: defender a função social da terra e o direito difuso à reforma agrária, utilizando os instrumentos jurídicos que a Constituição e as leis lhe conferem, firmando aliança com os setores da sociedade civil que tenham o mesmo objetivo. A atuação radicalmente contrária a essa está presente na história desse país desde as capitanias hereditárias. Seus agentes são por demais conhecidos; com eles o Ministério Público da Constituição de 1988 não se alinhará”. O promotor está completamente mergulhado no afã revolucionário e se julga um vingador social. Nem mais é promotor público, é um advogado do MST. Suas declarações comprovam que está completamente desviado do que deveriam ser suas atividades institucionais.
Não satisfeito, completou: “No meu horizonte utópico não está presente um grande número de usinas de açúcar e álcool, por exemplo. No meu horizonte utópico estão a policultura, a geração de postos de trabalho no campo e a agricultura orgânica. Está o acesso do povo à terra, que é um direito fundamental negado desde o descobrimento. A estrutura fundiária brasileira é uma das principais razões de nosso subdesenvolvimento. O homem que deveria defender a lei (e a ordem) a interpreta de forma particular, contrária à própria Constituição e de acordo com o manifesto do partido governante. Deixou de ser funcionário do Estado para ser funcionário do partido. E mais: “Acredito na possibilidade de construir uma sociedade socialista. Sob um ponto de vista gramsciano, se avançarmos na linha da Constituição, vamos dar grandes passos para, no futuro, caminhar para uma sociedade socialista.
A revolução está em marcha. Já podemos vê-la nas páginas dos grandes jornais diários. Quem viver verá.
marzo 26th, 2010 a las 16:56
Lulla como amigo do velho CAGANDATE FIDEL e defensor do regime, vai dar as mesmas desculpas esfarrapadas de sempre sobre a carta da Yoani.
-não recebi a carta
-a carta não foi protocolada do Itamatay.
-não me meto em assunto interno de Cuba, só nos de Honduras.
-não sei ler em espanhol, e nem em português.
e por ai vai,
marzo 26th, 2010 a las 16:23
Transcrito do blog Coturno Noturno.
Quinta-feira, Março 25, 2010
Como será que ele se sente em Cuba?
“Um muro dentro de Israel não é uma coisa nobre no século 21. Eu me senti em uma eclusa”.
Lula, hoje, falando do controle de fronteira entre Israel e o território palestino, que só existe em função dos atentados suicidas e dos carros-bomba utilizados pelo terrorismo islâmico. Seria importante que Lula dissesse como se sente em Cuba, onde as pessoas têm um muro invisível que as impedem de deixar o país, graças ao bloqueio às liberdades individuais imposto por uma ditadura assassina a quem ele apóia e sustenta com centenas de milhões de dólares dos nossos impostos, sem perguntar a ninguém. A propósito, será que ele já respondeu a carta de Yoani Sanchez? Ela somente quer sair da eclusa de Cuba, para visitar o Brasil. O demagogo vai ajudar? Ou o negócio dele é só contra a democracia?
Postado por O EDITOR às 23:12:00
marzo 26th, 2010 a las 16:04
DICA:
Ivo Patarra autor do livro “O Chefe”, onde o mesmo narra todas as patifarias do Lulla e do PT, especialmente o mensalão.
Após anos de investigação, Iva Patarra afirma: “Lula é o chefe” è o protetor de tudo.
O livro “O Chefe” pode ser baixado gratuitamente no site: http://www.escandalodomensalão.com.br. ou http://libertatumlivros.blogspot.com
marzo 26th, 2010 a las 16:01
amigo comentaristas deste blog, a moderação dos comentários foi uma decisão apoiada por outros colaboradores de Yoani em outros paises. O problema não é o “conteúdo” dos comentários esquerdopatas, porque a isto não dou importância, a questão é a perturbação de uma discussão pela intromissão de longos textos entre os comentários. Mas podemos fazer outra experiência, tendo como certo que eles jamais apresentarão razões, porque estas foram perdidas há muito tempo.
marzo 26th, 2010 a las 15:52
Bendita Internet e Santo Google! Nenhuma ditadura resistirá à força da informação indefinidamente. Cuba, China, Coreia do Norte, mais cedo ou mais tarde, um dia verão soçobrar seu regimes de insetos gregários. Leiam o texto de Rodrigo Constantino.
26.03.2010
GOOGLE VERSUS CHINA
por Rodrigo Constantino
“Aqueles que abandonariam a liberdade essencial para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.” (Benjamin Franklin)
Nas últimas décadas, centenas de milhões de chineses saíram da miséria. O crescimento econômico tem sido espetacular. Muitas pessoas ficaram encantadas com o “modelo chinês”. Faz-se necessário, portanto, elucidar alguns pontos importantes, separar o joio do trigo quando se trata de China. Há muito joio ainda no meio dos trigos e, para piorar, algumas pessoas creditam justamente o que há de podre pelo “sucesso” chinês.
De forma bastante reduzida, a China entrou numa era de mais prosperidade (ou menos miséria) quando Deng Xiaoping abandonou parte das receitas socialistas de antes, alegando que o importante não era a cor do gato, mas sim que ele pegasse o rato. Este pragmatismo fez com que o poder central fosse relativamente reduzido em prol de mais liberdade econômica, ainda que muito pouca no geral. Mas bastou esta mudança para colocar em ritmo acelerado a máquina de exportações chinesa, calcada na mão-de-obra barata. A China entrou para a OMC em 2001, e aproveitou a onda da globalização como poucos. A parcela das exportações no PIB chinês quase dobrou em poucos anos, saindo de 20% em 2001 para 36% em 2007.
Dito de outra forma, a China vem experimentando a sua tardia “revolução industrial”, com forte foco mercantilista. Seu objetivo tem sido “conquistar” o mundo por meio das exportações baratas, graças ao gigantesco contingente de trabalhadores. Algo como 750 milhões de chineses ainda vivem nas pobres zonas rurais, em condições precárias. Os ganhos de produtividade com a migração desses trabalhadores para a indústria permitem a manutenção da competitividade chinesa mundo afora, especialmente em produtos intensivos em mão-de-obra. A simbiose tem sido interessante para todos, já que os produtos baratos chineses seguram os índices de preços finais aos consumidores nos países desenvolvidos.
Mas este modelo apresenta inúmeras falhas, que podem expor seus pilares insustentáveis com o tempo. O câmbio não é livre na China, sendo artificialmente controlado pelo governo para permanecer desvalorizado. O crescimento da base monetária tem criado pressões inflacionárias cada vez maiores. O crédito é controlado basicamente por quatro bancos estatais, com critérios políticos em seus empréstimos. O foco excessivo no crescimento do PIB tem feito com que governantes locais estimulem investimentos claramente ruins, apenas para apresentar bons números agregados. Até algumas cidades “fantasmas” já existem na China, com novas casas construídas, mas nenhum morador. O meio-ambiente acaba totalmente ignorado, e as cidades mais poluídas do mundo se encontram na China. A dependência dos consumidores de países mais ricos coloca a China numa situação frágil caso não haja crescimento mundial nos próximos anos. O risco protecionista é uma espada de Dâmocles para o mercantilismo chinês.
