Geração Y é um Blog inspirado em pessoas como eu, com nomes que começam ou contem um ípsilon. Nascidos na Cuba dos anos 70 e 80, marcados pelas escolas rurais, bonequinhos russos, saidas ilegais e frustração. Assim é que convido especialmente Yanisleidi, Yusimí, Yuniesky e outros que carregam seus ípsilons para que me leiam e me escrevam.

Faça-me uma chamada perdida

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O celular toca, porém não atendo. Espero que o ring ring termine e vou até um telefone próximo para anotar o número que ficou registrado. Adverti os meus amigos que me façam uma chamada perdida e depois lhes respondo, porém alguns insistem e esquecem do alto custo de um minuto de conversação na rede celular. Tenho um código de dois toques com eles se é urgente e de três se se trata de algo que pode esperar. Quando estou na rua e o aparelho que tenho no bolso vibra, procuro um terminal público que aceite moedas ou que não tenham lhe arrancado o bocal.

Mesmo que a empresa de telecomunicações ETECSA tenha informado que o número de usuários móveis superará em breve o milhão, continuamos sendo limitados nesta tecnologia. Receber uma chamada nacional é uma loucura, configurar o MMS pode nos custar horas de peleja com as operadoras e encontrar um lugar onde vendem cartões de recarga parece com o filme “Missão impossível”. Como um adolescente cujos pés cresceram e os sapatos já não entram a nossa telefonia celular aumentou o número de assinantes, porém sem a melhoria correspondente de infraestrutura. Pois tal crescimento não obedece a um desenvolvimento integral, mas sim porque é devido ao desejo de arrecadar – a todo custo – esses bilhetes conversíveis e coloridos que simulam o dólar.

Apesar das recentes reduções nas altas tarifas, um médico ainda não pode custear uma linha de celular, porém a polícia política goza de tarifas subvencionadas em moeda nacional. Não é possível tampouco fazer um contrato para pagar no fim do mês, pois estamos condenados a ter um fundo antecipado para conseguirmos nos comunicar. Muitos nos sentimos cansados da ETECSA, porém o monopólio estatal não permite que outros competidores nos ofereçam um serviço melhor e mais barato. Enquanto não aparece uma solução, milhares de usuários ensaiamos um estranho código Morse com os celulares: um toque, dois, três…Não respondas ao outro lado! Apenas corra para o telefone mais próximo.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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14 comentarios a Faça-me uma chamada perdida

  1. Dani San Pablo
    septiembre 14th, 2010 a las 11:35

    Yoani Sánchez. Só mesmo artigos como esse nos mostram a realidade cubana… Aqui temos alguns serviços, que, no meu entender ainda são caros, mas, dá pra falar a qualquer hora do dia ou da noite… Yoani, sou seu fãnzaço… Abraços…

  2. do brasil
    agosto 30th, 2010 a las 08:41

    bem, nao se pode falar mal da telefonia celular no brasil, pois estou no plano da tim e telefono pra meus parentes entre minas-paraiba por 0,25 centavos….e não 1,30 com diz o carlos, então amigo, vc não esta vendo a concorrencia.. se liga, há oferta no mercado…

  3. Manoel Francisco Gomes
    agosto 29th, 2010 a las 16:57

    A tarifa de telefone no Brasil é realmente uma das mais caras do mundo. Entretanto, o telefone está praticamente universalizado, após a privatização que foi tão condenada pelos que hoje estão no governo. Um certo jornalista, tido como medalhão da imprensa e petralha convicto, classificou a privatização de “privataria”. A diferença em relação a Cuba, é que 70 centavos de dólar pode equivaler a mais do que um trabalhador recebe em um dia de trabalho, considerando-se que muitos não recebem mais do que o equivalente a 6 dólares (não leram errado ! Seis dólares ) mensais, caso de uma camareira de hotel, por exemplo. Em Cuba, ter telefone é artigo de luxo mesmo para um médico. Logo, não há comparação possível que sirva de consolo aos cubanos escravizados pelo Estado em nome de um “mundo melhor” … para a família Castro e camarilha, “por supuesto”.

  4. Carlos aceveda
    agosto 29th, 2010 a las 16:26

    Ola Yoani

    No Brasil convivemos com tarifas caríssimas também, nosso problema não é a falta de concorrência, as grandes empresas de telefonia financiam campanhas políticas e não são incomodadas pelo poder público em relação às tarifas.

    O minuto do celular pré-pago, custa R$ 1,30, mais ou menos, 70 centavos de dolar.

    Abraços
    Carlos Aceveda

  5. Twitter Trackbacks for Geração Y / Generación Y » Faça-me uma chamada perdida [desdecuba.com] on Topsy.com
    agosto 28th, 2010 a las 15:59

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  6. RIVER
    agosto 26th, 2010 a las 18:09

    Não compreendo como há gente que se reve numa bandeira encharcada de sangue, vertido por milhoes de povos assassinados as garras crueis dos varios estalines que o comunismo criou, como os Castros.

