Duas moedas e quatro mercados

Tem oito anos e uma enorme confusão. Hoje pela manhã sua mãe colocou na sua mão uma moeda de 25 centavos depois de dizer-lhe “aqui tens cinco pesos”. Olhou a superfície brilhante com o escudo da república entalhado numa face e no verso a alta torre da cidade de Trinidad. Contudo nasceu num país econômicamente esquizofrênico, ainda não está acostumada a alternar pesos cubanos pelos seus parentes conversíveis. Na escola a professora nunca lhe falou sobre o assunto; para explicá-lo seria necessária toda uma matéria por um semestre. Tampouco lhe esclareceram muito em casa, como se aos adultos parecesse normal que nos bolsos se misturassem dois exemplares monetários.
Em Cuba existem quatro formas de mercado e dois tipos diferentes de dinheiro para se usar. Cada manhã as donas de casa esboçam em suas cabeças - sem muita confusão - o plano com o qual eles serão usados e em que lugar. É uma operação aritmética que leva uns segundos, fortalecida por tres quinquenios de assumida dolarização e seu posterior “fantasma’, o peso conversivel. A conversão é feita constantemente e existem vendedores que aceitam tanto esses bilhetes simbólicos que nos entregam como salário como os outros com um valor 24 vezes maior. Por um abacaxi podemos pagar tanto 10 pesos em moeda nacional - o soldo de uma jornada de trabalho - como cinquenta centavos do popularmente chamado “chavito”. Alguns turistas não estão a par de semelhante complexidade e adquirem a rainha das frutas com uma dezena de pesos conversiveis. Nesse dia o comerciante fecha rápido a loja e volta para casa feliz com o equívoco.
A geração do meu filho não compreende como seria viver com uma só moeda. Creio que têm uma evolução especial no cérebro onde se termina por aceitar o absurdo, nessas conexões neuronais em que tramita o inadmissivel. Realizam as conversões cambiais com a facilidade de quem aprendeu duas línguas desde pequenos e as intercalam sem grande esforço. Só que a aprendizagem de vários idiomas sempre é algo enriquecedor, porém assumir como natural a dualidade financeira é aceitar que existem duas vidas possiveis. Uma delas é achatada e cinzenta, como os centavos nacionais e a outra - que está, em toda sua extensão, fora do alcance para uma boa parte da população - que parece cheia de cores e filigranas, no estilo do bilhete de vinte pesos conversiveis.
Nota do tradutor:
Resumidamente, Cuba tem duas moedas. Moeda Nacional (peso cubano) é o dinheiro com que os salários são pagos e alguns produtos são vendidos. O peso conversivel (CUC) é a moeda que os turistas devem possuir pela troca de dólares, euros, ou outra moeda. Muitos produtos são vendidos, mesmo para os cubanos, somente em CUCs. Um CUC vale 24 pesos cubanos. Após a Revolução, possuir dólares em Cuba era contra a lei até 1993, quando isto tornou-se permitido. O CUC tomou o lugar do dólar americano em 2004. O nome em gíria para o CUC, “chavito”, é uma brincadeira com o nome de Hugo Chavez que é tão detestado como essa moeda pelos cubanos.
Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto














Febrero 4th, 2010 at 20:39
Yoani
Li o seu livro “De cuba com carinho” e fiquei ao mesmo tempo maravilhado e enojado.
Maravilhado por saber que existem pessoas corajosas como você que por amarem o seu país, não temam expor as verdades, os fatos, o que realmente acontece.
Enojado e triste também por saber que infelizmente Cuba é mais uma ditadura da América Latina e um pouco irmã da Venezuela.
Onde os veradeiros líderes, melhor dizendo, ditadores, não amam o seu povo e nem o seu país.
Querem ficar no poder até a morte.
Faço votos para que o povo cubano lute e consiga transformar essa ilha em uma democracia e um lar digno para eles.
Febrero 4th, 2010 at 15:54
Transcrevo abaixo, o excelente texto de Demétrio Magnoli, no Estadão de hoje (04/02/10), sobre o alucinado de Caracas que se pretende grande estadista. A queda de Chávez é importante não só para a Venezuela, mas para todos os países da América Latina, especialmente Cuba. Em sua coluna de hoje, Cláudio Humberto informa que poderá haver um golpe para derrubá-lo. E segundo o artigo de Demétrio Magnoli, as eleições brasileiras são cruciais para a permanência, ou não, do virtual ditador.
DEMÉTRIO MAGNOLI
O terceiro Chávez
O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/02/10
Karl Marx criou a 1ª Internacional, Friedrich Engels participou da fundação da 2ª, Lenin estabeleceu a 3ª, Leon Trotski fundou a 4ª e Hugo Chávez acaba de erguer o estandarte da 5ª. “Eu assumo a responsabilidade perante o mundo; penso que é tempo de reunir a 5ª Internacional e ouso fazer o chamado”, declarou num discurso de cinco horas, na sessão inaugural do congresso extraordinário do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), sob aplausos de 772 delegados em camisetas vermelhas.
