O largo estreito

Sofri um abalo ao saber que Diana Nyad tentaria cruzar a nado o Estreito da Flórida. Rememorei os dias de 1994 em que o meu bairro de San Leopoldo era um formigueiro de gente construindo balsas improvisadas para se lançarem ao mar. Lembro-me especialmente de um grupo que partiu durante aquele período em que as autoridades cubanas abriram mão de impedir as saídas ilegais. Uma embarcação feita com pedaços de madeira, galões plásticos que serviam como flutuadores, a imagem da Virgen de La Caridad e uma bandeira remendada que já não se sabia a qual nação pertencia. Porém o mais impactante era que naquela frágil balsa só iam velhos. Havia uma senhora muito negra com um chapéu colorido, um vestido florido e um sorriso que agradeceu em espanhol e em inglês aos garotões que os ajudaram a zarpar. Nunca soube se aquela débil expedição chegou ao seu destino, se todos aqueles anciãos dispostos a começar de novo haviam tido essa oportunidade.
Dezessete anos depois escuto a notícia de que uma norte-americana quer tentar o mesmo caminho, porém desta vez protegida por mergulhadores, um par de kayks e até uma equipe médica. Sua intenção louvável era ressaltar a proximidade entre esta Ilha do Caribe e o vizinho do Norte, ajudar a conciliar ambas as margens. Porém o estreito da Flórida também é parte de nosso cemitério nacional, do revolto campo santo onde milhares de compatriotas descansam. A omissão, por parte da desportista, de característica tão importante não me agradou em nada. Tampouco o fato de que com sua façanha náutica destacará o vigésimo aniversário de um clube exclusivista como a Marina Hemingway, onde ainda hoje um cubano não pode atracar uma embarcação nem entrar – com a sua própria – em tão formoso embarcadouro. Haveria preferido que nas correntes do Golfo nadasse alguém que declarasse conhecer a dor alojada nessas águas e dedicasse seu gesto ao “balseiro desconhecido” que morreu na boca de tantos possíveis tubarões.
Quando hoje, terça-feira, soube que depois de 29 horas de esforço a nadadora não havia podido cumprir o seu objetivo, senti minhas superstições confirmadas. Existem certos espaços, pensei, que precisam mais do que braçadas ou recordes desportivos para parecerem menos tristes. A televisão oficial disse francamente que “haviam surgido obstáculos insuperáveis, entre eles ventos de mais de 20 kilômetros por hora”. Posso imaginar Diana lutando contra as ondas, o sol ganhando força sobre sua cabeça e um mar intensamente salgado entrando pela sua boca. Vou mais além e fantasio com o detalhe inexplicável de um chapéu, de um colorido sombreiro de mulher que passou perto dela fazendo-lhe acreditar que delirava em meio ao Estreito da Flórida.
Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto















agosto 30th, 2011 a las 11:51
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agosto 15th, 2011 a las 12:00
TREM AZUL
14/08/2011 14:04
acertaram na mosca
Mino, o capital da Carta, como sempre lhe chamo, escolheu um tema bem a gosto da alta esquerda burguesa, base leitora da sua revista. Mino, o grande, vale lembrar, sempre diz que só no Brasil dono de veículo de imprensa se diz jornalista e assim é tratado pelos ditos. Ele é dono da Editora Confiança, que edita a Carta Capital. Vale pros outros jornalistas o que ele diz. Para ele, não.
Descolou o conteúdo duns telegramas do wikileakes, para “mostrar” em matéria da Carta Capital que está nas bancas, que os malvados Estados Unidos é que não gostavam do espanto, o nosso (deles) ex-chanceler Celso Amorim, hoje ministro da Defesa.
Selecionou um dos telegramas diplomáticos americanos vazados, no qual temos que o Ministério das Relações Exteriores de Celso Amorim é acusado de dificultar as relações com os EUA por suas “inclinações antiamericanas”, definidas por um ministro “nacionalista” e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães), e secundado por um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Top-Top Garcia), aspone especial do presidente Lula.