    Pablo Pacheco

    Jornalista cubano independente, condenado a vinte anos de prisão durante a Primavera Negra de 2003. Está atualmente na penitenciária de Canaleta, Ciego de Ávila.

    Os castros são outro subproduto desse tenebroso sistema que castra a liberdade com prisão.

    Viva Cuba Livre e Democratica
    A hora esta a chegar

  7. do brasil
    agosto 26th, 2010 a las 15:48

    puxa vida, que texto… resume tudo em 50 anos, essa vai com todo o carinho pra gabriel, depois dessa vc decide de que lado fica , do bem ou do mal… a escolha e tua, e por tudo na terra um dia seras cobrado no juizo final.

  8. maisvalia
    agosto 26th, 2010 a las 12:42

    Parabéns A.Smith pelo belo texto.

    Nada, mas nada mesmo a acrescentar.

    Não sei como alguém pode ler o seu texto e continuar acreditando nas maravilahas da ilha paraíso.

    E só a sua invenção da rolha socialista já lhe daria um prêmio, hehehe

    Mas como nasce um idiota a cada segundo no mundo, as fantasias dementes dos comunistas ainda continuarão a escravizar e matar.

  9. A.Smith
    agosto 26th, 2010 a las 11:01

    DIZ-ME COM QUEM ANDAS E TE DIREI QUEM ÉS.
    Fidel Castro chegou ao poder em Cuba pisando sobre os cadáveres que ele mesmo foi deixando na trajetória. Ah, mas combatia uma ditadura assassina. Sim, mas igualou-se a ela ao usar os mesmos métodos. Pior. Ao chegar ao poder já não havia mais resistência; o ditador a derrubar havia fugido e com ele os simpatizantes mais poderosos. Os que ficaram na ilha não tinham nenhum poder para se contraporem aos vencedores barbudos, mas esses continuaram matando e torturando furiosamente. “…hemos fusilado, fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario.” Eis a afirmação de Guevara, na ONU, para que ninguém tivesse dúvida. É de se perguntar: “Necessário pra atingir o quê? Isso que vemos depois de cinqüenta anos?” Mas o fanático barbudo não se contentou. Ser carrasco só dos cubanos era pouco. Chamou (ou obrigou) a multidão à praça, subiu no palanque, apontou o dedo para o norte e decretou que os Estados Unidos da América era seu maior, pior e mais desprezado inimigo. Insano, nem considerou que o inimigo escolhido era infinitamente maior e mais poderoso, sob todos os pontos de vista, além de também ser perigoso, orgulhoso e guerreirista, pois afinal é filho da “pérfida Albion”. Ao criar tal confronto gratuito não falava do governo do país vizinho, não. Referia-se ao povo norte-americano. Apoderou-se de seus bens na ilha, nacionalizou seus empreendimentos (alguns centenários) gritou impropérios, esbravejou, insultou e não satisfeito mandou vir da URSS mísseis balísticos com capacidade para levarem armas letais, mirou-os contra o país vizinho e cedeu a ilha para plataforma de lançamento do que deveria destruir o auto-escolhido inimigo. Quando o general russo o alertou que, certamente, a primeira coisa a desaparecer do mapa seria sua própria ilha, com tudo o que tinha dentro, mesmo assim insistiu na macabra idéia, a ponto do poderoso aliado tachá-lo de louco. Realmente não havia outro adjetivo a ser usado. Entupiu o mar do caribe de fugitivos da ilha (vide “Remolcador 13 de marzo”) e Miami de refugiados patrícios, mandou espiões para o país odiado, a quem culpa por todos os males da humanidade, mas não aceita um embargo meia boca, envergonhado, quase inócuo. Quer porque quer que o “inimigo” torne as coisas mais fáceis para ele que se julga o gênio bom da humanidade. Só para seres viventes que não merecem ser chamados de gente, detentor de tal cérebro pode ser considerado um líder, um amigo e ser chamado de querido. O fluxo de refugiados é de mão única: do paraíso cubano para o inferno norte-americano. Só em 1985, portanto 25 anos após a implantação do tão alardeado sistema socialista de bem estar geral, 250.000 cubanos deixaram a ilha, rumo ao mundo capitalista, debaixo de impropérios, xingamentos, bombardeio de ovos (que hoje fazem falta à alimentação do povo) e obrigados a entrar em barcos superlotados, pois o objetivo do louco era que afundassem e os passageiros morressem. Se não queriam viver sob suas botas, também não mereciam viver. Alguns morreram, realmente, para sua alegria por certo (“A embaixada do Peru e O Êxodo de Mariel”) e, para os esquerdistas do mundo, o paraíso não se concretizou por culpa do meio-embargo marotamente transformado em “bloqueio”. Culpa dos Estados Unidos que não têm dado uma força financeira, tecnológica, moral e espiritual ao auto-declarado inimigo, “querido líder” dos latino-americanos. Caquético, com os dias de vida contados, próximo a se entender com o além, ainda assim não apresenta o semblante de um avô bondoso, como seria natural e até desejável, mas ao contrário, continua com o mesmo semblante carregado, fechado, raivoso, com o senho franzido e os olhos injetados como se ainda, não farto, quisesse continuar castigando as pessoas próximas e distantes, assombrando como fantasma os que apenas querem viver uma vida normal. Ser amigo, admirador e até defensor de um monstro desses é ser monstro igualmente.