Esses são apenas alguns problemas e riscos para a China na próxima década. Há outro ponto que jamais deveria ser ignorado por todos aqueles que valorizam a liberdade: a China ainda vive sob uma ditadura. É verdade que o crescimento exponencial da classe média coloca pressão por mais liberdade civil no país, mas a reação do governo é igualmente forte. O PCC não pretende largar o osso facilmente. O massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, ainda arde na memória de muitos. Ninguém sabe até onde o governo estaria disposto a ir atualmente para preservar seu poder, mas o medo continua dominando muitas pessoas. E é nesse contexto que a “anárquica” internet precisa ser controlada.
Governo algum gosta da ampla liberdade de expressão e imprensa. As críticas, a exposição de fatos incômodos, a disseminação de mais conhecimento e informação, tudo isso representa uma ameaça aos governantes. A internet é a mais nova e potente arma em prol da liberdade e, por isso, governantes do mundo todo pensam numa forma de controlá-la. Claro que esta tarefa fica muito mais fácil sob uma ditadura. Em Cuba, a internet é item de luxo para poucos, além de corajosos clandestinos que se arriscam para mostrar a realidade da ilha presídio. Na Venezuela, o caudilho Hugo Chávez já declarou que pretende controlar a internet. Na China não seria diferente. Acontece que a tirania chinesa encontrou um obstáculo: a ética do maior site de pesquisas do mundo.
O debate sobre o que fazer em relação à presença na China tem dominado a agenda dos principais executivos da Google, desde que o governo intensificou a censura na internet. Sergey Brin, o bilionário fundador da empresa, com apenas 36 anos, resolveu comprar uma briga com o regime autoritário chinês. Seus pais tiveram que fugir com ele da União Soviética, justamente por não suportarem mais viver sob uma ditadura comunista. Seu pai valoriza a liberdade de buscar seus “próprios sonhos de empreendimento”, segundo Brin. O Google representa uma fantástica ferramenta no auxílio de milhões de pessoas buscando justamente isso. É uma estupenda conquista do empreendedorismo, do livre mercado.
Para todos aqueles que insistem em repetir o mantra marxista de que o poder está no capital, o caso da guerra entre Google e governo chinês é sintomático. O Google é uma empresa com cerca de US$ 180 bilhões de valor de mercado. Entretanto, parece impotente diante do poder do governo chinês. É a luta entre Davi e Golias. Na Rússia, o mais rico dos oligarcas foi esmagado em poucas semanas pelo Kremlin de Putin, quando se mostrou interessado pela política do país. Quando o governo concentra tanto poder assim, qualquer empresário é um simples refém seu.
Sergey Brin disse que espera a liberalização da internet na China como solução de longo prazo para o impasse. Todos aqueles que valorizam a liberdade torcem pelo mesmo resultado. Mas o realismo nos faz crer que a luta será árdua, desigual, e que o governo chinês conta com ampla vantagem no momento. Preservar a liberdade é uma tarefa hercúlea neste mundo repleto de autoritarismo. Mas é uma luta que compensa. Não desejamos mártires que sacrifiquem tudo por este ideal. Só que não deixa de ser estimulante ver uma empresa deste porte disposta a sacrificar uma fortuna em receitas, por compreender que ultrapassaram seu “limite de conforto”. Na batalha entre Google e governo chinês, entre capital e governo, entre empreendedor e parasita, entre liberdade e tirania, não resta a menor sombra de dúvida de qual partido tomar.
marzo 26th, 2010 a las 14:25
Caro Humberto, emérito tradutor mor juramentado, faço coro com o Dirceu “mais valia”, libere todos os comentários, acredito eu que estamos numa democracia ainda, então abaixo a censura, senão vamos acabar nos nivelando a eles.
marzo 26th, 2010 a las 13:13
Como todos sabem, foi aprovada pela Câmara uma moção apresentada pela deputada esquerdopata do PCdoB (AM) Vanessa Grazziotin. Segundo foi divulgado, tratava-se de moção de apoio a Cuba com mais de 30 signatários. Augusto Nunes — o personagem Celso Arnaldo — descobriu que nem mesmo a embaixada de Cuba sabe da existência dos tais signatários. Os assessores da deputada, muito menos. E o presidente da Câmara, Michel Temer, não deve ter lido o texto todo, só uma síntese, maliciosamente redigida para induzir a erro. Ignorância, má-fé e incompetência estão embolados. O que esperar dos comunistas brasileiros e da atual Câmara dos Deputados ? Leiam !
Direto ao Ponto
A moção secreta confirma: um livro de Lula é mais viável que o sonho da turma de Grazziotin
26 de março de 2010
Por Augusto Nunes
O repórter Bruno Abbud, de VEJA.com, consumiu dois dias na perseguição ao texto e à relação de signatários da moção de apoio a Cuba redigida pela deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e, segundo a mãe da má ideia, subscrita “por mais de 30 parlamentares”. Depois de 72 horas de apuração, não encontrou nem uma coisa nem outra, mas a frustração foi amplamente compensada pelas descobertas que fez.
Os dois tópicos da moção não mencionam a questão dos presos políticos cubanos. Limitam-se a manifestar “apoio e solidariedade contra o bloqueio norte americano (…), que vem afrontando a vida de onze milhões de cubanos (…) como a mais injusta, antiga e duradoura ação belicosa de um Estado (…), e aos cinco jovens prisioneiros políticos cubanos presos nos Estados Unidos da América a mais de dez anos”.
“Faltaram o h e o acento agudo nesse a”, corrigiu o repórter já na primeira linha do resumo das investigações ─ antes que fosse injustamente debitado na sua conta o pontapé no idioma desferido por Vanessa. Veja a continuação do relato:
“A deputada está no interior do Amazonas, incomunicável”, disse a secretária do PCdoB, que passou a bola para um assessor do Grupo Parlamentar Brasil-Cuba, que me pareceu mais convincente: “A deputada entregou a moção na embaixada sem tirar cópia”, gaguejou. “Não tiramos xerox, não tem máquina copiadora no plenário”. Ele não informou se tal carência também afeta o gabinete e a embaixada. “É difícil demais você conseguir esses nomes”, preveniu.
Liguei para a embaixada. Depois de quatro escalas em diferentes vozes, fui informado de que ninguém por lá sabia de nada. Procurei o assessor de imprensa de Vanessa Grazziotin, que também não quis xerocar as assinaturas. Tentei o assessor de imprensa do PT, que comprovou seguir os passos do chefe. Não lê jornais. “Nem tô sabendo disso”, encerrou o assunto. Outra funcionária do partido forneceu um número que não existia.
Na quarta-feira, Augusto Madeira, presidente do diretório regional do PCdoB no Distrito Federal, disse que tinha os nomes e prometeu enviá-los pela internet. No dia seguinte, disse que não tinha e me repassou para Mozart Viana, secretário-geral da Câmara, que incumbiu um assessor de cuidar do caso. Ele mandaria tudo por e-mail, confirmou o encarregado da missão nesta quinta-feira, exatamente às 16h39.