Ora vejam! O telegrama mostra que a diplomacia americana teve exemplar competência nessa análise. Acertou na mosca. Tudo que diz, é verdade. Botou no mesmo piquá o espantoso trio romântico socialista guevariano stalinista que levou Lula às maiores bobagens diplomáticas d’estpaís. A aproximação com facínoras e ditadores, em detrimento de contatos com chefes de governos normais.
Entre os exemplos das “relações” de Lula lideradas pelo espanto e os dois espécimes da patuléia citados, temos altezas como Muammar Kadaffi, Mahmoud Ahmadinejad e mais alguns ditadores africanos não antropófagos – na prática, porque há entre eles quem defenda assim se apresentar, por estratégia política, já contei aqui no Trem Azul.
Mas voltemos ao espanto. Acertadíssima a opinião da diplomacia americana sobre Celso Amorim e sua turma. Entre os citados no telegrama, o Marco Aurélio Top-Top é especialista em contatos com ditadores e terroristas. E o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, é o comunistóide mais raçudo entre eles. É um esquerdista “histórico”.
E para quem não sabe ou lembra, entre Pinheiro Guimarães e o espantoso Celso Amorim, a relação é familiar. Um é sogro do outro, não me lembro quem de quem. Mas o espanto também tem seus valores socialistóides enraizados na familia da sua mulher, comunista histórica. Sua estada no ministério da Defesa, junto aos militares, vai encocozar. Pode nem demorar.
agosto 14th, 2011 a las 22:48
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O cantor cubano Pablo Milanês deu uma entrevista muito crítica sobre o governo cubano.
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Pablo Milanés critica falta de libertades y discriminación en Cuba
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Alguns trecho da entrevista:
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En ese sentido le gustaría que, “sin desviarnos de nuestra ruta”, hubiera en Cuba una apertura ideológica. “Si se concibe al socialismo como un sistema para reivindicar al ser humano desde todos los puntos de vista: de la economía, del amor, del espíritu, de la paz, se puede decir que de todos los socialismos que se han producido hasta ahora en el mundo, ninguno ha logrado esas metas”, puntualizó, reconociendo que fue uno de los 28 intelectuales cubanos a los que el gobierno de la isla se acercó en el 2003 para que firmaran una carta en apoyo al encarcelamiento de 75 periodistas independientes y opositores cuando la Primavera Negra.
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“En su momento critiqué la muerte de Zapata Tamayo desde un punto de vista personal, porque en Cuba no hay posibilidad ni medios para llegar a ese tipo de información. Desde el punto de vista humano pienso que esas cosas no pueden permitirse, una persona tiene derecho a protestar y el Estado debe protegerle la vida, sea cual fuere la naturaleza de la protesta”,
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“el miedo que sienten estas personas o porque no tienen la seguridad de su derecho a protestar”.
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http://t.co/hTU4idt
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Parece que chegou a hora da avaliação.
O fim da era Fidel está chegando e seja a hora de se posicionar para o que vem pela frente.
agosto 14th, 2011 a las 11:23
Sábado, Agosto 13, 2011
MINHA CONTRIBUIÇÃO
À DERRUBADA DO MURO
Se você fala em 1917, qualquer pessoa medianamente informada associará a data à Revolução Russa. Mas se você fala em 1989, ninguém associará este ano a algum evento particular. Em palestras, várias vezes perguntei a um público universitário que havia ocorrido em Nove de Novembro de 1989. Nem alunos nem professores sabiam responder. A data, no entanto, ao lado de outubro de 1917, é uma das duas mais importantes do século. Se 1917 é o marco de uma peste que invadiu o planeta e fez cerca de cem milhões de cadáveres, 1989 marca o momento em que a tirania desmorona.