O congresso ocorreu em novembro. Depois, Chávez impôs o racionamento energético no país, desvalorizou a moeda e implantou um câmbio duplo, estatizou uma rede de supermercados, suspendeu emissoras de TV a cabo e desencadeou sangrenta repressão contra os protestos estudantis. A Internacional chavista nascerá numa conferência mundial em Caracas, em abril, e as eleições parlamentares venezuelanas estão marcadas para setembro. Mas o futuro do homem que pretende suceder a Marx, Lenin e Trotski será moldado por um evento totalmente estranho à sua influência: a eleição presidencial brasileira de outubro.
Chávez vive a sua terceira encarnação, que é também a última. O primeiro Chávez emergiu depois do golpe frustrado de 1992, nas roupagens do caudilho nacionalista e antiamericano hipnotizado pela imagem de um Simón Bolívar imaginário. Sob a influência do sociólogo argentino Norberto Ceresole, aquele chavismo original flertava com o antissemitismo e sonhava com a implantação de um Estado autoritário, de corte fascista, que reunificaria Venezuela, Colômbia e Equador numa Grã-Colômbia restaurada.
Um segundo Chávez delineou-se na primavera do primeiro mandato, em 1999, a partir da ruptura com Ceresole e da aproximação do caudilho com o alemão Heinz Dieterich, o professor de Sociologia no México que deixou a obscuridade ao formular o conceito do “socialismo do século 21″. O chavismo reinventado adquiriu colorações esquerdistas, firmou uma aliança com Cuba e engajou-se no projeto de edificação de um capitalismo de Estado que figuraria como longa transição rumo a um socialismo não maculado pela herança soviética.
Brandindo um exemplar de O Estado e a Revolução, de Lenin, o Chávez do congresso extraordinário do PSUV anunciou sua conversão ao programa de destruição do “Estado burguês” e construção de um “Estado revolucionário”. Este terceiro Chávez se insinuou em 2004, quando o caudilho conheceu o trotskista britânico Alan Woods, e se configurou plenamente no momento da derrota no referendo de dezembro de 2007, pouco depois da ruptura com Dieterich. O PSUV é fruto do chavismo de terceira água, assim como a proclamação da 5ª Internacional.
O termo palimpsesto origina-se das palavras gregas palin (de novo) e psao (raspar ou borrar). Palimpsesto é o manuscrito reescrito várias vezes, pela superposição de camadas sucessivas de texto, no qual as camadas antigas não desaparecem por completo e mantêm relações complexas com a escritura mais recente. Para horror do sofisticado Woods, o chavismo é uma doutrina de palimpsesto que mescla de maneiras bizarras a Pátria Grande bolivariana, a aliança estratégica com o Irã, os impulsos bárbaros do caudilhismo e o difícil aprendizado da linguagem do marxismo. O texto mais novo, contudo, tem precedência sobre os antigos e indica o rumo da “revolução bolivariana”. Chávez reage à crise provocada por seu próprio regime apertando os parafusos da ditadura e lançando-se desenfreadamente às expropriações.
O chavismo é um regime revolucionário, não um governo populista tradicional nem um mero fenômeno caudilhesco. O PSUV tem, no papel, 7 milhões de filiados, dos quais 2,5 milhões se apresentaram para eleger os delegados ao congresso extraordinário. O declínio de Chávez, agravado pela crise econômica em curso, sustenta a profecia de sua derrota eleitoral em setembro, mas regimes revolucionários não são apeados do poder pelo voto. “Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba!”, rugiu semanas atrás o caudilho de Caracas. Esse homem não permitirá que o povo o desminta nas urnas. O ocaso inexorável do chavismo será amargo, dramático, talvez cruento. Mas sua duração dependerá, essencialmente, do sentido da política externa do novo governo brasileiro.
Várias vezes o Brasil estendeu uma rede sob Chávez. Lula e Celso Amorim protegeram o venezuelano na hora do fechamento da RCTV, no referendo constitucional frustrado, na crise dos reféns colombianos, na polêmica sobre as bases americanas e na aventura fracassada do retorno de Zelaya a Honduras. Em nome dos interesses do chavismo, o presidente brasileiro desperdiçou a oferta de cooperação estratégica com Barack Obama.
No ciclo de estabilização da “revolução bolivariana”, o Brasil isolou regionalmente a oposição venezuelana, ajudando a consolidar o regime de Chávez. Agora, iniciou-se o ciclo de desmontagem das bases políticas e sociais do chavismo. No novo cenário, o Brasil tornou-se imprescindível: só a potência sul-americana possui os meios e a influência para carregar por mais alguns quilômetros o esquife do iracundo caudilho.
