Galinha abusada

Curioso fim de ano em que as surpresas se acumulam, as árvores de Natal regressam e os sexólogos começam a usar a linguagem dos machistas. Mariela Castro me chamou de galinha e, em sua linguagem de especialista no gênero e sexualidade, a palavra toma conotações homofóbicas. Talvez porque sou uma desconhecedora dos termos de sua especialidade, não consigo entender o que quis dizer-me ao remeter à um papel masculino dentro de um substantivo feminino, porque nisto de gramática sim posso alardear saber algo. Acreditará ela que faço trabalhos de homem porque exijo direitos e reclamo o respeito às preferências políticas? Não vejo as penas nas minhas costas, porém para ser uma muito delicada galinha devo aceitar que um grupo de septuagenários – todos homens – decidam cada aspecto de minha vida, então me inclino ao travestismo e faço quiquiriquí como o galo com mais hormônios do galinheiro.
Reinaldo se ri com seu avental de florzinhas e me confirma que sim, que sou uma galinha de esporas afiadas. Concordo com a influente especialista que sou “insignificante”, uma anônima galinhona que conseguiu com seu pio incomodar aos refinados galos de briga. Esses que estão tão pouco treinados no debate que a menor discrepância saltam soltando penas, ferindo para todos os lados. Incomodam-se e terminam por soltar a língua e – atrás – lhes vemos as feias entranhas da intolerância, que tanto fazem hoje em dia por dissimular.















diciembre 23rd, 2008 a las 20:15
Não sei se vocês viram. Mas, durante a entrevista com Raúl Castro, um jornalista, pelo menos um jornalista, fez a pergunta sobre os fuzilamentos em Cuba. Raúl Castro teve que encarar a democracia e a liberdade de imprensa de frente. Até o Granma foi obrigado a publicar. Mas os jornais e noticiários de TV do Brasil passaram batido, na maior demonstração de covardia que a imprensa brasileira já deu na sua história. Gostaria de transformar este jornalista ou periodista (se for latino-americano ou espanhol) em homenageado permanente do Blog. Como podemos encontrá-lo? Qual o seu nome? Para que veículo de comunicação ele trabalha? Vejam a transcrição do diálogo, pelos cubanos:
Periodista.—¿Y los disidentes cubanos que fueron fusilados?
Raúl Castro.—¡No me vengas con disidentes!, esa historia la conozco de sobra. Por qué no me hablas de los 57 millones de dólares que como presupuesto aprobó el Congreso de Estados Unidos para pagar agentes, que ese es el papel que desempeñan. Esos son los disidentes. Por qué no me hablan de los Cinco Héroes nuestros que no hicieron nada contra Estados Unidos y llevan 10 años prisioneros, y que fueron juzgados incorrectamente y hay uno que está condenado a dos cadenas perpetuas. Y no me vengas con esa pregunta que ya la sabemos de plantilla
Fonte> http://www.coturnonoturno.blogspot.com
diciembre 19th, 2008 a las 20:46
Lula ratificou, além do mais, o repúdio do povo e do governo do Brasil ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, e a decisão de trabalhar em todos os fóruns para juntar ainda mais os esforços do subcontinente até conseguir seu fim. Fonte: Granma (versão português)
Yoani ! Os brasileiros simpatizam e gostam do povo cubano. Contudo esta versão do Granma é completamente FALSA. Os brasileiros sentem-se compadecidos pela situação dos cubanos em razão da opressão, pela falta de liberdades e pela miséria econômica a que estão submetidos pela ditadura Castro ao longo destes infindáveis 50 anos.
Exceto pelas menções nos discursos dos “primos” comunistas brasileiros – Lula & Cia Ltda – a grande parte dos brasileiros não atribui como causa fundamental do males que sofrem os cubanos, o embargo econômico americano.
Que Deus te ilumine e te proteja!
Ernesto Heredia Dias
diciembre 18th, 2008 a las 19:40
Partindo de quem parte, deves tomar a tentativa de ofensa como elogio.