“A moção já foi publicada no site, só copiei e te mandei”, contou-me o assessor. Às 21h46, a mensagem não havia chegado a nenhum dos dois endereços eletrônicos fornecidos. Em dois dias, não foram poucas as tentativas de engambelar a imprensa. Essa foi a mais deslavada. Na internet, só encontrei o “Requerimento de Moção nº 6508″, assinado por Vanessa Graziotin e três líderes de partidos ou blocos: Fernando Ferro (PT), Ivan Valente (PSOL) e Daniel Almeida (bloco PSB-PCdoB-PMN-PRB). E os “mais de 30″ de Vanessa Grazziotin? Mistério.
Se o assessor de Mozart Viana não tentou engambelar-me também neste quesito, “o presidente da Câmara lê apenas o requerimento, a moção ele não leu”. Isso quer dizer que o deputado Michel Temer passou os olhos sobre os tópicos lá de cima, introduzidos por uns rabiscos ainda mais ralos: “Manifesta posição contrária ao bloqueio de Cuba pelos Estados Unidos da América e apoio e solidariedade a prisioneiros políticos”.
Quem só lê isso acha que os signatários da moção se solidarizam com os dissidentes cubanos. Uma leitura mais atenta informa que os presos políticos a que se refere a introdução são outros. Estão fora da ilha. Numa cadeia dos Estados Unidos.
O relato sobre a moção secreta comprova o amadorismo, a inépcia e a mediocridade ─ fora o resto ─ que comprometem o desempenho da Câmara dos Deputados. Isso é, simultaneamente, ruim e bom. Ruim porque o país que presta não merece um Congresso povoado por parlamentares de quinta. Bom por confirmar que, com dirigentes assim, é mais fácil Lula escrever um livro que a ditadura comunista vingar no Brasil.
marzo 26th, 2010 a las 12:55
Transcrevo do blog de Augusto Nunes.
» Direto ao Ponto
A carta de Yoani Sánchez obriga Lula a escolher entre a generosidade e a infâmia
24 de março de 2010
Há menos de duas semanas, a blogueira cubana Yoani Sánchez endereçou ao presidente Lula uma carta cujo teor permaneceu desconhecido. Em primeira mão, VEJA.com reproduz a íntegra do documento.
Se venceu o medo da azia e, sobretudo, a ojeriza a oposicionistas cubanos, Lula já leu na diagonal ao menos o resumo da carta traduzida por algum assessor. Se o tradutor foi fiel à essência do texto, deve ter entendido que Yoani não pode ser enquadrada em nenhuma das categorias invocadas pela companheirada para desqualificar quem tem autonomia intelectual. É especialmente ridículo acusá-la de “agente do imperialismo ianque” ou enxergá-la “a serviço dos contrarrevolucionários de Miami”. É só uma jornalista que tenta ser independente na ilha subjugada pela mais velha ditadura do mundo. E só quer visitar o Brasil.
Em outubro de 2009, a primeira tentativa esbarrou nas autoridades de imigração, que lhe negaram o visto de saída necessário para apresentar aos brasileiros seu livro ”De Cuba, com carinho”. Sempre sem explicações, Yoani foi também impedida de viajar para a Polônia, para os Estados Unidos (onde receberia na Universidade de Colúmbia uma menção especial do prêmio Maria Moors Cabot) e para a Espanha, onde a aguardava o prêmio Ortega y Gasset.
Agora convidada para a sessão de estreia de um documentário em Jequié, na Bahia, ela enviou a carta que, em seu começo, recorda os tempos da escravidão. Na chegada dos navios negreiros à costa continental, conta a blogueira, famílias vindas da África eram esfaceladas pela divisão em dois lotes: um desembarcava em Cuba, outro no Brasil. A distância escavada entre escravos não pode ser reprisada no século 21. “Sonhamos com a livre circulação entre as nações americanas”, escreveu Yoani.
O documentário dirigido pelo brasileiro Dado Galvão trata das atividades da blogueira, do movimento Damas de Branco e do fechamento do Canal 36 durante a crise política em Honduras. A primeira apresentação está marcada para 1° de junho, no Centro de Cultura Antonio Carlos Magalhães, em Jequié. A entrada é livre. A liberação de Yoani depende do governo cubano ─ e de Lula.
“O senhor tem dado mostras de que confia na boa-fé do governo cubano”, registra o penúltimo parágrafo. “Para manter viva essa confiança”, imagina Yoani, o governo cubano não recusaria uma solicitação do amigo Lula. ”O senhor estaria pedindo o que para qualquer brasileiro ─ e para qualquer ser humano ─ é um direito inalienável”.
É a chance de Lula mostrar que a opção preferencial pela ditadura companheira, sempre vergonhosa, não é de todo inútil. Depois de curvar-se tantas vezes à vontade de Fidel, depois de repreender o preso político Orlando Zapata por ter morrido de fome, o presidente brasileiro pode demonstrar que atitudes desonrosas trazem algumas vantagens. Por exemplo, conseguir que os irmãos Castro prmitam que uma jornalista conheça o Brasil.
Mais uma vez, Lula está obrigado a escolher entre as cavernas e a civilização, entre a generosidade e a infâmia. Ele decide.
Tags: Cuba, generosidade, infâmia, Irmãos Castro, Lula, Yoani Sánchez
marzo 26th, 2010 a las 12:11
Correção: ” Mesmo quem viveu o período nem sempre tinha clareza do que estava acontecendo –” …
marzo 26th, 2010 a las 11:52
O texto transcrito por Anónimo no comentário abaixo (7) com a síntese dos acontecimentos que antecederam a contrarrevolução de 1964 é extremamente importante. Merece ser copiado e encaminhado ao maior número possível de pessoas. Todos devem procurar saber o que de fato ocorreu no período. Mesmo quem viveu o período nem sempre tinham, clareza do que estava acontecendo — eu por exemplo não tinha; era adolescente na época, e bastante influenciado pelos esquerdistas ligados aos sindicatos e movimento estudantil, na pequena cidade perto de Recife em que vivia.
Professores especialmente devem ter o maior interesse em conhecer a história. Observando o que vem ocorrendo atualmente, vejo muitos pontos de semelhança com o que aconteceu naquela época. (mfgomes:26/03/2010)
marzo 25th, 2010 a las 19:03
Diversos
Portal
A Contra-Revolução de 1964
Gilberto Paim
Jornalista
Sr. Presidente: Permita-me esclarecer que a intenção desta palestra consiste em colocar em debate a perda da memória dos acontecimentos que precederam o 31 de março de 1964. Persiste o veto a qualquer referência favorável à derrubada do governo João Goulart. A circunstância de que os derrotados de 64 estejam em condições de influenciar tantos atos na área oficial (atletas cubanos expulsos do país em avião de Hugo Chavez e a defesa organizada do criminoso Cesare Battisti) é reveladora de uma pronunciada tendência para o esquerdismo. Na universidade, na imprensa, nas editoras, na publicidade, na internet e em várias áreas da vida social brasileira exalta-se a importância das “reformas de base” do governo João Goulart, cuja execução teria sido impedida pelo golpe de Estado. Tais reformas entram na história como uma grande fraude.