A maioria governista no Senado aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul, sob o cínico argumento de que a democracia no país vizinho ficará mais preservada pela virtual supressão da cláusula democrática do Mercosul. Na OEA, a diplomacia brasileira manobra para evitar uma nítida condenação da ofensiva chavista contra os estudantes e a liberdade de imprensa. Em Caracas, uma missão técnica enviada pelo governo brasileiro articula um plano de resgate do sistema elétrico venezuelano em colapso. A declaração de apoio de Chávez à reeleição de Lula foi recebida com desprezo pelos chavistas revolucionários. Hoje, até Woods deve estar rezando em segredo pelo triunfo de Dilma Rousseff.
Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP. E-mail:
demetrio.magnoli@terra.com.br
Febrero 4th, 2010 at 10:02
Os babacas comunistas socialistas estão delirando com um conceito irreal: “A queda do muro de Wall Street”, e o “fim do capitalismo” . O mundo capitalista continua evoluindo apesar dos percalços e do desejo dos citados acima, que ocorresse a sua derrocada.
O comunismo socialismo é que fracassou na Europa Oriental incluindo a Rússia e até a China, o gigante asiático, está aderindo ao livre mercado, sentindo um gostinho de quero mais nos “lucros capitalistas”.
O socialismo extremista ocorre pontualmente no Irã, na Coréia do Norte e com maior amplitude na América Latina: Venezuela, Bolívia, Nicaraguá, e com menor intensidade no Equador; Argentina, Uruguai, Paraguai e El Salvador estão na dúvida se aderem a ideologia despudorada e assassina!
O Brasil depende das eleições de 2010! Lula conseguirá eleger sua cúmplice Dilma? E Serra? Qual é a sua posição ideológica? Se vencer, governará com o povo ou contra o povo? E Ciro, também é socialista, mas qual é o seu projeto verdadeiro para o Brasil? E a Marina, também sociaista, o que pode fazer na condução dos destinos da Nação Brasileira.
Dá para perceber que o eleitor brasileiro está refém de candidaturas socialistas sem nenhuma chance ao centro. Ou melhor sem
O melhor mundo possível não é a utopia dos esquerdopatas com o Estado máximo e o cidadão mínimo e sem liberdade e democracia!
Febrero 4th, 2010 at 10:00
Os babacas comunistas socialistas estão delirando com um conceito irreal: “A queda do muro de Wall Street”, e o “fim do capitalismo” . O mundo capitalista continua evoluindo apesar dos percalços e do desejo dos citados acima, que ocorresse a sua derrocada.
O comunismo socialismo é que fracassou na Europa Oriental incluindo a Rússia e até a China, o gigante asiático, está aderindo ao livre mercado, sentindo um gostinho de quero mais nos “lucros capitalistas”.
O socialismo extremista ocorre pontualmente no Irã, na Coréia do Norte e com maior amplitude na América Latina: Venezuela, Bolívia, Nicaraguá, e com menor intensidade no Equador; Argentina, Uruguai, Paraguai e El Salvador estão na dúvida se aderem a ideologia despudorada e assassina!
O Brasil depende das eleições de 2010! Lula conseguirá eleger sua cúmplice Dilma? E Serra? Qual é a sua posição ideológica? Se vencer, governará com o povo ou contra o povo? E Ciro, também é socialista, mas qual é o seu projeto verdadeiro para o Brasil? E a Marina, também sociaista, o que pode fazer na condução dos destinos da ação Brasileira.
Dá para perceber que o eleitor brasileiro está refém de candidaturas socialistas sem nenhuma chance ao centro. Ou melhor sem
O melhor mundo possível não é a utopia dos esquerdopatas com o Estado máximo e o cidadão mínimo e sem liberdade e democracia!
Febrero 4th, 2010 at 09:03
obrigado Fernando eu mesmo, por favor sempre aponte meus erros qdo ocorrerem, agradeço.
Febrero 3rd, 2010 at 23:04
Sr. tradutor: atenção às crases.
No mais, nota 10 pela persistência e abnegação.
Febrero 3rd, 2010 at 21:26
Artigos
Militares e a Memória Nacional
Olavo de Carvalho Filósofo e Cientista Político
Como todos os meninos da escola na minha época, eu não podia cantar o Hino Nacional ou prestar um juramento à bandeira sem sentir que estava participando de uma pantomima. A gente ria às escondidas, fazia piadas, compunha paródias escabrosas.
Os símbolos do patriotismo, para nós, eram o supra-sumo da babaquice, só igualado, de longe, pelos ritos da Igreja Católica, também abundantemente ridicularizados e parodiados entre a molecada, não raro com a cumplicidade dos pais. Os professores nos repreendiam em público, mas, em segredo, participavam da gozação geral.