Perturbas a corte do ditador.
Os Castro querem que o povo cubano tenha o vôo de galinha.
Mas tu Yoani voas alto e longe, com a necessária coragem para abrir o horizonte de um povo oprimido. Tens o vôo da águia e vês além do limite que o “socialismo” cubano pretende impor ao povo.
Tua voz demonstra que há quem saiba e queira voar em Cuba. E não serão os grilhões da pseudo-sexóloga, filhote da ditadura Castrista, que limitarão teu vôo.
Continue voando alto e longe, afinal, o horizonte é infinito.
diciembre 18th, 2008 a las 10:45
Bom ler Yoani nao se amedrontando com a filha de Raul….
ou outra visita da ‘policia da dignidade socialista”….
menina de coragem… e inteligencia…
diciembre 18th, 2008 a las 10:44
do blog de Reinaldo Azevedo – http://www.veja.com.br
Os perfeitos idiotas 1 – Herbívoros e carnívoros
Conheço o complexo de hotéis da Costa do Sauípe, na Bahia, onde se deu a tal Cúpula da América Latina e do Caribe. Há áreas com extensos gramados. Depois será preciso verificar o estado das gramíneas. É possível que boa parte tenha sido consumida até a terra nua. As palavras “perfeito idiota” que abrem o título deste post estão no livro “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, de Álvaro Vargas Llosa (filho do romancista peruano), Plinio Apuleyo Mendonza e Carlos Alberto Montaner. No Brasil, foi publicado há 11 anos, antes ainda da tal “onda vermelha” na América Latina. Trata-se de uma crítica severa às esquerdas do continente, que centravam a sua política no ataque “ao imperialismo” — com forte sotaque, como não poderia deixar de ser, antiamericano. Pois é… Boa parte delas chegou ao poder. E agora explico a referência à grama.
Llosa chegou a criar uma distinção entre as esquerdas latino-americanas: haveria a “carnívora”, como a dos irmãos homicidas Fidel e Raúl Castro e do bandoleiro Hugo Chávez, e a “vegetariana”, do Estimado Apedeuta, entre outros. Jorge Castañeda, intelectual mexicano, ex-esquerdista, hoje moderado (ajudou Vicente Fox a derrotar o PRI no México e foi seu chanceler), também vê as diferenças entre a “boa” e a “má” esquerdas latino-americanas. Lamento. Tanto o conservador como o ex-esquerdista estão errados neste particular. E, no dia 13 de janeIro, expliquei por quê.
*
Esquerda vegetariana? Data vênia, isso não passa de besteira. Até porque a esquerda lulista, se for o caso, deve ser chamada de “herbívora”. E do tipo ruminante.
A diferença não é ideológica ou de essência. A diferença está na história. Explico-me. Os “carnívoros” de Llosa — ou “esquerda má”, na definição de Castañeda — chegaram ao poder à esteira de severas crises institucionais em seus respectivos países. A “esquerda boa” (dita “vegetariana”) assumiu o poder num quadro de estabilidade institucional. Foi assim com Bachelet, no Chile, e com Lula no Brasil.
Para ficar no exemplo doméstico, note-se que Lula não é Chávez porque não pode, não porque não queira. Quem o impede são as instituições fortalecidas, que herdou de FHC e que não conseguiu, embora tenha tentado, enfraquecer. Basta lembrar quantas vezes essa gente tentou botar canga na imprensa. Observe-se, também, que Lula tem sido, sim, um aliado incondicional — INCONDICIONAL, repito — de Hugo Chávez e Evo Morales. No ambiente internacional, a agenda brasileira é, sem tirar nem pôr, a da esquerda.
O que estou dizendo é que essas diferenças a que aludem tanto Castañeda como Llosa são absolutamente irrelevantes. Lula leva o desprestígio das instituições, no Brasil, até onde é possível levar. Se mais não faz, é porque mais não pode.