Passo ao texto da palestra, intitulada A Contra-Revolução de 64.
Inicio citando, textualmente, uma bravata brizolista:
“O Grupo dos Onze representa a vanguarda
avançada do Movimento Revolucionário, a exemplo da
Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na
União Soviética”, proclamou Leonel Brizola, em outubro
de 1963, ao criar essa organização revolucionária.
Da população total hoje existente, cento e dez milhões de brasileiros não respiraram a atmosfera dos anos que precederam o movimento de 31 de março de 1964, quando foi derrubado o presidente João Goulart. Para essa grande massa de patrícios o acontecimento histórico, um divisor de águas, há de parecer remoto ou inexistente. Não será difícil aos formadores de opinião, esquerdistas, anticapitalistas e antiamericanos desenvolver esforços para convencer os desprevenidos de que essa data serve apenas de referência a uma quartelada.
A derrubada do presidente Goulart e de seu grupo de agitadores políticos ofereceu à sociedade a oportunidade de uma descontração, de um alívio profundo, que só pôde ser avaliado pelos que viveram aqueles anos tumultuosos. Na área política, predominavam tensões crescentes. Em todas as regiões metropolitanas as greves, distúrbios, arruaças e tumultos faziam parte da vida cotidiana, perturbando a tranqüilidade pública de modo incessante. À medida que avançava o ano de 1963, intensificava-se a fuga de capitais. Na onda de desespero, muitos vendiam suas propriedades a qualquer preço, pois a escalada de teor esquerdista, fomentada pela Presidência da República, conduzia à crença de que parecia fatal a instauração de um governo comunista. Luiz Carlos Prestes dizia que os comunistas estavam no governo, mas ainda não no poder.
Como os derrotados ganharam o prêmio de uma aplicação de alto rendimento, recebido sob a forma de bilhões de reais em indenizações, a ascensão do esquerdismo político, nos últimos decênios, criou condições em que se tornou fácil denegrir a contra-revolução de 64, como se tivesse sido um golpe de Estado de estilo latino-americano. Mais de cem milhões de brasileiros ignoram que a Nação esteve à beira de uma revolução comunista, à moda de Cuba. Essa grande massa de patrícios não se cansa de ouvir elogios ao governo João Goulart, “impedido pelo golpe” de executar o seu projeto de reformas de base, que era uma palavra de ordem inteiramente vazia. Tudo o que se imaginava como reforma era contra o desenvolvimento sócio-econômico. Propunha-se, por exemplo, que o capital estrangeiro ficasse proibido de operar em energia elétrica, frigoríficos, indústria farmacêutica, refinação de petróleo, telefonia e outros setores. Medida dessa natureza deixaria a economia nacional à margem da comunidade financeira internacional e a colocaria no campo soviético. O Brasil viria a ser mais um satélite de Moscou. Aberração maior foi o decreto do presidente Goulart desapropriando terras, vinte quilômetros ao longo de rodovias, ferrovias, açudes e rios navegáveis, uma pré-condição das fazendas coletivas. Entre as palavras de ordem do esquerdismo ganhava destaque a que propunha que o proprietário de duas casas ou dois apartamentos deveria ceder um aos sem teto. Providências insensatas eram anunciadas quase diariamente, nos últimos meses do governo Goulart, inclusive o aluguel de casas e apartamentos fixado pelo governo e o preço uniforme dos remédios em todas as farmácias. O carro-chefe era um amplo programa de estatização. A parte política das reformas abrangia o direito de voto para analfabetos, sargentos e patentes inferiores, origem de estremecimento nas Forças Armadas.
A imprensa refletia o clima de desordem. O matutino Correio da Manhã, jornal de grande prestígio na época, proclamava no dia 31 de março: “Basta!” e no dia seguinte declarava “Fora” ao governo João Goulart, que havia perdido a confiança dos representantes da sociedade organizada. Na verdade, o presidente se tornara joguete das forças radicais de esquerda, as quais se empenharam em fomentar um desafio constante às Forças Armadas, alimentando ilusão num suposto “Dispositivo” do general Assis Brasil, chefe da Casa Militar e secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional. Posteriormente, o general declarou: “O dispositivo militar, que dizem que eu montei, nunca existiu”. Propagava-se a informação de que o general comandava a parte “progressista” do Exército, a qual seria capaz de neutralizar as Forças Armadas e de facilitar a tomada do poder pelos extremistas de esquerda. Não demoraram os fatos para provar, de forma categórica, que as forças sob o comando de Jango não passavam de agitadores incapazes de enfrentar um simples embate. O famoso “dispositivo” era pura invenção.
Em certo momento, houve uma aparente disputa entre Jango e seu cunhado Brizola para ver qual dos dois estava mais à esquerda. As agitações de operários, estudantes e lideres de trabalhadores rurais deixaram o presidente da República convencido de que as forças de esquerda podiam lhe assegurar a vitória final, no confronto com os adversários liberais e conservadores.
Demonstrando visível prudência, o governador Magalhães Pinto advertia: “Dois grandes males põem em risco a paz e a liberdade de nossa pátria na conjuntura atual. São eles a inflação financeira e o radicalismo político. O medo de perder gera a mesma fúria agressiva que a cobiça de ganhar. Em breve, se não houver possibilidade de uma solução equilibrada, o destino da maioria dos brasileiros estará à mercê dos grupos extremistas minoritários que se atiram à ação direta, para a resolução ou para o golpe de Estado”.
Os fatos se encarregaram de provar que esse receio tinha sério fundamento. Em março de 1963, uma passeata de militares, em São Paulo, demonstrava a escalda do esquerdismo. Consistia o objetivo do movimento na posse de alguns sargentos eleitos no pleito de 3 de outubro de 1962. Militares da Aeronáutica e da Força Pública compareceram fardados à passeata, a qual foi seguida de solenidade, na qual sentaram-se à mesa diretora os comunistas Geraldo Rodrigues dos Santos, Mario Schemberg, Luiz Tenõrio de Lima, Oswaldo Lourenço e o general reformado Gonzaga Leite, um dos organizadores do Congresso Continental de Solidariedade a Cuba.
As manifestações realizadas em defesa dos militares de baixa patente, cujas reivindicações repercutiam em todo o país, ganharam ímpeto quando o sargento-deputado Garcia Filho afirmou, em Fortaleza, que, se não houvesse uma decisão favorável à posse dos sargentos eleitos, a Justiça Eleitoral seria “fechada”. Garcia pregou o enforcamento dos responsáveis pela tirania dos poderes econômicos e rotulou a instituição militar de nazista.
Entre os acontecimentos que tornaram denso o clima político, no ano de 1963, não se pode subestimar o efeito causado pelas comemorações do aniversário do general Osvino Ferreira Alves, comandante do III Exército, em Porto Alegre, onde cerca de oitocentos subtenentes e sargentos se reuniram, em julho, para homenageá-lo. O ato teve significação particular. O general se distinguira como um dos ardorosos defensores da restauração do presidencialismo, contra o parlamentarismo, vigente no ano de 1962, um fator restritivo à ação do presidente Goulart. Osvino representava um dos esteios do janguismo.