Cresci, entrei no jornalismo e no Partido Comunista, freqüentei rodas de intelectuais.
Fui parar longe da atmosfera da minha infância, mas, nesse ponto, o ambiente não mudou em nada: o desprezo, a chacota dos símbolos nacionais eram idênticos entre a gente letrada e a turminha do bairro.
Na verdade, eram até piores, porque vinham reforçados pelo prestígio de atitudes cultas e esclarecidas. Graciliano Ramos, o grande Graciliano Ramos, glória do Partidão, não escrevera que o Hino era “uma estupidez”?
Mais tarde, quando conheci os EUA, levei um choque. Tudo aquilo que para nós era uma palhaçada hipócrita os americanos levavam infinitamente a sério.
Eles eram sinceramente patriotas, tinham um autêntico sentimento de pertinência, de uma raiz histórica que se prolongava nos frutos do presente, e viam os símbolos nacionais não como um convencionalismo oficial, mas como uma expressão materializada desse sentimento.
E não imaginem que isso tivesse algo a ver com riqueza e bem-estar social. Mesmo pobres e discriminados se sentiam profundamente americanos, orgulhosamente americanos, e, em vez de ter raiva da pátria porque ela os tratava mal, consideravam que os seus problemas eram causados apenas por maus políticos que traíam os ideais americanos.
Correspondi-me durante anos com uma moça negra de Birmingham, Alabama. Ali não era bem o lugar para uma moça negra se sentir muito à vontade, não é mesmo?
Mas se vocês vissem com que afeição, com que entusiasmo ela falava do seu país! E não só do seu país: também da sua igreja, da sua Bíblia, do seu Jesus. Em nenhum momento a lembrança do racismo parecia macular em nada a imagem que ela tinha da sua pátria.
A América não tinha culpa de nada. A América era grande, bela, generosa. A maldade de uns quantos não podia afetar isso em nada. Ouvi-la falar de matava de vergonha.
Se alguém no Brasil dissesse essas coisas, seria exposto imediatamente ao ridículo, expelido do ambiente como um idiota-mor ou condenado como reacionário um integralista, um fascista.
Só dois grupos, neste país, falavam do Brasil no tom afetuoso e confiante com que os americanos falavam da América.
O primeiro era os imigrantes: russos, húngaros, poloneses, judeus, alemães, romenos. Tinham escapado ao terror e à miséria de uma das grandes tiranias do século (alguns, das duas), e proclamavam, sem sombra de fingimento: “Este é um país abençoado!” Ouvindo-nos falar mal da nossa terra, protestavam: “Vocês são doidos.
Não sabem o que têm nas mãos”.Eles tinham visto coisas que nós não imaginávamos, mediam a vida humana numa outra escala, para nós aparentemente inacessível. Falávamos de miséria, eles respondiam: “Vocês não sabem o que é miséria”.Falávamos de ditadura, eles riam: “Vocês não sabem o que é ditadura”.
No começo isso me ofendia. “Eles acham que sabem tudo”, dizia com meus botões. Foi preciso que eu estudasse muito, vivesse muito, viajasse muito, para entender que tinha razão, mais razão do que então eu poderia imaginar.
A partir do momento em que entendi isso, tornei-me tão esquisito, para meus conterrâneos como um estoniano ou húngaro, com sua fala embrulhada e seu inexplicável entusiasmo pelo Brasil, eram então esquisitos para mim.
Digo, por exemplo, que um país onde um mendigo pode comer diariamente um franco assado por dois dólares é um país abençoado, e as pessoas querem me bater.
Não imaginam o que possa ter sido sonhar com um frango na Rússia, na Alemanha, na Polônia, e alimentar-se de frangos oníricos.
Elas acreditam que em Cuba os frangos dão em árvores e são propriedade pública. Aqueles velhos imigrantes tinham razão: o brasileiro está fora do mundo, tem uma medida errada da realidade.
O outro grupo onde encontrei um patriotismo autêntico foi aquele que, sem conhecê-lo, sem saber nada sobre ele, exceto o que ouvia de seus inimigos, mais temi e abominei durante duas décadas: os militares.
Caí no meio deles por mero acaso, por ocasião de um serviço editorial que prestava para a Odebrecht que me pôs temporariamente de editor de texto de um volumoso tratado “O Exército na História do Brasil”.
A primeira coisa que me impressionou entre os militares foi sua preocupação sincera, quase obsessiva, com os destinos do Brasil.
Eles discutiam os problemas brasileiros como quem tivesse em mãos a responsabilidade pessoal de resolvê-los. Quem os ouvisse sem saber que eram militares teriam a impressão de estar diante de candidatos em plena campanha eleitoral, lutando por seus programas de governo e esperando subir nas pesquisas junto com a aprovação pública de suas propostas.