Já não lembro quando estive pela primeira vez em Berlim. Terá sido no final dos 70. O muro parecia uma fronteira erguida para a eternidade e ninguém sonhava, naqueles anos, que um dia pudesse ser demolido. Berlim Ocidental era uma ilha de prosperidade em pleno deserto socialista. Você embarcava em alguma cidade fronteiriça da Alemanha Ocidental e no trem já sentia o cheiro do socialismo. Trens vagabundos, policiais carrancudos acompanhados por cães também policiais, um tratamento hostil dos passageiros, mais ou menos do tipo “o que você veio fazer aqui?”
Ao desembarcar na Berlim Ocidental, a volta ao conforto e bem-estar. A cidade era rica e privilegiada. Funcionava como uma vitrine do capitalismo em meio ao inferno socialista. O Senado berlinense proporcionava uma série de subsídios a quem lá vivia, para manter habitada a vitrine. Era uma das cidades mais confortáveis e baratas da Europa. A amiga que me recebia vivia em um belo apartamento de quatro quartos, cujo aluguel era a metade do que eu pagava em Paris por um quarto-e-sala.
Berlim era a cidade preferida de aposentados e de jovens que preferiam não entrar de rijo na competição capitalista. Um pequeno paraíso incrustado no mundo soviético. A Kurfürstendamm, Kudamm para os íntimos, com suas lojas e restaurantes suntuosos, fazia um contraste escandaloso à miséria do outro lado do Muro. Minha amiga levou-me lá, para sentir o cheiro do socialismo. Não estou falando por metáforas. Socialismo cheira mal mesmo. Mal atravessei a fronteira, um odor desagradável de carvão vegetal inundou-me as narinas.
As diferenças começavam já na travessia do Muro. Do lado de cá, ao entrar no metrô, você punha o tíquete numa máquina eletrônica, que o devolvia do outro lado. Do lado de lá, você tinha de picotar o tíquete em uma alavanca enferrujada. Na fronteira, um policial com cara de buldogue olhava um minuto para sua foto no passaporte e mais outro minuto para seu rosto. Quem vive em Livramento ou Rivera, onde se passa de um pais a outro sem dar satisfação a autoridade alguma, ficaria perplexo ante a Berlim de então.
Minha cicerone queria mostrar-me como era um restaurante socialista. Primeiro, precisamos achá-lo, que no paraíso soviético restaurantes não têm placas. Após uma boa hora pela neve, interrogando pessoas na rua, achamos um. Ficava no primeiro andar de um prédio qualquer, sem qualquer indicação de restaurante. Na escadaria, sem calefação alguma, uma boa dezena de pessoas esperavam na fila. Mais de meia hora de espera. Lá dentro, de fato todas as mesas estavam lotadas. Mas as mesas eram imensas, a ponto de dificultar a conversação. E ficavam a meia légua uma da outra. Fossem menores e estivessem mais próximas, a sala teria seu espaço útil triplicado, sem desconforto algum.
Os garçons, nem te ligo. Não recebiam gorjeta, não havia então porque preocupar-se com o cliente. Lá pelas tantas, um deles dignou-se vir até minha mesa. Pedi o cardápio. Teria umas quinze opções de pratos. Fui pedindo, um a um, para ouvir sempre um invariável “não tem”. Cheguei ao último. Era o prato do dia, o único que serviam. O cardápio era de mentirinha, resquícios de uma Alemanha que ainda não era comunista. Do outro lado do Muro, na Berlim ocidental, os restaurantes regurgitavam de gente, sem fila alguma e com cardápios de verdade.
Berlim hoje é uma só. Não há mais distinção de tratamento entre ocidentais e orientais. A cidade não está dividida por uma fronteira. Se você quer ver as diferenças entre as antigas cidades, a Ocidental e capitalista, e a Oriental e comunista, procure o filme Adeus, Lênin, de Wolfgang Becker, uma das mais belas sátiras sobre o socialismo que vi nos últimos anos. Uma senhora, comunista devota, entra em coma antes da queda do Muro E só sai do coma depois. O filho, que já havia se libertado das tralhas e hábitos socialistas, não quer chocá-la. Sai então a buscar no lixo os ícones socialistas. Entre eles, um poster de Che Guevara. O que é simbólico. Enquanto na América Latina ainda se cultua o celerado argentino, na Alemanha já o jogaram na famosa lata de lixo da História. Esta cena sobre o poster do Che foi eliminada da versão do filme no Brasil.