Em setembro de 63, Brasília se tornou palco de um fato político de gravidade, quando sargentos da Marinha e da Força Aérea, sob o comando do sargento da FAB Antonio Prestes de Paula, se apossaram do Ministério da Marinha, da Base Aérea, da Área Alfa (da Companhia de Fuzileiros Navais), do Aeroporto Civil, da Estação Rodoviária e da Rádio Nacional. Os revoltosos prenderam um ministro do Supremo Tribunal Federal e o presidente da Câmara Federal. Durante a tarde, o movimento estava dominado com a prisão dos rebelados. Carros blindados do Exército ocuparam pontos estratégicos de Brasília e se dirigiram ao Ministério da Marinha, onde os rebeldes se entregaram. Alguns marinheiros sairam feridos. Houve dois mortos, o soldado fuzileiro Divino Dias dos Anjos, rebelde, e o motorista civil Francisco Moraes.
A imprensa denunciava como insuportável a agitação social que descambava para um estado de desordem, o qual interessava, visivelmente, à Presidência da República, como exigência da implantação das “reformas de base”. A denuncia da agitação era a tônica dos editoriais dos Diários Associados, do Estado de S. Paulo, do Jornal do Brasil, da Tribuna da Imprensa e do Globo. Empresários e intelectuais se reuniam em associações civis para advertir a sociedade dos perigos que se avolumavam e combater a infiltração comunista, que pregava a revolução social e a estatização da economia. Estava em plena atividade o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais – IPES, ao lado do Instituto Brasileiro de Ação Democrática – IBAD, o qual se empenhava no combate aberto à infiltração comunista. A CAMDE reunia as esposas de militares, funcionários públicos e dirigentes sindicais contra a desordem. Foi também criado o Movimento Sindical Democrático, para atuar no campo. Era muito ativo em Pernambuco o Serviço de Orientação Rural.
Em oposição ao movimento democrático, eram numerosas as entidades que compunham a frente de agitação esquerdista, inclusive o Comando Geral dos Trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, o Comando dos Trabalhadores Intelectuais e a Frente Parlamentar Nacionalista. Ao mesmo tempo desenvolviam intensa atividade a União Nacional de Estudantes, cujo Centro Popular de Cultura agia em todo país; O Movimento de Educação de Base, a Ação Popular e o próprio Ministério da Educação, por intermédio da Comissão de Cultura Popular, que influía na conduta das Secretarias de Educação dos Estados.
Ganhou importância, nessa atmosfera pré-revolucionária, o documento que o general Castello Branco, chefe do Estado Maior do Exército, encaminhou ao Ministro da Guerra, salientando a necessidade de providências sobre a “ação ilegal, inclusive subversiva, do Comando Geral dos Trabalhadores, a agitação insurrecional promovida pelo Deputado Leonel Brizola, e a conexão de atividades de políticos com o motim de Brasília”. Na mesma ocasião o general se manifestou contrário ao Estado de Sítio pleiteado por João Goulart, para implantação das “reformas de base”.
O encadeamento dos fatos demonstra a marcha acelerada do esquerdismo para a tomada do poder. Assinalemos algumas datas:
5 de julho de 1961 – Durante a greve geral de 5 de julho foi criado o Comando Geral dos Trabalhadores, CGT. As lideranças sindicais criaram o Comando Geral de Greves, CGG, para coordenar o movimento grevista.
25/09/1962 – É fundada a Frente de Libertação Nacional, tendo Leonel Brizola como presidente e Mauro Borges, governador de Goiás, como secretário-geral.
Em 2 de julho de 1962, Auro de Moura Andrade é indicado para primeiro ministro e enfrenta reação das organizações sindicais que decretam greve geral contra sua posse, afetando principalmente o Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Santos e Fortaleza.
Agosto de 1982 – Os ministros militares lançam manifesto pedindo antecipação do plebiscito sobre o fim do regime parlamentarista e a restauração do presidencialismo. O primeiro ministro Brochado da Rocha defende essa posição em discurso na Câmara
15 de outubro de 1962 – O Comando Geral dos Trabalhadores deflagra greve geral com a finalidade de exigir do Congresso a fixação da data do plebiscito. O Congresso aprova lei complementar número 2 que estabelece a realização do plebiscito em 6 de janeiro de 1963.
6 de janeiro de 1963 – Realização do plebiscito. O presidencialismo venceu por ampla margem: 9.5 milhões contra 2milhões. João Goulart é o grande vencedor.
24 de janeiro de 1963 – tomou posse o primeiro ministério presidencialista.
De 28 a 30 de março, realizou-se em Niterói, na sede do Sindicato dos Operários Navais, um Congresso Continental de Solidariedade a Cuba, com a participação de delegações latino-americanas. Luiz Carlos Prestes foi um dos oradores. Manifestou o desejo de que o Brasil fosse a primeira nação da América do Sul a seguir o exemplo de Cuba.
5 de maio de 1963 – Leonel Brizola discursa em Natal, fazendo acusações ao general Antonio Carlos Muricy, a quem chama de “gorila” e “golpista”. Seguem-se manifestações de militares apoiando o general.
12 de maio e 1963 – Sob o comando do subtenente Gelci Rodrigues Correia, mais de mil suboficiais, sargentos e cabos se reúnem no auditório antigo do IAPC, no Rio, para defender a elegibibilidade dos graduados. Gelci refere-se também à possibilidade de os graduados lançarem mão de “seus instrumentos de trabalho” (as armas) para exigir do governo federal as reformas de base.
O ministro da Guerra, Amauri Kruel, determina a detenção do subtenente Gelci por 30 dias.
15 de junho de 1963 – João Goulart muda pela quarta vez o seu ministério. Os ministros do Exército, da Aeronáutica e da Marinha são substituídos.
23 de setembro de 1963 – A Frente Parlamentar Nacionalista e a União Nacional de Estudantes defendem a elegibilidade dos sargentos e condenam declarações do general Peri Bevilacqua, que criticou a revolta dos sargentos e a solidariedade sindical a esse movimento. O general, que havia apoiado a posse de Goulart e a realização do plebiscito, atribuiu ao Comando Geral dos Trabalhadores, ao Pacto de Unidade e Acão e ao Fórum Sindical de Debates a responsabilidade pela insurreição dos sargentos, tachando a cúpula do movimento sindical de “aglomerados de malfeitores sindicais”.
4 de outubro de 1963 – Goulart envia mensagem ao Congresso solicitando a decretação de estado de sítio por trinta dias. Mas sofre derrota.
6 de outubro -Tropas do IV Exército, por ordem do seu comandante, o general Justino Alves Bastos, ocupam Recife para conter trinta mil manifestantes camponeses nas proximidades do palácio do governo estadual. O governador Miguel Arrais apóia a manifestação.
Outubro de 1963 – Brizola organiza o “Grupo dos Onze Companheiros”. Seu objetivo era tomar o poder pela luta armada. Segundo Brizola, o G-11 seria a “vanguarda avançada do Movimento Revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. Brizola chegou a lançar um boletim, intitulado “O Panfleto”, cujo objetivo era literalmente fomentar distúrbios.
