Aluga-se um pouco de emoção
O homem entrou na pequena livraria El Cóndor cuja vitrine está voltada para o muro que delimita a universidade de Zürich. “Busco livros de Corín Tellado” falou baixinho e eu fui até o computador em que ele teclava os últimos títulos chegados de Buenos Aires, Madrid ou México D.F. Em sua voz sentia-se ainda o sotaque de Havana, talvez porque estava há pouco tempo em contato com o dialeto suiço-alemão que terminaria por dar outra cadência às suas palavras. Disse que era do bairro La Víbora e que também precisava – com urgência – de umas revistas espanholas no estilo da Hola.
María Mariotti – a dona do local – acercou-se para lhe explicar que não tinha nem um nem outro, mas que podia pedí-los às distribuidoras. Que títulos queres? Indagou a pequena mulher metade peruana e outro tanto japonesa. “Todos os que se possa conseguir. São para minha mãe que vive delas” – ele declarou – tratando de justificar seu interêsse insistente pela novelas róseas. Contou que na falta de dinheiro para enviar à Cuba, cada mes tratava de fazer chegar até sua família algumas publicações que poderiam ser alugadas para outras pessoas. O negócio incipiente consistia em alugar revistas como Vanidades ou Gente, por cinco pesos cubanos, à uma ampla comunidade de leitores que ansiavam por ter novas edições. Os clientes podiam ficar uma semana com os desejados textos e depois estes continuavam de mão em mão até que a deterioração obrigava a retirá-los de circulação.
Poucos dias depois daquele pedido peculiar, minha amiga partiu para a feira do livro em Barcelona (2003) onde se oferecia uma homenagem à Maria del Socorro Tellado López. Conseguiu aproximar-se e contar-lhe sobre a família do outro lado do Atlântico que sobrevivia cada mes graças a sua caneta. A autora de Doloroso engaño (1990) se impressionou com a história e lhe entregou uma seleção com cinquenta dos seus títulos, acompanhados de uma carta manuscrita para a senhora de La Víbora. Aquele presente fez soluçar de agradecimento a livreira da Suiça e especialmente o filho da bibliotecária alternativa. Ele sabia muito bem o que representavam aqueles novos exemplares acrescentados à coleção materna. Suas páginas conseguiriam que numa deteriorada casa de Havana houvesse mais sabão, algum azeite, outro pouco de pão, sapatos para os meninos e sonhos para dezenas de vizinhos.
Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto
















junio 29th, 2010 a las 15:26
“Empedrenidos”, no te callas ? O que diabo é isso? Eu conheço o termo “empedernidos”. Erro de digitação?
É típico de comunistas chamar os que não são de fascistas. Até a década de 40 do século passado, fazia sentido, porque havia uma disputa entre os nazi-fascistas e os comunistas. Nenhum deles presta. Fascista não tem nada a ver com liberalismo, que é o que defendemos aqui. Você realmente precisa estudar um pouquinho.
Eu também digo: fascismo nunca mais ! E grito: liberdade aos países que se mantêm sob o domínio de ditaduras, sejam comunistas ou de qualquer natureza! Aliás, Cuba, assim com a Coreia do Norte, são acima de tudo, ditaduras familiares. É só ver como acontece a sucessão em cada uma delas. Em Cuba foi para o irmão; na Coreia do Norte, passa de pai para filho, como numa dinastia. O partido existe só para obedecer ao ditador.
O importante é a democracia. É isso que você não consegue entender.
junio 29th, 2010 a las 11:26
“fascistas empedrenidos”
Ó portuga anarfa.
Quem fez acordo com os fascistas e nazistas forma os comunistas que você tanto adora, seu idiota!
Churchill ao que consta era democrata liberal, seu calhorda.
Não chame os outros daquilo que você sabe que é, seu esquerdopata primata.
E para arrematar, vá se roçar nas ostras cubanas dos ditadores assassinos que você, ó estupido, tanto adora!
junio 29th, 2010 a las 08:51
Vocês não só são ingénuos como mentecaptos…tudo que contradiga os vossos fanatismos politicos é suspeito ou de “esquerdopatas”…assim se faz democracia…tipico de fascistas empedrenidos…
25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!
junio 28th, 2010 a las 16:52
Eu ingenuamente acreditava que o analfabeto político e desinformado “no te callas” já tivesse ido “se roçar nas ostras cubanas” e ficado por lá, zanzando pelas praias de Havana.
junio 28th, 2010 a las 15:27
“A menos que o governo dos Estados Unidos, mude o seu comportamento, esta nação está condenada.”
Bom mesmo é morar na ilha prisão socialista, pois lá não se permite que um idiota destes possa expressar suas cretinices em público ,hehehehe
Só um esquerdopata para acreditar no que fala um demente.
Ele se preocupa e critica a maior democracia do mundo e defende a mais longeva ditadura do planeta.