E hoje…
Pois é… Vejam que a “esquerda vegetariana” — NA VERDADE, HERBÍVORA — acaba de incluir Cuba na tal Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC). E que exigência se fez àquela tirania? Nenhuma! Ao contrário: Raúl Castro, com 95 mil mortos nas costas, foi tratado como herói e resistente. Sob o comando de Lula, o encontro pediu o fim do embargo americano à ilha (irrelevante, insisto, para a miséria em que vive o povo). E, de novo, sem quaisquer condicionantes.
Castañeda e Llosa não se davam conta, então, que a dita esquerda “vegetariana” (herbívora) era só uma espécie de veículo da esquerda “carnívora”. Alguém poderia perguntar: “Mas que mal tem isso, Reinaldo?” O avanço de regimes que flertam abertamente com a ditadura, como se dá na Venezuela, no Equador e na Bolívia, e a admissão de uma ditadura descarada no grupo dos países respeitáveis — segundo Lula, essa foi a maior conquista da reunião na Costa do Sauípe.
A confusão é gigantesca. Alexei Barrionuevo, do The New York Times, escreve sobre a cúpula: “Apesar de toda a popularidade do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, aliado dos EUA, o Brasil não conseguiu impedir os líderes de celebrar a inclusão do presidente cubano, Raúl Castro, nesse encontro. Lula também não pôde impedir que os outros presidentes aproveitassem a ocasião para atacar os Estados Unidos e a Europa por seu papel na crise econômica global, que também afeta a região.”
Viram só? Barrionuevo, coitado!, não entendeu nada. Em primeiro lugar, não sei por que a popularidade de Lula teria alguma interferência numa reunião de chefes de estado. Em segundo, notem que, para ele, o brasileiro estaria algo contrariado com a “celebração” a Raúl Castro e com os discursos antiamericanos. Epa! Calma lá! Ele foi o chefe da torcida — não tão caricato quanto um Chávez ou um Evo Morales. Mas é fato que pôs o indiscutível peso do Brasil na região a serviço de um discurso jurássico. Ou como ler o que publica hoje o Estadão? “Lula afirmou ontem no encerramento da CALC que, para enfrentar a crise financeira internacional, os países da região devem reforçar a intervenção do Estado na economia. Lula também recomendou que as economias regionais evitem optar pelo ajuste fiscal. “O Estado, que não valia nada, passou a ser o salvador da pátria”, afirmou Lula, referindo-se às medidas adotadas pelos países desenvolvidos e por nações latino-americanas, que vêm investindo dinheiro do governo em bancos privados e no setor produtivo.”
Num daqueles momentos em que a sua retórica assombra o mundo, o brasileiro mandou ver: “Éramos um continente de surdos, que não nos enxergávamos”. Não entendi se a cegueira se juntava à surdez ou se o Apedeuta citava, indiretamente, Elias Canetti e prometia escrever o seu “Uma Luz em Meu Ouvido”… Mais compatível com a reunião, lembrei-me também da figura dos três macaquinhos, mas com uma diferença: a América Latina até podia tapar os olhos e os ouvidos, ser cega e surda, mas tinha e tem uma língua imensa, fala pelos cotovelos — e sempre culpando terceiros pelos seus próprios desastres.
Sei… Há muita gente entusiasmada com tudo isso etc e tal. Bom divertimento. Da formidável jornada de Lula no que pretendem seja a nova política externa brasileira, já podemos colher alguns resultados. Quando o Apedeuta assumiu, o país respondia por 1,1% do comércio mundial. Antes da crise, já estava em 1,1%… Antes de ele assumir, o Brasil guardava prudente distância de ditadores de qualquer viés. Hoje em dia, avançamos muito: já aprendemos a tratar bem os ditadores e candidatos a tanto. Um avanço espetacular.
Ontem, a Câmara aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul — que também TINHA a “democracia” como critério de inclusão (e de exclusão). Ora, Lula já afirmou que o país do bandoleiro é democrático até demais…
Quem disse que não pode haver harmonia entre herbívoros e carnívoros?
Por Reinaldo Azevedo | 05:37