Quando me ocorreu que nenhum daqueles homens tinha outra expectativa ou possibilidade de ascensão social senão as promoções que automaticamente lhes viriam no quadro de carreira, no cume das quais nada mais os esperava senão a metade de um salário de jornalista médio, percebi que seu interesse pelas questões nacionais era totalmente independente da busca de qualquer vantagem pessoal.
Eles simplesmente eram patriotas, tinham o amor ao território, ao passado histórico, à identidade cultural, ao patrimônio do país, e consideravam que era do seu dever lutar por essas coisas, mesmo seguros de que nada ganhariam com isso senão antipatias e gozações.
Do mesmo modo, viam os símbolos nacionais - o hino, a bandeira, as armas da República - como condensações materiais dos valores que defendiam e do sentido de vida que tinham escolhido. Eles eram, enfim, “americanos” na sua maneira de amar a pátria sem inibições.
Procurando explicar as razões desse fenômeno, o próprio texto no qual vinha trabalhando me forneceu uma pista.
O Brasil nascera como entendida histórica na Batalha dos Guararapes, expandira-se e consolidara sua unidade territorial ao sabor de campanhas militares e alcançara pela primeira vez, um sentimento de unidade autoconsciente por ocasião da Guerra do Paraguai, uma onda de entusiasmo patriótico hoje dificilmente imaginável.
Ora, que é o amor à pátria, quando autêntico e não convencional, senão a recordação de uma epopéia vivida em comum?
Na sociedade civil, a memória dos feitos históricos perdera-se, dissolvida sob o impacto de revoluções e golpes de Estado, das modernizações desaculturantes, das modas avassaladoras, da imigração, das revoluções psicológicas introduzidas pela mídia.
Só os militares, por força da continuidade imutável das suas instituições e do seu modo de existência, haviam conservado a memória viva da construção nacional.
O que para os outros eram datas e nomes em livros didáticos de uma chatice sem par, para eles era a sua própria história, a herança de lutas, sofrimentos e vitórias compartilhadas, o terreno de onde brotava o sentido de suas vidas.
O sentimento de “Brasil”, que para os outros era uma excitação epidérmica somente renovada por ocasião do carnaval ou de jogos de futebol (e já houve até quem pretendesse construir sobre essa base lúdica um grotesco simulacro de identidade nacional), era para eles o alimento diário, a consciência permanentemente renovada dos elos entre passado, presente e futuro.
Só os militares eram patriotas porque só os militares tinham consciência da história da pátria como sua história pessoal.
Daí também outra diferença. A sociedade civil, desconjuntada e atomizada, é anormalmente vulnerável a mutações psicológicas que induzidas do Exterior ou forçadas por grupos de ambiciosos intelectuais ativistas apagam do dia para a noite a memória dos acontecimentos históricos e falseiam por completo a sua imagem do passado.
De uma geração para outra, os registros desaparecem, o rosto dos personagens é alterado, o sentido todo do conjunto se perde para ser substituído, do dia para a noite, pela fantasia inventada que se adapte melhor aos novos padrões de verossimilhança, impostos pela repetição de slogans e frases-feitas.
Toda a diferença entre o que se lê hoje na mídia sobre o regime militar e os fatos revelados no site de Ternuma vem disso. Até o começo da década de 80, nenhum brasileiro, por mais esquerdista que fosse, ignorava que havia uma revolução comunista em curso, que essa revolução sempre tivera respaldo estratégico e financeiro de Cuba e da URSS, que ele havia atravessado maus bocados em 1964 e tentara se rearticular mediante as guerrilhas, sendo novamente derrotada.
Mesmo o mais hipócrita dos comunistas, discursando em favor da “democracia”, sabia perfeitamente a nuance discretamente subentendida nessa palavra, isto é, sabia que não lutava por democracia nenhuma, mas pelo comunismo cubano e soviético, segundo as diretrizes da Conferência Tricontinental de Havana.
Passada uma geração tudo isso se apagou. A juventude, hoje, acredita piamente que não havia revolução comunista nenhuma, que o governo João Goulart era apenas um governo normal eleito constitucionalmente, que os terroristas da década de 70 eram patriotas brasileiros lutando pela liberdade e pela democracia.
No Brasil, a multidão não tem memória própria. Sua vida é muito descontínua, cortada por súbitas mutações modernizadoras, não compensadas por nenhum daqueles fatores de continuidade que preservava a identidade histórica do meio militar.
Não há cultura doméstica, tradições nacionais, símbolos de continuidade familiar. A memória coletiva está inteiramente a mercê de duas forças estranhas: a mídia e o sistema nacional de ensino.
Quem dominar esses dois canais mudará o passado, falseará o presente e colocará o povo no rumo de um futuro fictício.
Por isso o site de Ternuma é algo mais que a reconstituição de detalhes omitidos pela mídia.