Em 1990, fui a Berlim quebrar os cacos que ainda restavam do muro. Tinha um problema crônico de menisco e volta e meia me acometia a tal de água no joelho. Claro que não faltaram as más línguas a aventar a hipótese de uísque no joelho. A bem da verdade, aquele líquido tinha uma certa cor de bom scotch. Sabe-se lá!
Parti rumo ao muro, sem lenço nem documento, como se diz. Em Paris, escorreguei e a perna começou a inchar. Pensei ir ao médico, mas desisti. Sabia qual era o tratamento. Ele faria uma punção no joelho, extrairia o líquido sinovial e me ordenaria repouso. Se é para ficar de molho, pensei, fico em Berlim, mais perto do muro. Embarquei.
No trem, desastre. A perna foi inchando a ponto de mal caber na perna da calça. Eu viajava com uma amiga, que seria minha anfitriã. Nem deu para ir a casa dela. Ela telefonou para o hospital e do trem fui direto para lá. Onde já me esperavam dois médicos, com uma maca na recepção.
Eu sabia o que me esperava. Uma punção e a recomendação de repouso. Fiquei três dias de molho e não resisti. Meu joelho que se lixasse. Reuni as pernas que me restavam, me muni de martelo e formão, e fui ao muro tirar meus cacos. À medida que me aproximava, comecei a ouvir um ruído intenso de pancadas, era como se muitos pica-paus tivessem atacado uma árvore ao mesmo tempo. Eram alemães e turistas, de martelo em punho, quebrando o muro. De fato, parecia ter sido construído para a eternidade. A cada martelada que eu dava, o martelo vinha de volta e não fazia nem mossa no muro. A caro custo e após muito trabalho, consegui dois míseros caquinhos.
Mas dei minha contribuição, ainda que simbólica, à História. JANER CRISTALDO
agosto 13th, 2011 a las 15:18
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Hoje, dia 13 de agosto de 2011 se comemoram os 85 anos de idade de Fidel e também a queda do Muro de Berlim.
Uma data bastante interessante, pois envolve de certa maneira dois eventos que podem ser considerados como contraditórios.
Um representa a falta de liberdade e a adoração a um falso mito e outro; a queda de um mito que ninguém tinha imaginado que pudesse acontecer.
O Muro de Berlim caiu em meio a muita propaganda da mídia contra o seu próprio sistema, e de camuflados elogios aos países da antiga Cortina de Ferro.
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No twitter da Yoani ela escreveu:
Orientan hacer fiestas en cada barrio el 13 de agosto dia del cumpleanos de Fidel Castro, ahora lo llaman “el dia de la fidelidad”
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Dia da fidelidade creio que a um notório incompetente.
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No blog da Regina Coyula ela comentou o seguinte:
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la impresión de un cubanólogo del futuro frente a los documentos oficiales, sería que Fidel Castro fue un hombre de inteligencia más o menos normal que gobernó un país de morones, pues era el único a quien se le ocurrían ideas, ideas que sus gobernados se aprestaban a materializar.
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Realmente temos a impressão que o povo cubano em sua maioria sejam de pessoas com baixo nível de inteligência, já que tudo o que existe em Cuba é decorrente do “genial” Fidel castro.
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Ela depois cita os planos dele que foram abandonados como:
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Pongamos por ejemplo la Escuela al Campo, la escuela en el Campo, las BET (Brigadas estudiantiles de trabajo), las FAPI (Fuerzas de acción pioneril), los maestros emergentes, esos Supermanes de la enseñanza formados a la carrera que debían impartir todas las asignaturas en la secundaria básica, las aulas con sólo 20 estudiantes.
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Demorou muito, mas agora as coisas começam a afundar mais rapidamente.
Talvez se pudesse esticar tudo isso mais uma década, mas acho que seja o próprio governo. já sem o comando do general invencível que timidamente tentam mudar o cenário da tragédia.