A Nação estava na expectativa de uma grande concentração popular anunciada pelas lideranças de esquerda para o dia 13 de março de 64. Prepararam o grande ato o Comando Geral dos Trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, o Comando dos Trabalhadores Intelectuais, a União Nacional de Estudantes, a Frente Parlamentar Nacionalista e conhecidos dirigentes de esquerda. Nos comunicados à opinião pública, declararam essas organizações que o objetivo era demonstrar a exigência das reformas, as quais deveriam entrar em vigor ainda no ano de 64. Outro objetivo era a defesa das liberdades democráticas e sindicais, exigindo-se a extensão do direito de voto aos soldados, marinheiros e cabos, assim como a elegibilidade para todos os eleitores e a necessidade de imediata anistia a todos os civis e militares indiciados e processados por crimes políticos e pelo exercício de atividades sindicais.
Era grande a efervescência no momento em que se realizava o comício de 13 de março de 64, na Praça da República, vizinhanças do Quartel-General do Exército e da Central do Brasil. Nessa concentração, a que compareceram Goulart e sua esposa, Maria Teresa, ao lado de vários ministros de seu governo, deputados e líderes sindicais. Ficou demonstrado que o presidente não era o ponto de equilíbrio, lembrado por Magalhães Pinto, capaz de evitar a destruição das instituições democráticas. Animado pelos aplausos da multidão, Goulart decreta a encampação das refinarias de petróleo privadas e autoriza a expropriação de terras, vinte quilômetros à beira de rodovias, ferrovias, rios navegáveis e açudes.
O matutino Estado de S. Paulo, no dia 14 de março, um dia depois do grande comício da Central do Brasil, em que o presidente Goulart fez pronunciamentos tipicamente de esquerda, escreveu: “Depois do que se passou naquela praça, após a leitura dos decretos presidenciais que violam a lei, não tem mais sentido falar-se em legalidade democrática, como coisa existente”.
A agitação no comício foi o sinal de que as forças de esquerda marchavam para a tomada do poder. Essa concentração não foi um ato isolado, Comícios semelhantes foram à mesma hora realizados em Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte e São Paulo, para veiculação de orações de teor sindical-esquerdista. No Rio, participavam da comissão organizadora do comício o radical Oswaldo Pacheco da Silva, presidente da Federação Nacional dos Estivadores e representante do Comando Geral dos Trabalhadores e do Pacto de Unidade e Ação; o deputado comunista Hércules Corrêa dos Reis, secretário da Comissão Permanente das Organizações Sindicais, e o deputado José Talarico, secretário do PTB na Guanabara e assessor de Goulart nas atividades sindicais.
No dia 19 de março, mulheres paulistas lideraram a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, um movimento que envolveu centenas de milhares de pessoas, traduzindo a inquietação generalizada dos brasileiros. No dia seguinte, O GLOBO comentou: “Sirva o acontecimento para mostrar aos que pensam em desviar o Brasil de seu caminho normal, apresentando-lhe soluções contrárias ao ideal democrático e ensejando a tomada do poder pelos comunistas, que o povo brasileiro jamais concordará em perder a liberdade, nem assistirá de braços cruzados ao sacrifício das instituições”.
O grevismo era o principal instrumento de agitação política. Na área de Santos, o ano de 1963 registrou em média de 3 a 4 greves por mês. Houve durante o ano duas greves gerais. Junho e agosto viveram os meses mais agitados, numa sucessão de paralisações de trabalhadores do Porto, de hospitais, funcionários públicos e até de juízes de futebol. O clima era de greve onde quer quehouvesse trabalho sindicalizado. Houve momentos em que se tornou necessária a presença de tropas federais para assegurar a ordem na faixa portuária e na área da refinaria de petróleo e do oleoduto.
As greves gerais foram decretadas pelo Fórum Sindical de Debates, que contava com o apoio de quarenta sindicatos e associações de trabalhadores. Durante todo o ano de 1963 e primeiros meses de 1964, a baixada santista viveu momentos de grande tensão, causada pelo grevismo e as agitações de rua. Qualquer pretexto servia para se proclamar uma greve. No dia 24 de fevereiro de 1964, foi declarada greve que parou totalmente o porto de Santos depois de um incidente entre um vigilante das Docas e um delegado da Polícia Marítima.
Maior e mais intensa foi a inquietação social causada pelo grevismo no Estado da Guanabara, onde, nos anos de 1962 a 1964, foram declaradas 176 greves, abrangendo em grande parte empresas privadas, mas também as governamentais, que eram mais tolerantes com o paredismo. Na capital da República, fonte de informação disseminada a todo o país, a população carioca e da periferia esteve dominada por tensão generalizada e viveu mais de perto a ameaça da implantação do regime comunista. Em 1963 houve setenta e seis greves no Rio e 38 nos primeiros meses de 64, segundo o pesquisador Marcelo Badaró Matos, in Revista Brasileira de História, Vol. 24/2004, S. Paulo. Segundo esse autor, as greves por aumentos salariais estavam sempre impregnadas de motivação política. Greves e mais greves se sucediam. Bancos, escolas, hospitais, serviços públicos, transportes, tudo estava sujeito a paralisação. Os habitantes da metrópole eram quase diariamente vítimas de greves que perturbavam a vida da cidade.
O Rio viveu os momentos mais intensos da desordem. No dia 25 de março de 64, houve o motim dos marinheiros, precedido de uma assembléia de mais de dois mil militares de baixa patente, realizada no Sindicato dos Metalúrgicos. Esse numeroso grupo, onde predominavam marinheiros e taifeiros, exigia melhores condições de existência, extensivas aos militares de outras Armas, e declaravam apoio às “reformas de base”, anunciadas por João Goulart. Exigia, também, a suspensão de medidas disciplinares impostas aos diretores da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, entidade que funcionava à revelia do regulamento da Marinha. O então ministro da Marinha, almirante Silvio Mota, ordenou que fossem presos os líderes dos amotinados, enviando destacamento dos fuzileiros navais, sob o comando do almirante Candido Aragão. No entanto, ocorreu a adesão dessa tropa aos amotinados. O presidente Goulart expediu ordens, no dia 26, proibindo a invasão da sede do Sindicato onde se realizava a assembleia. Coube ao ministro do Trabalho negociar com os marinheiros a desocupação pacífica do edifício.
Logo em seguida, uma tropa prendeu os líderes dos amotinados, porém João Goulart lhes concedeu imediato perdão, o que exaltou o ânimo da oficialidade. O ministro Silvio Mota, que ordenara a prisão dos dirigentes da associação, foi demitido e substituído pelo almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues. A resposta do almirantado foi hostil ao governo. No Clube Naval, um grupo de almirantes hasteou a bandeira nacional a meio pau. O Clube Militar se solidarizou. A decisão do novo ministro, que concedeu anistia aos rebeldes marinheiros, provocou a coesão militar contra João Goulart. Vinte almirantes subscreveram uma nota de protesto, em que afirmavam: “O grave acontecimento que ora envolve a Marinha, ferindo-a na sua estrutura, abalando a disciplina, não pode ser situado apenas no setor naval. É um acontecimento de repercussão nas Forças Armadas e a ele o Exército e a Aeronáutica não podem ficar indiferentes”.