É uma contribuição preciosa à reconquista da verdadeira perspectiva histórica de conjunto, roubada da memória brasileira por manipuladores maquiavélicos, oportunistas levianos e tagarelas sem consciência.
Perguntam-me se essa contribuição vem dos militares? Bem, de quem mais poderia vir?
Autor
Olavo de Carvalho
Febrero 3rd, 2010 at 19:45
VENEZUELA
Mais 11 anos no poder
Presidente Chávez promete dobrar o tempo à frente do governo e estender a Revolução Bolivariana por nove séculos. Imprensa e entidade de direitos humanos esboçam preocupação com repressão
Viviane Vaz
Enquanto o presidente venezuelano, Hugo Chávez, comemorava ontem o 11º aniversário de sua posse como chefe de Estado, o Bloco de Imprensa e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos aumentavam o coro de críticas contra o governante. Chávez fez as contas em uma cerimônia realizada em um teatro de Caracas e prometeu dobrar o tempo no poder, “se o povo quiser”. “Tenho 55 anos e 11 anos como presidente. Nos próximos 11 anos, prometo cuidar de mim um pouco mais e, se vocês quiserem, dentro de 11 anos terei 66 anos, se Deus quiser, 22 como presidente”, declarou.
O governante indicou que a Revolução Bolivariana se estenderá por 900 anos, para que seu país “se vingue” pelas últimas nove décadas do século 20 nas quais “os oligarcas” governaram apoiados pelo “império ianque”. Chávez também destacou que a oposição será derrotada por “maioria esmagadora” nas eleições parlamentares de 26 de setembro, e convocou o povo “à ofensiva em todos os lugares”.
Na direção oposta, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou preocupação pela violência praticada nos protestos na Venezuela, pedindo que o governo controle as manifestações “dentro do marco de respeito dos padrões interamericanos de direitos humanos”. Na noite de segunda-feira, um grupo formado por 34 jornais e revistas do país — o Bloco de Imprensa Venezuelano — acusou o presidente de tentar “silenciar” a liberdade de expressão no país, depois que o governante mandou suspender o sinal da RCTV, em 24 de janeiro. O bloco ressaltou ainda a “fraude à Constituição (bolivariana de 1999) e a criação de leis e regulamentos ordenados por Chávez aos poderes do Estado, envergonhando os seus subordinados”, o que teria provocado os graves enfrentamentos entre estudantes e policiais nas últimas semanas.
Na segunda-feira, ex-assessores do presidente também fizeram um manifesto citando os argumentos que Chávez usou para ascender ao poder em 1999, como os princípios de Simón Bolívar e a luta contra a insegurança, a pobreza e a corrupção. “Tudo o que o senhor argumentou para chegar ao poder hoje em dia o torna ilegítimo. O povo sofre com a insegurança pessoal, com menos liberdade, com menos segurança jurídica e social. E se aprofunda a pobreza de nossa gente”, leu o ex-ministro das Relações Exteriores Luis Alfonso Dávila.
No mesmo dia, Chávez anunciou o plano de racionamento de energia elétrica na capital Caracas, obrigando grandes consumidores venezuelanos, como hotéis, indústrias e escritórios a reduzirem o consumo em 20%. Para resolver a crise elétrica, o governo aceitou a assistência de um funcionário sugerido pelo líder cubano, Fidel Castro: o ministro de Tecnologia de Cuba e presidente do Conselho de Ministros, Ramiro Valdez, chegou ontem a Caracas para dirigir uma comissão técnica sobre o tema.
Partidários
Apesar de o presidente ter negado ontem que a Venezuela esteja “à beira de uma rebelião”, o diretor de Mobilização e Eventos do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), Darío Vivas, anunciou um evento previsto para hoje na Assembleia Nacional (AN), cujo objetivo será aumentar o número de partidários de Chávez. Aproveitando o aniversário de nascimento do libertador Antonio José de Sucre, haverá “um ato público para agregar delegados, quadros, porta-vozes do poder popular, representantes de organizações sociais, a fim de reimpulsionar o parlamentarismo social de rua para o debate coletivo”. “Vamos em cada um dos corredores da AN, estamos trabalhando para isso, porque sabemos que há um povo que apoia de maneira determinante a sua revolução”, disse Vivas.
Amanhã, manifestantes favoráveis ao presidente também marcharão pelas ruas de Caracas para celebrar o aniversário de 18 anos do “Dia da Dignidade”. Vivas denomina a data como uma vitória popular, da “união cívico-militar”, que deu início à Revolução Bolivariana. A oposição, porém, registra o dia como o golpe de Estado com o qual Chávez e outros três militares tentaram derrubar o então presidente Carlos Andrés Perez, em 4 de fevereiro de 1992. Por tentarem tomar o poder, eles ficaram presos por dois anos e foram libertados pelo presidente Rafael Caldera.