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É meio irônico, mas as tímidas mudanças que hoje acontecem em Cuba, são o que mais de inovador aconteceu, nos últimos 52 anos.
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Apuntes para un cubanólogo del futuro da Regina Coyula.
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http://lamalaletra.wordpress.c.....el-futuro/
agosto 13th, 2011 a las 09:50
13 DE AGOSTO
Cada qual no seu galho
Neste emblemático 13 do agourento agosto, o ditador Fidel Castro faz 85 anos em liberdade e o povo cubano, 52 na prisão ou no exílio.
MOACYR CASTRO
agosto 13th, 2011 a las 08:09
O FIM DA GUERRA
De Berlim – Berlim, nestes dias de fevereiro, agita-se a cada ano em função do Festival Internacional de Cinema, hoje em sua 40ª edição e desenvolvido nas duas Berlins, se é que de duas Berlins ainda se pode falar. Mas estamos em fevereiro de 1990 e a grande vedete não é o cinema e sim o Muro, dia a dia picotado por berlinenses e turistas ávidos de uma lembrancinha do fim da barbárie. Um milionário americano chegou a oferecer às autoridades do Leste 40 milhões de dólares pelo Muro, valor que pretendia multiplicar por cem, vendendo-o aos pedaços. O negócio não foi feito, afinal o Muro pertence a todos e a ninguém.
“Todo muro no mundo” – escreve Peter Schneider, autor de Sauter le mur – “provoca a vontade instintiva de atravessá-lo. Nem uma criança, nem um gato, resiste à intenção de escalá-lo, para ver o que acontece do outro lado”. Para os alemães ocidentais, esta curiosidade sempre pode ser saciada. Um visto no passaporte, mais a troca compulsória de alguns marcos e o cidadão ou turista podia constatar in loco o horror ao qual havia escapado, voltando ao Oeste ainda em tempo de comer decentemente em um bom restaurante. Para os homens do Leste, até Nove de Novembro passado, a Berlim livre estava tão distante quanto a Austrália ou o Japão. Pular o Muro era gesto pago com a própria vida. Hoje, o Muro é apenas um muro e a vergonha parece pertencer a um passado distante.
Para os ex-presidiários, o choque é brutal. Pessoas que não mais lembravam a cor de bananas ou laranjas, sorriem incrédulas ante a profusão de frutas, carnes e bebidas no mercado. Uma grande loja de departamentos causa pânico. Depoimento de uma jovem universitária, hoje vivendo no lado ocidental:
“Descubro como se provoca a necessidade de comprar: os bunkers dos supermercados engolem as pessoas como imensos aspiradores, lá se encontra de tudo, e sobretudo uma quantidade considerável de bobagens; os animadores berram por todos os lados. Minha cabeça zumbe e eu me precipito rumo à saída”.
O mesmo choque ao inscrever-se na universidade:
“Entrego meu pedido de inscrição, recebo de volta minha carteira de estudante. Peço informações aos professores e os descubro desprovidos de arrogância, da autoridade e do patriarcalismo aos quais eu estava habituada; pelo contrário, eles dão provas de tolerância, às vezes de desenvoltura, muitos demonstram inclusive camaradagem ao tutear-me desde o início. Divirto-me lendo as inscrições nas paredes; cada um nelas exprime seus sentimentos, suas opiniões políticas. No Leste, foram retirados de circulação todos os sprays para impedir os grafitti”.
As máquinas de xerox, estes objetos rotineiros do mundo ocidental, constituem milagre para a recém-vinda do Leste:
“Em cada corredor da universidade vejo máquinas de xerox. Eis-me de novo desorientada. Na RDA, estas máquinas eram reservadas a certas pessoas: era preciso obter intermináveis autorizações, fornecer por escrito o interesse científico de sua requisição, antes que a pessoa responsável fotocopiasse seu documento. A única intenção era impedir a circulação de idéias hostis ao Estado. Eis-me agora diante de uma enorme máquina que me explica seus botões. Sinto-me como uma extraterrestre”.
