Geração Y é um Blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contem um ípsilon. Nascidos na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saidas ilegais e frustração. Assim é que convido especialmente Yanisleidi, Yusimí, Yuniesky e outros que carregam seus ípsilons para que me leiam e me escrevam.

Basílica menor

Conta-me uma amiga que quando se sente muito incerta pelo dia a dia vai à Havana Velha. Pega sua bolsa e ruma em direção a essas ruas restauradas que lhe recordam Barcelona, onde tem dois filhos que emigraram há uma década. “Fico olhando os campanários e os palacetes para pensar que já não estou aqui”, esclarece um pouco melancólica. Porém imediatamente assinala com uma risada “Tu percebestes que até os vendedores de rua do local dizem “popcorn” ao invés de pipoca e apregoam “news” no lugar de jornais?”. Muitos “habaneros” (moradores de Havana) como ela encontram nesses lugares recém reconstruídos um espaço para passear, levar seus filhos e sentar sob a sombra de uma bounganville. O que ha décadas era um bairro em ruínas, hoje já tem verdadeiras ilhas de comodidade e beleza, mesmo que ao redor milhares de vizinhos, contudo, carreguem água em baldes ou vivam entre as tábuas que suportam seu teto.

Anteontem fui a essa outra cidade elegante e turística com igrejas por todos os lados e chão de pedras. Fiquei um par de horas num dos seus lugares mais famoso: a basílica menor do convento de São Francisco. Sala abobadada onde os instrumentos musicais soam como se estivessem dentro das nossas próprias cabeças. O lugar repleto, as seis em ponto começou a tocar Bach – concerto em Mi Maior para violino e orquestra. Depois os hábeis músicos da Orquestra de Câmara de Havana interpretaram Mozart e para terminar a Sinfonia simples de Benjamin Britten. O melhor da tarde foi a presença do violinista Evelio Tieles que chegou carregado de energia dessa Tarragona onde vive e cria.

Quando retornei daquela viagem a outra dimensão, meu edifício estilo iugoslavo pareceu-me mais feio e cinzento. A gritaria das pessoas nas varandas soava desafinada e ao invés de torreões do século dezoito saltava aos olhos a enorme caixa d`água fundida em concreto. Subi pelo elevador tratando de preservar as últimas notas do contrabaixo e do celo e a batuta brilhante do diretor da orquestra. Lembrei-me da minha amiga escapista exatamente quando se abriu a porta do 13o andar – “ovos, ovoos” – gritava uma vendedora ilegal e tive a convicção de ter regressado, de estar de volta a minha outra Havana, tão dura, tão real e tão sufocante.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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1 comentario a Basílica menor

  1. Manoel Francisco Gomes
    septiembre 23rd, 2011 a las 11:40

    Aqueles terroristas brasileiros hoje denominados “ativistas políticos” que já receberam com seus familiares mais de 4 bilhões de reais em indenizações, além das pensões vitalícias, gostariam que a realidade brasileira de hoje fosse igual à de Cuba, retratada nos textos de Yoani Sánchez. Conseguiram finalmente aprovar a tal Comissão da Verdade que investigará o período que vai de 1946 a 1988. Já que era para retroceder, por que não a ditadura Vargas ? Em 1946, a ditadura Vargas já havia sido derrubada e começava um governo democrático com o Marechal Dutra como presidente. Poderiam também ter retrocedio ao período do governo Floriano Peixoto, quando muita gente foi fuzilada e houve o genocídio de Canudos. Dá para ver a falta de seriedade dessa gente. Antes, falava-se que seria restrita ao periodo da ditadura militar. Na tal comissão não há ninguém de direita, e nenhuma das vítimas dos terroristas ou seus familiares.E o que querem mesmo é dinheiro, evidentemente. Os cupins não largam a madeira quando se apoderam dela. Não estão interessados na verdade e a comissão foi montada de forma a encobrir os fatos que denigre os ex-terroristas, inclusive a atual presidente do país. (mfgomes:23/09/2011)
    __________________

    23/09/2011 11:37

    TREM AZUL
    começão da verdade

    O governo Dilma já tem o perfil dos sete integrantes da tal Comissão da Verdade. Os critérios estão definidos, segundo o jornalista Ilimar Franco, d’O Globo: alguém de esquerda, um tucano, um historiador renomado, um grande jurista, um religioso e um ou dois notáveis intelectuais. Mais a petista Ideli Savati, que acompanhará (!) a votação no senado.

    Alguém de esquerda é? E da direita, não? E nenhum militar? Então eles são réus? E os soldados e oficiais, brasileiros e estrangeiros mortos pelos terroristas? Ficam fora da avaliação dessa começão? A busca é pela verdade só nos crimes contra a esquerda? Aqueles cometidos pelos terroristas contra a “direita”, os bancários, seguranças, transeuntes e moradores da região da “guerrilha do Araguaia”, não são crimes, não é? São “justiçamentos revolucionários”, assim como assaltos a bancos e empresas foram “expropriação revolucionária”.

    Aí esta a “verdade” que busca a comissão que afirma ser verdade ter lutado contra a ditadura militar e não a favor da comunista “ditadura do proletariado”.

    Não perdem por esperar, porque entre as verdades boiarão na lagoa, por obra das vítimas que ficam de fora dessa começão petista de verdades, aquelas relacionadas aos assassinatos de civis, autoridades, agentes e militares. E também às polpudas pensões e indenizações dadas a terroristas. Uns quatro bilhões, até agora.