A Folha de São Paulo, de 27 de março, indagava: “Até quando as forças responsáveis deste país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia, assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente declarado empenho capitaneado pelo presidente de República de destruir as instituições democráticas?”
Pouco depois, no dia 30 de março, véspera da derrubada do governo, estava marcada, no Rio de Janeiro, uma reunião de sargentos das três Forças, mais os da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, a ser realizada no Automovel Clube. Diante da notícia, o Comando do Primeiro Exército ordenou que suas unidades retivesse dentro dos quartéis os sargentos, o que impediu a presença destes na reunião. Para presidi-la foi convidado o presidente da República. Tancredo Neves, político experiente, aconselhou-o a não comparecer. O deputado Tenório Cavalcanti, um ativista das esquerdas, recomendou a Jango que não saísse do Palácio das Laranjeiras. Tudo inútil. Acompanhado do general Assis Brasil, responsável pelo esquema de segurança, o presidente se dirigiu ao Automóvel Clube, onde foi festivamente recebido pelos sargentos.
O clima, nessa noite, o induziu a deixar de lado o discurso escrito, para falar de improviso, ressaltando a importância do sargento como elemento de ligação entre as Forças Armadas e o povo. Estavam presentes o almirante Aragão e o “cabo” Anselmo que pronunciaram discursos inflamados e foram aplaudidos com entusiasmo.
Comentando o fato, escreveu o Jornal do Brasil, em 31 de março: “Pois não pode mais ter amparo legal quem, no exercício da Presidência da República, violando o Código Penal Militar, comparece a uma reunião de sargentos para pronunciar discurso altamente demagógico e de incitamento à divisão das Forças Armadas”.
Horas depois da reunião no Automóvel Clube, iniciaram o avanço em direção o Rio de Janeiro as tropas de Minas, sob o comando dos generais Mourão e Guedes. As informações que Goulart conseguiu reunir, na manhã do dia 1º de abril, eram confusas. O presidente decidiu viajar a Brasília, para manter contato com parlamentares e deixou no Rio o general Assis Brasil. Logo a seguir, o general Âncora telefona a Assis para informá-lo de que “o Norte já aderiu à revolução. Minas está toda revoltada. O batalhão que mandei daqui se passou para o lado dos revoltosos, os quais ganharam a adesão do batalhão de Barra do Piraí. As tropas de São Paulo já estão marchando. Colocaram os cadetes da Academia Militar na vanguarda”.
Relatou o general Assis Brasil os últimos momentos do governo Goulart. Disse que, antes de ir para Brasília, realizou uma reunião com os ministros militares e depois com os civis. O único que queria resistir era o da Marinha, justamente o que não tinha tropa”. Assis chegou a Brasília às 20 horas e encontrou Goulart no aeroporto. Havia um avião da Panair do Brasil sendo preparado. Disse o general que, antes de falar com Goulart, mandou que os oficiais da Casa Militar fossem para seus postos e passassem os cargos aos substitutos. “Ninguém falou em resistência entre os meus auxiliares. Um deles perguntou: “E o senhor?”. Respondi: vou com o presidente, porque esta é a minha função. Não sei para onde ele vai, mas o meu destino, enquanto ele estiver vivo, está ligado ao dele. Fui ao encontro de Jango, que queria saber da situação. Informei que o III Exército perdeu o Paraná e Santa Catarina, mas Porto Alegre está intacta. Militarmente, dá para o senhor descer lá, mas não podemos pensar em resistência.
Prossegue o relato das horas finais:
– Fomos para Porto Alegre. Chegamos pela madrugada. O general Ladário, que chefiava as tropas, queria resistir. Jango me disse que também Brizola falava em resistir. Eram quatro horas da manhã. A guerra estava perdida. Durante a manhã, embarcamos e fomos para a estância Rancho Grande, em São Borja, onde se encontravam Maria Teresa e filhos. Jango não sabia o que fazer, estava atordoado. Eu disse: O senhor tem que sair daqui, senão vão lhe prender. Havia três aviões, um dos quais levou a Brasília os oficiais que me acompanhavam.
– De lá fomos para uma das fazendas de Jango, à margem do rio Uruguai. Consegui demover Jango da idéia de ir para o Brasil Central e ficar em uma de suas fazendas. Quando ele me perguntou qual era a minha sugestão, sugeri o Uruguai. Mandamos um portador a Montevidéu para sondar a posição do governo. O piloto voltou com a notícia de que Jango e família seriam recebidos de braços abertos. Às três e meia da tarde do dia 4 de abril, partimos de uma segunda estância de Jango e logo desembarcamos em Montevidéu, onde Goulart foi muito bem recebido.
Assis Brasil viajou de volta ao Brasil para se apresentar ao Exército. Foi preso. Perdeu os vencimentos. Passou muitas dificuldades. Ganhava a sobrevivência como professor. Até que foi anistiado.
Leonel Brizola não se conformou com a derrota. Pronunciou discursos acalorados em Porto Alegre, dirigindo-se aos “sargentos do III Exército. Dessas Unidades que me ouvem neste momento. Atenção, sargentos das Unidades chefiadas por esses militares golpistas. Atenção, oficiais nacionalistas dessas Unidades. O povo, do qual sois uma parte inseparável, vos pede neste instante. Pedem a todos vós, pede aos sargentos que se levantem, tomem os quartéis e prendam os gorilas”.
Sem demora, o lider esquerdista também seguiu o caminho do exílio.
A Nação havia escapado de um golpe comunista que esteve barulhentamente articulado, deixando a Nação em suspenso diante da possibilidade de se materializar.
O movimento esquerdista não contou com o apoio do general Machado Lopes, aquele que levantou o III Exército para garantir, em 1961, a posse de Goulart na Presidência da Republica. Em livro que publicou em 1981, o general escreveu: “A Nação, estarrecida, assistia aos desmandos do próprio chefe do Governo. E o Sr. Leonel Brizola vibrava no meio da desordem, que parecia levar o país para o caos. O Clero, o povo e principalmente as Forças Armadas puseram em 1964 um paradeiro na situação caótica em que se encontrava o país”.
No dia 1º de abril de 1964, o Diário de Notícias, do Rio, assim definia o governo: “Por mais que o sr. João Goulart negaceie, tergiverse e dissimule, ninguém poderá negar – porque está à vista de todos, porque é público e ostensivo – que os elementos chamados de “formação marxista”, não somente conseguiram infiltrar-se facilmente em todos os postos, mas também são os preferidos pelo governo para esses postos, sobretudo os de comando e direção. Atualmente, no presente governo, que ainda se diz democrata, a ideologia marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem recomendação especial os olhos do governo”.
Concluiu o Diário de Noticias: “Era como se já estivéssemos em pleno regime “marxista-leninista”, com que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império soviético, às ordens do Kremlin”.