Para melhor esta surpresa de extraterrestre da moça do Leste, nada melhor que evocar uma parábola proposta por Peter Schneider. Para o escritor, ao final de quarenta anos, pode-se considerar a divisão das Alemanhas como uma experiência social involuntária surgida das necessidades da guerra, os Aliados assumindo o papel de laboratoristas e os alemães de cobaias superdotadas. Dois gêmeos, com um passado comum, são dominados pelos Aliados e encerrados em internatos diferentes. O gêmeo criado no Oeste tem por nome RFA, cresce no clima estimulante dos valores ocidentais, aprende o que são a democracia, a economia de mercado, a propriedade privada e a liberdade individual e liga-se a seu experimentador ocidental.
O outro gêmeo tem por nome RDA, é seguidamente espancado, deve familiarizar-se com os valores rebarbativos e menos acessíveis da cultura comunista. Nele se incluem virtudes tais como a solidariedade internacional, o engajamento social, o desprezo da propriedade individual, o ódio de classes e, evidentemente, uma “amizade inquebrantável” pelos laboratoristas do Leste.
Doze anos depois, um muro é construído entre esses dois irmãos e um sistema bizarro de visitas é estabelecido. Enquanto o gêmeo do Oeste goza do Plano Marshall e dos progressos do sistema capitalista, seu irmão deve reembolsar as dívidas de guerra ao laboratório do Leste, bem mais pobre, do qual ele herdou o Estado de um só partido e um sistema econômico inoperante. As queixas não se farão esperar. Ouçamos o irmão do Leste:
- Meu caro irmão vive tão ocupado que aos poucos vai me esquecendo. Já não vem me ver quando eu lhe peço. Não vê o que me falta. Bastaria apenas que se mostrasse mais generoso, principalmente em sentimentos, pois ele tem mais sorte em ter ficado no Oeste. Aliás, diga-se de passagem, ele nada fez para merecê-lo. Ele simplesmente vivia no bom momento na boa margem do Elba. Mas agora seu sucesso subiu-lhe à cabeça. Em vez de dividir – pois não se trata de dar, mas sim de dividir – ele pretende trabalhar mais, ter mais talento. Honestamente, eu o conheço desde pequeno, ele não é mais nem menos preguiçoso do que eu. Ele apenas tornou-se arrogante, cheio de si. Em verdade – nossa propaganda não erra totalmente – ele continua a viver da exploração e da miséria dos outros. Mas ele não quer saber de nada. Ele poderia ao menos demonstrar um pouco mais de sentimento filial em relação a seu pobre irmão que teve menos sorte.
Diz seu irmão ocidental:
- As coisas não vão bem para meu pobre irmão atrás de seu muro, é evidente. Mas ele me enerva com suas reprovações. E esta maneira que tem de esperar eternamente… Afinal de contas, não fui quem o construí, e não se pode dizer que ele tenha se oposto ao muro. Só Deus sabe como gosto de dar presentes mas, se não existe mais a surpresa, não é divertido. Ele acha que lado de cá, as televisões em cores, os aparelhos de vídeo e os relógios Rolex nascem das árvores. Mas ninguém recebe um Mercedes quando nasce, é preciso ganhá-lo. Dívida, crédito, leasing, são palavras que meu irmão não conhece senão por ouvir dizer. Gostaríamos de explicar-lhe mas ele não escuta, ele só fala. Naturalmente, não é por sua culpa que ele ainda deve fazer fila para comprar laranjas. Não o estamos criticando diretamente, é a economia dirigida que é um desastre.
Longo é o discurso do irmão ocidental, segundo Schneider, pois o oriental sequer aceita críticas.
