Botãozinho verde

Mãos que saem de trajes bem cortados apertam hoje na ONU o botãozinho vermelho, verde ou amarelo para pronunciarem-se sobre o bloqueio/embargo*. Nas últimas semanas, a televisão nos arremessou o repertório completo de cifras, testemunhos e análises sobre os estragos das restrições comerciais de que padece Cuba. O tema tem sido tão manipulado pelos políticos que, aqui em baixo, muitos temos optado por “pô-la em off” ou “apagar-lhe o tabaco”.
Ao prever o resultado das votações, gostaria de remeter-me ao outro assédio, o de cada dia. Esse que impede que eu possa entrar ou sair livremente de meu país, que me associe à um grupo político ou crie uma pequena empresa familiar. Um bloqueio interno, construído a base de limitações, controle e censura, que tem custado aos cubanos consideráveis perdas materiais e espirituais. Tento deixar-me levar pelo Granma – tenho que fazer um grande esforço – e trato de encontrar o protagonismo disto que hoje se debate nas Nações Unidas. Saio à rua e o que mais salta a vista são as contínuas restrições que nossos governantes nos impõem; esse muro contra o qual ninguem votará hoje na ONU.
Se nos deixassem apertar o botão! Se pudessemos votar para superar o cerco que nos bloqueia no interior da Ilha! Eu deixaria meu dedo sobre o botão verde durante vários dias.
* Resisto a chamar-lhe de alguma das formas alcunhadas – já sabem como nós linguistas somos rudes com essas coisas-. Nas minhas conversações cotidianas digo simplesmente “o pretexto”, a torpe “justificativa” que tão bem usam os que nos bloqueiam aqui dentro.















noviembre 1st, 2008 a las 08:57
Está no livro
A visita de Lula a Cuba foi a segunda neste ano. Por ocasião da primeira, em janeiro, escrevi o texto que segue, que está em O País dos Petralhas. O Apedeuta, se bem se lembram, apareceu em todos os jornais fotografando, de próprio punho, Fidel Castro. Certamente foi a primeira vez na história em que um chefe de estado dispensou tal tratamento a outro. Segue texto:
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DEPOIS DAQUELA FOTO OU “O DEVER DOS DEMOCRATAS” – 16/01/2008
Antes de Fábio Luís da Silva virar um empresário milionário — o que aconteceu de 2003 para cá, depois que o pai virou presidente —, ele era monitor de jardim zoológico. O visitante queria ver a zebra. Lá ia Lulinha mostrar onde estava a zebra. “Cadê o jumento?” E Lulinha mostrava o caminho do jumento. “E a anta? Tem anta, moço?” E Lulinha demonstrava a sua intimidade com a morada das antas. Se fosse preciso, descrevia a sua dieta, hábitos, ciclo reprodutivo, tudo. Ele cansou de ver, em seu ofício original, a cena protagonizada por seu pai nos jornais de hoje: de câmera em punho, os visitantes saíam fotografando coisas que julgavam exóticas:
aquele macaco que tem o traseiro colorido, o besouro vira-bosta, um bicho qualquer que se alimenta de carniça.
Foi o que fez Lula: fotografou o bicho exótico e moribundo Fidel Castro. Poderia ser o vira-bosta. Poderia ser um urubu. Poderia ser uma hiena. Mas é o vagabundo que se sustenta de carne humana. É o porco fedorento que sobreviveu no século 21. É o ditador desprezível que fuzila sem julgamento. É o norte (i)moral por trás do terrorismo das Farc. Ao fotografá-lo, diriam os otimistas, Lula evidencia que, mais do que exótico, o moribundo — rejeitado, por ora, até pelo inferno — é um animal em extinção. Assim, a sabujice do Apedeuta, o seu deslumbramento basbaque, corresponderia a uma antecipação da sentença de morte.
Infelizmente, não é bem assim. O ato de Lula evidencia como este pobre continente ainda está tomado pela estupidez ideológica. Vocês podem não acreditar, mas há um liame entre a genuflexão lulista ao carniceiro e o “Decreto Oi”, a Lei Fleury que Lula vai assinar para legalizar o negócio ilegal da venda da Brasil Telecom para a Oi. Eu explico.
A justificativa que se pretende “moral” para o ato imoral, já nos informaram seus biógrafos que dão plantão da imprensa, é criar a tal “plataforma nacional” para as teles, no melhor interesse do Brasil. Lula estaria, assim, vejam só, consoante com aquele a quem fotografa, defendendo o país dos interesses do grande capital estrangeiro, que viria aqui explorar os botocudos. Compreendem o nexo? O Babalorixá de Banânina seria um resistente, da safra desses gentis homens latino-americanos que fazem tudo pelo povo — precisando, eventualmente, da colaboração de Carlos Jereissati e de Sérgio Andrade, dois ilustres patriotas do capital nacional.
Mais do que isso: Fidel é o símbolo do parasitismo esquerdofrênico ainda presente no continente. Na Colômbia, ele encontrou na cocaína o seu sustento; no Brasil, faz tráfico com as leis de estado. Sim, Fidel é um cadáver político, é um cadáver moral e já é quase cadáver físico. Mas ainda procria. Na Colômbia, ele seqüestra e mata; no Brasil, rouba, esbulha a lei e invade propriedades privadas; na Venezuela, constrói o fascismo bolivariano.
A foto tirada por Lula significa uma escolha. E, por isso, é um dever moral dos democratas mobilizar todos os recursos que a lei oferecer para combatê-lo: de forma sistemática, organizada, contínua, inflexível.
Por Reinaldo Azevedo | 06:07 | comentários (0)
octubre 31st, 2008 a las 16:27
Um dia, querida amiga blogueira, nós a receberemos com carinho e amor em nosso país. Você jamais estará só.
Tudo que você publica é repassado rapidamente por muitos de nós.
Você é corajosa, lúcida, e eu sou sua fã .
Beijos e lute por sua linda Cuba, país que tive a oportunidade de conhecer.
Tirando o regime castrista, aí é tudo de bom!