  10. do brasil
    agosto 26th, 2010 a las 08:56

    e tem gente aqui no brasil, que defende esse belo modelo… de miseria que se vive em cuba… em cuba se vive em regime.. regime de fome… regime de liberdade… quem esta indo pra ir desfrutar de toda essa maravilha e nosso amigo gabriel… ele vai adorar toda a modernidade que tem o povo cubano… se um medico não tem um telefone imagina…. quem trabalha no campo…kkkkk então vai la gabi, viver na idade da pedra…

  11. maisvalia
    agosto 26th, 2010 a las 07:47

    visita relâmpago

    Hugo Chávez esteve hoje em Havana com o ditador Fidel Castro, e seu irmão, o ditador-reserva Raúl Castro, numa visita não anunciada. O encontro foi informado pelo site cubadebate cu e pela tevê estatal da pobre ilha. Fidel recebeu o seu dono num encontro “emotivo e fraternal” e conversaram “por cinco horas”.

    O tema, segundo o “noticiário” local, focou em particular “os graves riscos de uma guerra nuclear”, tema que tem ocupado o ditador em seus últimos discursos e textos. E Chávez “reconheceu o destacado papel de Fidel na conquista de uma consciência universal para evitar uma conflagração nuclear de incalculáveis consequências para o gênero humano”.

    Chávez já deixou a ilha. Mas antes, recebeu o Raúl Castro, para despachos e um papo versando “o desenvolvimento dos exemplares vínculos políticos e econômicos” entre Cuba e Venezuela. Que são basicamente a ajuda venezuelana, com 100 mil barris diários de petróleo e derivados, que a ilha retribui com serviços médicos, professores, treinadores esportivos e assessores em outras áreas. Cubanos sortudos, que boa parte aproveita a ida à Venezuela para fugir da ilha comunista por lá, sem ser a nado ou em balsas sobre tambores. Uma parte consegue ir para os EUA, e outra foge para os países vizinhos.

    Cigarros cortados
    A ditadura cubana anunciou hoje que vai suspender o fornecimento de cigarros subsidiados a 2,5 milhões de idosos do país. A partir do dia 1º de setembro, eles não virão mais nos suprimentos dos idosos e eles terão que pagar o preço cobrado nas lojas do país.

    Todos os cubanos de 55 anos ou mais velhos tem direito de receber três maços de cigarros fortes e um maço de cigarros suaves, junto com estes suprimentos.

    O custo total destes quatro maços é cerca de R$ 3, cerca de um quarto do que custam nas lojas. Trabalhadores cubanos recebem salários médios de cerca de R$ 35. E os cigarros farão falta porque muitos dos velhos os vendem para ajudar na aposentadoria. O sistema foi introduzido em 1962. E, até 1990, todos os cubanos acima de 18 anos recebiam cigarros subsidiados, mas foi suspenso depois do colapso da União Soviética, que deixou Cuba quase falida. Trem Azul

  12. Jambalaia
    agosto 25th, 2010 a las 22:22

    .

    Eu tenho um telefone celular de cada operadora.

    Foi-se o tempo que se colocava na declaração de imposto de renda, o telefone.

  13. Manoel Francisco Gomes
    agosto 25th, 2010 a las 21:58

    Com a privatização dos telefones, uma das empresas chega a oferecer o aparelho celular grátis, ou pelo valor simbólico de 1 real ( para ligações pós-pagas ). Pelo menos é o que tem acontecido num supermercado ao lado de minha casa.

  14. maisvalia
    agosto 25th, 2010 a las 21:34

    Eu me lembro da triste época do monópolio estatal da telefonia na banânia, que os esquerdopatas petralhas tanto adoravam e querem reviver para terem tetinhas para suas boquinhas mamarem, em que os telefones eram tão caros que deviam ser declarados como bens no imposto de renda e UM ÚNICO CELULAR CUSTAVA PARA HABILITAR A BAGATELA DE 4.000 DÓLARES, FORA O APARELHO.
    QUANDO O SÉRGIÃO MOTTA, DE BOA LEMBRANÇA, PRIVATIZOU A MERDA ESTATAL, ELE FALOU QUE COMPRARIAMOS CELULARES EM SUPERMERCADOS A PREÇO DE BANANA E EU NA ÉPOCA ACHEI QUE ERA CONVERSA MOLE, TÍPICA DOS PETRALHAS ATUAIS, MAS, FELIZMENTE, EU MORDI A LÍNGUA, HEHEHEHE.