- Quando a discussão se anima, ele acaba me tratando de conformista e consumidor idiota, cumprimento que tenho prazer em devolver-lhe, pois suas pretendidas virtudes sociais lhe foram todas inculcadas, sei disso. Ele se toma por um idealista que ainda não vendeu sua alma! Acontece-me às vezes sentir-me aliviado ao final das visitas. Entre nós instalou-se um ressentimento, um sentimento de decepção sobre o qual precisaríamos falar um dia. Quando chega o momento de partir, mal ouso olhar meu relógio, tenho pena de vexá-lo. Ele dispõe de tempo, muito tempo, e ignora que pessoas como eu trabalham também nos fins-de-semana, têm almoços de negócios aos domingos.
Com o fim da Segunda Guerra, que poderíamos datar, na necessidade de uma data precisa, de Nove de Novembro de 1989, chegou a vez dos gêmeos se entenderem. A aproximação será certamente dolorosa e a Europa a vê com apreensão. Os livros de História deverão ser reescritos. Heróis passarão para a ala dos vilões e vice-versa. E muito ainda há de se ver até o final do milênio. JANER CRISTALDO
agosto 12th, 2011 a las 17:26
Um pouco do assassino Che.
“Era uma situação incômoda para as pessoas e para [Eutimio], de modo que acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Ao tratar de retirar seus pertences, não consegui soltar o relógio, que estava preso ao cinto por uma corrente e então ele [ainda Eutimio] me disse, numa voz firme, destituída de medo: ‘Arranque-a fora, garoto, que diferença faz…’. Assim fiz, e seus bens agora me pertenciam. Dormimos mal, molhados, e eu com um pouco de asma” COTURNO NOTURNO
agosto 12th, 2011 a las 10:49
Tranque também o seu!
12 de agosto de 2011 | 0h 00
João Mellão Neto – O Estado de S.Paulo
Em russo, espanhol e inglês – para que todos pudessem compreender – havia, no aeroporto de Havana, a seguinte mensagem: “Cuba é uma nação livre, soberana e independente. O governo é democrático, revolucionário e comunista. Aqui não há fome, exploração ou injustiça social. Não admitimos prostituição, drogas ou qualquer outra forma de depravação inerente ao capitalismo. Numa sociedade em que todos são iguais, não ocorrem furtos, roubos ou corrupção”.
Isso me foi contado por entusiasmados colegas de faculdade na década de 1970. No mundo universitário, então, o marxismo imperava. Pobre de quem não compartilhasse o seu credo: era discriminado e banido do convívio acadêmico. Perguntava-me eu: por que motivo aqueles que pregam a inclusão social são os primeiros a tentar excluir?
Quem exercia o poder no Brasil eram os militares e seus simpatizantes. E a nós, estudantes e mestres, restava defender ideias opostas. Para tanto o marxismo vinha muito a calhar. Até mesmo eu, na época, me considerava um socialista light. Sempre que afirmava isso, logo aparecia alguém para me desmentir: “Você não passa de um liberal”. Mais de duas décadas e meia após a redemocratização do País, a antiga polarização acabou. O pessoal da faculdade tinha razão: eu sempre fui mesmo um liberal. O problema é que não me dava conta disso.
Agora, à luz da História, a gente percebe que nada daquilo fazia sentido. Nem os militares brasileiros se comportaram como radicais de direita, nem os irmãos Castro, em Cuba, dirigem um governo de esquerda. De um lado e de outro, as ditaduras não são mais do que isto: ditaduras.
Acredito que aquela mensagem no aeroporto de Havana – se de fato existiu – tenha sido retirada. Tudo o que lá estava afirmado aconteceu ao contrário. Aos olhos dos europeus e norte-americanos, o regime cubano é fascinante somente para os intelectuais e para os governantes populistas da América Latina.
Por falar em governos populistas, durante os oito anos do nosso, apenas foram reproduzidas as fórmulas adotadas pelos governos militares. Nacionalismo, desenvolvimentismo, crescimento econômico, política externa “independente”, nada disso é novidade. Algumas formulações políticas e econômicas, aliás, remontam aos tempos de Getúlio Vargas, são da década de 1930.
Nos lugares onde foi implantado, o socialismo falhou. Depois da queda do Muro de Berlim, então, nem sequer a visão marxista da sociedade sobreviveu.