O Brasil foi salvo à beira do precipício do retrocesso econômico e do empobrecimento crescente, à moda de Cuba, e a alteração de seu destino colocou a sua economia entre as maiores do mundo, mas não escapou da falsificação da história, simbolizada em dois atos oficiais: João Goulart recebeu o prêmio de anistiado político, enquanto a viúva Maria Tereza, milionária, foi contemplada por indenização de R$643 mil e pensão vitalícia de R$4,5 mil.
A contra-revolução de 64 representa uma página oculta em nosso passado.
Uma aula de HISTÓRIA política do Brasil para os que pensam que conhecem tudo o que ocorreu em 31 de março de 1964, e não leram o “Livro negro do comunismo” para perceber as similitudes entre os agitadores de 1917, 1963/1964 e os que elaboraram o Plano Nacional dos “Direitos Humanos”.
marzo 25th, 2010 a las 12:02
Sabe Humberto, depois do filtro nos comentários eu começei a sentir falta dos esquerdopatas “tipo” Vanessa Grazziottin para poder mandá-los se roçar nas ostras cubanas, hehehehehehehehehehe
Nada é perfeito.
marzo 24th, 2010 a las 22:44
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http://www1.folha.uol.com.br/f.....8521.shtml
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18/03/2010 – 02h04
Ex-responsável de Finanças da Coreia do Norte é executado
da Efe, em Pequim
O regime comunista da Coreia do Norte executou na semana passada o ex-diretor de Finanças do Partido dos Trabalhadores, Park Nam-gi, pelo fracasso da reforma monetária de novembro, informou a agência sul-coreana Yonhap.
Segundo fontes ligadas ao Governo da Coreia do Norte consultadas pela Yonhap, Park foi fuzilado em Pyongyang sob a acusação de “ter arruinado a economia do país de forma planejada”.
As mesmas fontes assinalaram que o regime de Pyongyang atribuiu a Park toda a responsabilidade pelo fracasso da reforma monetária que causou descontentamento social e teve efeito negativo na preparação da possível sucessão do poder de Kim Jong-eun, filho mais novo do líder Kim Jong-il.
(Continua)
marzo 24th, 2010 a las 22:35
Esta energia deveria ser canalizada para lutar contra os ditadores que escravizam esse povo tosco e desfocado da sua própria realidade de povo escravo de meia dúzia de tiranetes. Liberdade para os presos por crime de opinião na ditadura monstrenga dos castros!
marzo 24th, 2010 a las 21:12
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24/03/2010
Obama lamenta morte de dissidente e pede fim da repressão em Cuba
da Folha Online
O presidente americano, Barack Obama, pediu que o governo de Cuba “respeite os direitos” de sua população e lamentou a morte do dissidente político Orlando Zapata em uma greve de fome, em um comunicado divulgado nesta quarta-feira. O líder dos EUA também exigiu a libertação de todos os presos políticos e o fim da repressão aos direitos humanos no país.
No comunicado, Obama qualificou os últimos acontecimentos em Cuba de “profundamente preocupantes”, e disse que, em vez de entrar em uma nova era, as autoridades cubanas continuam a responder às aspirações de seu povo com a “mão dura” do regime comunista.
“Uno a minha voz à dos bravos indivíduos em Cuba e ao crescente coro ao redor do mundo no apelo pelo fim da repressão, pela libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros políticos e pelo respeito aos direitos básicos do povo cubano”, diz o texto.
Obama lembrou ainda que, ao longo do ano passado, seu governo deu passos para inaugurar uma nova era nas relações com o governo de Havana.
“Continuo comprometido a apoiar o simples desejo do povo cubano de determinar livremente seu futuro e desfrutar dos direitos e das liberdades que definem o continente americano, e que deveriam ser garantidas para todos os seres humanos”, disse Obama no comunicado.
O governo dos EUA diz que busca se aproximar de Cuba “com cautela”, porque não quer uma mudança brusca nas relações neste momento.
Washington e Havana não mantém relações diplomáticas desde 1962, quando a Casa Branca decretou embargo total contra a ilha governada pelo regime comunista.
Repressão
Na semana passada, as “Damas de Branco” –um grupo formado por esposas, mães e parentes de presos políticos cubanos– foram detidas pela polícia durante uma passeata, em Havana, tendo sido obrigadas a subir, à força, em dois ônibus, segundo jornalistas da AFP.
Em torno de 30 mulheres realizavam uma passeata no bairro de Párraga, no sudoeste de Havana, quando foram confrontadas por, ao menos, 300 partidários do regime cubano e obrigadas pela polícia feminina a subir nos ônibus.
À frente do grupo estava Reyna Luisa Tamayo, mãe de Orlando Zapata, o preso político que morreu em 23 de fevereiro depois de dois meses e meio de greve de fome, para exigir melhores condições na prisão.
Os partidários do regime cubano repudiaram as mulheres, que iniciaram sua jornada de preces em um templo católico da região e, ao que parece, tentavam visitar o dissidente Orlando Fundora, um dos 75 presos de 2003, libertado por motivos de saúde.
O governo cubano acusou as “Damas de Branco” de serem “ponta de lança” da “política subversiva” dos Estados Unidos contra a ilha e de serem financiadas por Washington.
Em 21 de abril de 2008, a polícia aplicou medida semelhante para dissolver uma manifestação que as “Damas de Branco” realizavam na Praça da Revolução.
com Associated Press e Efe
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http://www1.folha.uol.com.br/f.....1606.shtml
marzo 24th, 2010 a las 20:53
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Mais dois vídeos da mesma partida.
http://www.youtube.com/watch?v.....&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v.....&NR=1
marzo 24th, 2010 a las 20:50
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Obama sube el tono y pide fin de la represión en Cuba
Por AFP (24/3/2010)
Washington
El presidente de Estados Unidos, Barack Obama, endureció este miércoles su tono contra Cuba, en un comunicado en el que pidió fin a la ‘‘represión” política en la isla caribeña y reclamó la ‘‘liberación de todos los presos políticos”.
Los eventos recientes, incluyendo la muerte de un preso político en huelga de hambre “subrayan que en lugar de abrazar la oportunidad de ingresar en una nueva era, las autoridades cubanas siguen respondiendo a las aspiraciones del pueblo cubano con mano dura”, dijo Obama en un comunicado.
“Uno mi voz a los individuos valientes de todo Cuba y un creciente coro en el mundo que pide un fin de la represión, para la inmediata, incondicional liberación de todos los presos políticos y por el respeto de los derechos básicos del pueblo cubano”, agregó.
Obama asumió la presidencia en enero de 2009 comprometiéndose a buscar una mejora en las relaciones con el único régimen comunista de América.
El mes pasado Obama envió al más alto funcionario hasta ahora a La Habana para dialogar sobre asuntos migratorios.
Pero este miércoles el presidente describió los hechos recientes como la muerte del huelguista de hambre Orlando Zapata, la represión contra las Damas de Blanco y “la intensificación del acoso” contra otros activistas como hechos “profundamente inquietantes”.
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Read more: http://www.elnuevoherald.com/2.....z0j93MTlce