Geração Y é um Blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contem um ípsilon. Nascidos na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saidas ilegais e frustração. Assim é que convido especialmente Yanisleidi, Yusimí, Yuniesky e outros que carregam seus ípsilons para que me leiam e me escrevam.

Nós, o Povo

Sou pós moderna e descrente: os discursos me provocam sono e um lider do alto da  tribuna resulta – para mim – no cúmulo do tédio. Associo os microfones com os chamamentos à intransigência e a elogiada oratória de alguns, sempre me pareceram puros gritos para ensurdecer o “inimigo”. Nos atos públicos eu conseguia escapulir e prefiro o zumbido de uma mosca do que escutar as promessas de um político. Tive que ouvir tantas arengas – muitas delas aparentemente intermináveis – que não sou o público indicado para aguentar uma nova peroração.

Para mim, a voz que emerge dos palanques trouxe mais intolerância que concórdia, uma porção maior de nervosismo que de chamamentos de harmonia. Saídos das tribunas, ví vaticínios de invasões que nunca chegaram, planos econômicos que tampouco se cumpriram e até expressões tão discriminatórias como: “Que se vá a escória, que se vá!”. Daí que eu esteja tão confusa com a alocução serena pronunciada hoje por Barack Obama, com sua maneira de alinhavar argumentos e invocar à concórdia.

Pareceu-me ao lê-lo – não tenho uma parabólica ilegal para ver tv – que toda uma retórica ficou condenada ao século XX. Começamos a dizer adeus a essa convulsionada eloquencia, que já não nos comove. Só espero que sejamos “Nós, o Povo”* que escrevamos a partir de agora os discursos.

*Tirado da tradução do discurso de Barack Obama publicada no diário espanhol EL País.

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4 comentarios a Nós, o Povo

  1. Maria
    enero 29th, 2009 a las 11:10

    Onde quer que seja, nas eleições para presidente, governador, prefeito, vereador e até para uma chapa do grêmio estudantil, não importa, sempre ouviremos discursos que não passam de belos, ideológicos e utópicos. Aprendemos que quem cativa as massas é aquele “que fala bonito”, que diz o que o povo quer ouvir.
    Qual a surpresa? Todos do colégio sabem que a chapa que tinha a posição mais ideológica nas eleições para o Grêmio Estudantil no ano passado foi a que mais obteve votos. Agente começa desde cedo…e o povo ainda não aprendeu…

  2. Anónimo
    enero 22nd, 2009 a las 17:49

    PUTA QUE O PARIU…

    UNANIMIDADE COM H…só mesmo o “prof” vanderlei…

    vanderlei, não aguento mais, vou t cortar daqui…..

    E viva a 4a frota dos EUU. viva o poder bélico mericano….

  3. A. Smith
    enero 22nd, 2009 a las 17:01

    Vanderlei, penso que a humanidade é burra. Gosta de “líderes”, “comandantes”, “chefes”, “reis”, “guias”. Adora ser guiada, mandada, conduzida, regulada e, por consequencia, espremida, pisoteada, recalcada, violentada. Note como bate palmas e dá gritinhos ante qualquer frase óbvia e sonsa de um político mais esperto. Isso é a incapacidade de decidir sua própria vida e traçar seus caminhos soberanamente. Tem o que merece!

  4. Vanderlei Amboni
    enero 22nd, 2009 a las 09:33

    Espere e verás o poder bélico americano. O “jeitinho” americano de governar é sua expressão bélica. O povo, como em qualquer parte do mundo, como diz um velho ditado “se move ao soprar dos ventos”. Discusos produzidos sob encomenda para as massas, fico com Nelson Rodrigues “toda hunanimidade é burra”