Novos ministros
Após a escolha de um novo vice-presidente e de ministros na última semana, o presidente Hugo Chávez anunciou a nomeação de novos titulares para as pastas de Turismo e Cultura. “Temos aqui dois novos ministros escolhidos ontem (segunda-feira). Para o Ministério da Cultura irá Farruco Sesto. E para o de Turismo, Alejandro Fleming”, disse Chávez, durante cerimônia pública transmitida pela TV. Sesto, que já ocupou o cargo entre 2004 e 2008, substituirá Héctor Soto; enquanto Fleming, que até então era vice-ministro de Relações Exteriores para a Europa, substituirá Pedro Mojerón.
entrevista GERMÁN CARRERA DAMAS
“É um Estado policial”
Para analisar a situação na Venezuela, o Correio conversou, por telefone, com o renomado historiador venezuelano, Germán Carrera Damas. Autor de uma extensa bibliografia, publicou, entre os títulos, O culto a Bolívar e História da historiografía Venezuelana. Aos 79 anos, Germán se aposentou da Escola de História da Universidade Central da Venezuela (UCV), mas não deixou de acompanhar atentamente a história de seu país. Na entrevista a seguir, o historiador afirma que Chávez quer acabar com a República, critica declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à Venezuela e deposita esperança nos jovens venezuelanos.
Como podemos avaliar essas manifestações estudantis que estão ocorrendo na Venezuela?
É uma situação sumamente promissora. O povo venezuelano, em uma altíssima porcentagem, manteve por 10 anos uma oposição à tentativa de realização na Venezuela de um regime à cubana. E chegou a um ponto em que os jovens, que eram crianças quando começou o mau governo de Chavez, tomaram a iniciativa apresentando-se como os verdadeiros campeões na luta pela democracia e a liberdade. O mais importante para os venezuelanos são duas palavras: democracia e liberdade. Estão levando uma luta na qual demonstraram criatividade, serenidade, determinação, e o estão fazendo com uma qualidade de dedicação patriótica. A verdade é que o governo está vivendo uma crise absoluta. Já se pode definir como um governo plenamente policial. Antes era militarista — com mais de cinco mil militares em funções da administração pública. Agora é um estado policial, opressivo, que chega ao extremo de ameaçar os jovens com armas. O governo está tratando de intimidar, de fazer com que os jovens desistam de sua luta. Mas, em vez de desistir, eles estão reagindo com mais lucidez e mais determinação.
E por que Chávez responde com esse tipo de medidas?
Essas medidas servem para dar a impressão a seus seguidores de que ele ainda está governando, quando na verdade o país está fora de capacidade de governo, se não for pela repressão policial. Eu me atrevo a dizer que estamos vivendo os últimos momentos do mais obscuro, do mais duro dos regimes políticos que na Venezuela apareceu — ainda que o presidente Lula tenha declarado que Chávez é um bom governante para a Venezuela, coisa que a nós, venezuelanos, feriu profundamente, porque não se correspondia com uma gestão de democracia no país.
Qual seria a inspiração de Chávez?
Os maiores mestres de Chávez agora são (o líder líbio Muamar) Kadafi e este senhor de nome impronunciável (o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad). Sabe em que consiste essa política? Em suprimir a soberania popular, seja adulterando as eleições, seja manietando o povo, seja estabelecendo uma pura e clara ditadura. E, com isso, tenta destruir a República. Em 23 de janeiro, Chávez declarou: “Eu não sou eu, eu sou o povo e ao povo se respeita”. Ou seja, o delírio absoluto de um governante.
Chávez declarou inúmeras vezes sua admiração pelo líder independentista da América espanhola, Simón Bolívar, e que o “libertador” seria sua fonte de inspiração. A última declaração de Bolívar é: “Vocês presenciaram meus esforços para levar a liberdade onde reinava antes a tirania”. Não existiria uma contradição entre o que diz Bolívar e os atos praticados por Chávez?
Eu sou historiador de profissão. Creio na História e respeito a História. Nenhum paralelismo é possível. E, em definitivo, as palavras finais de Bolívar não foram porque via em perigo a liberdade, mas a independência. Era outro cenário. O que temos ameaçado hoje na Venezuela não é a independência, é a liberdade. Recordo-lhe que quando se constituiu a República de Colômbia, da qual nós fazíamos parte, o lema básico era “Colômbia independente por suas armas, livre por suas leis”. E nós queremos uma Venezuela independente e livre. Chávez joga com essa noção de que “nós somos um país livre, portanto ninguém diga o que fazemos” e depois oprime ao povo à vontade. Essa confusão enfermiça é a tirania utilizada por Fidel Castro, por esse senhor que maltrata a Nicarágua (o presidente Daniel Ortega), Chávez… É uma grande armadilha. Isso não é ideologia, é demagogia barata.
O que o senhor imagina que vai acontecer agora na Venezuela?