Os rebeldes de minha época de estudante são, atualmente, mais adultos. Acreditam ter amadurecido. Dizem-se “pós-modernos” e “politicamente corretos”. São os frequentadores mais assíduos dos “jantares inteligentes”, tão bem caracterizados pelo filósofo Luiz Felipe Pondé. Vale a pena ler os seus livros. Como arguto observador e crítico de costumes, ele vai além: “Toda essa gente afirma ser dotada de “consciência social”, defende a “sustentabilidade” (neologismo) e critica as grandes empresas e a sociedade por tudo de mal que existe no mundo”. Pondera ainda o filósofo: “Todos se veem como heróis que estão salvando o mundo”. E de que modo isso é possível? Cada um deve fazer a sua parte. Mas como fazê-lo? Simples. Sentem-se todos moralmente absolvidos por “reciclar o lixo e andar de bicicleta”.
A culpa, como sempre, é atribuída aos outros. Perversa é a sociedade, não nós… Somos inocentes porque estamos denunciando e criticando tudo isso.
Por falar em licença moral, muita coisa estranha vem ocorrendo em Brasília. Como me ensinava Odon Pereira, o meu primeiro professor no jornalismo: “Absurdo não existe. O que chamamos de absurdo é uma ordem das coisas que desconhecemos”. Tradução: não obstante a complexidade de um nó, se uma corda tem uma ponta, procure, porque vai achar a outra.
Acontece o seguinte: como foi bem percebido quando ocorreu o escândalo do mensalão (2005), não há por que redimir os petistas. Deus só perdoa os arrependidos. E o pessoal do Partido dos Trabalhadores não se arrepende de nada.
Os nossos bravos sindicalistas e intelectuais – nos quais o sangue socialista ainda ferve nas veias – se dispõem a tudo, desde que, ao final, prevaleça a “causa justa”. Vale roubar, matar ou até morrer, se for necessário. Eles não ficam com a consciência pesada? Não. Acreditam piamente que moralidade “é coisa de pequeno burguês”.
O nosso “ex-presidente proletário” ganhou fama, nos meios políticos, de transigente e negociador. Faz qualquer coisa para manter o poder. Para lograr tal intento e eleger a sua sucessora ele cedeu diversos órgãos governamentais ao comando dos demais partidos. E, pelo que se vê agora, o negócio foi feito de porteira fechada, ou seja, cada um cuida de si.
Dotação de verbas, alocação de recursos e nomeações para cargos de comando, tudo isso se deu por critérios exclusivamente político-partidários. Todo mundo sabe o resultado disso: incompetência e corrupção.
À medida que vão estourando os escândalos, a atual presidente se vê obrigada a agir. O seu mandato ainda se está iniciando e ela não pode macular a sua imagem com uma reputação de fraqueza, miopia e complacência. Isso compromete até mesmo a viabilidade do retorno de seu antecessor.
Enquanto isso, o que se ouve lá pelos lados do Planalto Central é que, dia desses, um indivíduo estacionou o seu veículo bem em frente da rampa de certo palácio. A o sentinela se aproximou: “O senhor não pode parar aí! É por aqui que passam as autoridades!”.
“Não se preocupe, seu guarda. Eu tranquei o carro!”.
agosto 11th, 2011 a las 21:11
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Publican imágenes de arresto violento de disidente cubana
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EL NUEVO HERALD.COM
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Un grupo opositor cubano colgó un video del violento arresto de una disidente en el momento en que trataba de salir de su casa, un raro ejemplo de una grabación de este tipo de arresto a manos de agentes de la Seguridad del Estado.
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En el video se ve cómo Ivonne Mayesa Galano es interceptada por agentes vestidos de civil y luego arrastrada y metida a la fuerza en un auto patrullero por policía uniformada cuando salía de su casa en el barrio del Cerro el pasado 5 de agosto.
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http://www.elnuevoherald.com/2.....o-por.html
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Nada como ver como Fidel trata o seu povo a base de sequestros relâmpagos de quem não o obedece.