O peludo rabo do gato

Ainda que se tenha anunciado a perseguição contra os que desviem recursos, especulem com os precos ou furtem alimentos, o mercado oficial tambem entrou em colapso por estes dias. Em uma breve passagem pelas cafeterias estatais do meu bairro, pude comprovar a redução das ofertas. Um restaurante em pesos conversíveis e especializado em pescado já não vende pizzas de camarões nem arroz a marinheira. Porque? Porque nesta Ilha nada pode escapar da presença do negócio informal, aos braços que na sombra da ilegalidade sustentam até o que parecia cem por cento estatal.
Para manter as vendas nas cafeterias e restaurantes, evidentemente se necessitavam dos fornecimentos do mercado negro. Uma boa parte do que se vendia debaixo da máscara de ser distribuído de forma oficial, na realidade havia sido comprada pelos próprios empregados de vendedores informais. Com os recursos que as empresas distribuidoras de alimentos colocam na praça não se poderia manter uma oferta constante. Os garçons e admnistradores destes lugares trabalham alí fundamentalmente pelos ganhos extra-salariais que propiciam a venda destes produtos ilegais. Ao não poderem obter estes dividendos, perderam o interesse de ter o cardápio completo e os clientes notam.
Pela obsessão de caçar o rato, o gato viu preso seu rabo na armadilha. Essa peluda prolongação de ilegalidade e corrupção que ao ser cortarda o sangra em pouco tempo.















octubre 19th, 2008 a las 20:59
Quem se acostuma com a ilegalidade e a corrupção não consegue mais viver sem elas. Tudo se torna difícil, assim como acontece com os viciados em drogas: cria dependência.
Uma dependência nefasta para quem paga à conta.
Abs