Não posso dizê-lo, porque meu ofício é escrever, não prever (risos). Mas o que entrevejo, que começa a definir-se, é que vamos ter uma situação muito difícil, porque o dano que se fez à sociedade chegou aos tecidos mais íntimos, que têm a ver com o valor ético e moral. Remendar, reconstruir, fortalecer o tecido cívico, vai requerer um grande esforço político, em condições bem difíceis, porque há grupos armados; a guerrilha colombiana está metida na Venezuela; há aproximadamente 30 mil técnicos cubanos no país e também entre os militares… E espero que Chávez não pense em instaurar uma ditadura, porque o povo venezuelano não vai aceitar isso. E, para nós, é muito importante que os vizinhos brasileiros comecem a compreender que Chávez não é o defensor dos pobres, inimigo das oligarquias e das elites, mas que a construção de uma sociedade democrática na Venezuela passa pelo contrário do que ele está fazendo, o caminho da desestabilização. Até quando tentarão nos vender o engano de que para garantir nosso bem-estar temos que dar nossa liberdade? (VV)
Febrero 3rd, 2010 at 19:33
Bispos católicos condenam o PNDH 3
Sessenta e sete bispos católicos assinaram documento condenando o 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH3), lançado no fim do ano pelo presidente Lula. A proposta de retirada de crucifixos de locais públicos e a liberação do aborto são os principais pontos de divergência. “Não podemos aceitar que o legítimo direito humano de liberdade religiosa em todos os níveis possa ser cerceado pela imposição ideológica que pretende reduzir a manifestação religiosa a um âmbito privado”, argumenta a nota. Sobre o aborto, eles consideram que o plano pretende fazer passar como direito universal a vontade de uma minoria.
Febrero 3rd, 2010 at 19:13
Comunicado do ” Sindicato Nacional dos Jornalistas : Venezuela declarada zona de desastre para o exercício da liberdade de expressão e o jornalismo. VENEZUELA LIVRE. “
Febrero 3rd, 2010 at 13:05
olá, estou ajudando a divulgar as mensagens entre os cubanos, fiz um perfil no site http://www.tagged.com , onde ha muitos cubanos a todo hora que entro, e colo os texto e saio colando no perfil de muitos usuarios, e tenho recebido respostas boas e ruins, peço a ajuda de todos, pois de uma certa forma todos receberão as noticias quer queira ou não, vamos plantar sementes, pois o fim de Fidel, já esta próximo, e logo o povo vai perdendo o medo…….. façam unm perfil no tal site e cole, vamos burlar a censura em cuba.
Hola, estoy ayudando a difundir los mensajes entre los cubanos, hizo un perfil en el sitio http://www.tagged.com, donde hay muchos cubanos en algún momento entrar y pegar el texto y salir del modo de pegar muchos usuarios, y he recibido respuestas buenas y malas, pido la ayuda de todos, porque en una manera cada uno tendrá la noticia nos guste o no, vamos a plantar semillas, porque el final de Fidel, ya está cerca, y pronto la gente perderá el miedo …. …. hacer unm perfil en este sitio y pegar, que eludir la censura en Cuba
Febrero 3rd, 2010 at 11:27
Tem mensagens poderosas que ultrapassam a sua própria dimensão: O Blog da Yoani, as ostras do Dirceu e
as batatas do Jambalaia! São mensagens com potencial para derrubar ditaduras!!! Um espetáculo!!!
Febrero 3rd, 2010 at 11:10
a cada texto uma lição de vida, e uma fonte de luz pra nós, já tá na hora do COMA-ANDANTE FÚDEL ir pro inferno.
Febrero 3rd, 2010 at 10:56
Realmente Orwell estava anos luz a frente do populacho quando escreveu 1984 e criou a novilingua e o duplipensar.
Cuba,que se tornou ditadura totalitária tempos depois adotou esta maneira de agir e pensar por obra de seus tiranossauros castros.
Agora, para se livrar da rolha socialista vai demorar e doer…
mas um dia a casa cai, sim!
Viava Yoani, incansável defensora da liberdade do cubano comum.
Febrero 3rd, 2010 at 09:38
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Certo. mas por que existem duas moedas ?
Este tipo de malabarismo econômico, aqui no Brasil nos remete à época da hiperinflação.
Faziam-se muitas contas e no final valia mesmo a intuição, antes de fazer um negócio, antes de fazer uma compra ou um pagamento.
No meu entender, isso demonstra que Cuba vai muito mal economicamente.
O governo não tem competência para gerir a economia e descarrega o fardo de sua incompetência sobre a sociedade, tal como o governo brasileiro civil e da ditadura militar faziam de forma ostensiva durante a época da hiperinflação.
A pouca riqueza acumulada pela sociedade cubana é sugada pelo estado.
Não sei por que chamam Fidel Castro de comandante invencível, em um país onde nos mercados faltam as batatas.