Vá se roçar nas ostras cubanas seu babaovo de tiranias assassinas.
junio 28th, 2010 a las 11:30
The Psychopathic Criminal Enterprise Called America
The Government uses the Law to Harm People and Shield the Establishment
(tradução automática Google)
by Prof. John Kozy
A maioria dos americanos sabe que os políticos fazem promessas que não cumprem, poucos sabem que os políticos fazem promessas que não dispõem dos meios para cumprir, como a postura política do presidente Obama sobre a catástrofe da Horizon nas águas profundas do Golfo do México deixa perfeitamente claro.
Obama fez as seguintes afirmações:
Ele disse que a sua comissão “independente” ia investigar o vazamento de petróleo do Golfo para “examinar cuidadosamente o desastre e as suas causas para garantir que nunca a nação enfrente uma catástrofe como essa novamente.” Afora o fato de que as comissões presidenciais têm uma história de fornecer relatórios duvidosos e recomendações ineficazes, será que alguém realmente acredita que uma forma pode ser encontrada para evitar acidentes de acontecer mais alguma vez? Mesmo se as conclusões e recomendações comissões sucesso na redução da probabilidade de acidentes desse tipo, não é esse desastre provar que ele só tem um? E eventos improváveis acontecem todos os dias.
O presidente disse que, “se as leis são insuficientes, elas vão ser mudadas.” Mas nenhum presidente tem essa capacidade, só o Congresso e o presidente com certeza sabe como é difícil conseguir que o Congresso realmente mude alguma coisa . Ele também disse que “se a supervisão do governo não foi duro o suficiente, que vai mudar também.” Será que vai? Mesmo que ele trocasse cada pessoa em posição de supervisão, ele não pode garanti-lo. As pessoas que estão nas posições de regulação têm laços com os sectores que supervisionam e podem aspirar para a frente a postos de trabalho nas indústrias lucrativas quando deixam o serviço governamental. Como o dinheiro enquanto lobby corporativo é permitido para influenciar a acção governamental, nem do Congresso nem dos reguladores se pode esperar para mudar as leis ou práticas regulatórias de forma a torná-las efectivas, e não há nada que qualquer presidente possa fazer sobre isso. Mesmo a tentativa do Congresso de aumentar o limite de responsabilidade corporativa para os derrames de petróleo US $ 75 milhões para US $ 10 bilhões já se transformou num problema.
O presidente disse que “se as leis foram quebradas, os responsáveis serão levados à justiça” e que a BP seria responsabilizado pelo desastre “horrível”. Ele disse que a BP vai pagar a conta, e BP disse que assume a responsabilidade pela limpeza e vai pagar uma indemnização por “legítima e objectivamente verificável” os pedidos de danos materiais, acidentes pessoais e perdas comerciais. Mas a “justiça” é processada nos tribunais americanos, e não pelo Poder Executivo. Todas as tentativas para responsabilizar a BP serão julgados no tribunal em passo de lesma o mesmo de que a responsabilidade pelo desastre do petroleiro Exxon-Mobile Alaska foi adjudicada e que provavelmente terá os mesmos resultados.
No caso Exxon Valdez, derramamento de óleo ocorrido em Prince William Sound, em 24 de março de 1989. Em Baker v. Exxon, um júri Anchorage concedeu 287.000 mil dólares por danos materiais e $ 5 bilhões para danos morais, mas, após dezanove anos de jurisprudência de apelação, o Tribunal Supremo em 25 de Junho de 2008 emitiu uma decisão a redução dos danos punitivos para 507.500 mil dólares, aproximadamente um décimo do prémio do júri original. Além disso, a quantia foi reduzida ainda mais por dezanove anos de inflação. Por esse tempo, muitas das pessoas que teriam que ser indemnizadas por esses fundos tinham morrido.
O “establishment” chama isso de justiça. E você? Nenhum daqueles que residem nos estados costeiros que acabará por ser afectado pelo desastre Horizon Deepwater realmente acredita que o presidente pode fazer algo com sua promessa de manter BP responsável.
Os políticos que se dedicam a esta postura dúplice sabem que não podem cumprir as suas promessas. Eles sabem que estão mentindo, mas eles fazem isso patologicamente. Aesop escreve: “Um mentiroso não será acreditado, mesmo quando ele fala a verdade.” Talvez por isso os políticos nunca o fazem.
O Governo nos Estados Unidos assenta na lei. Os Legisladores escrevem-na, os executivos devem aplicá-la, e os tribunais decidir sobre ela. Mas a lei é uma mentira. Dizem-nos para respeitar a lei e que ela nos protege. Mas não. Pense nisso gente! A lei e a aplicação da lei só entrará em jogo Vitium secundum (após o crime). A polícia não apareceu antes de você ser agredido, assaltado ou assassinado, pois eles vêm em seguida. Então, como que vai protegê-lo? Sim, se uma relação de confiança for violada, você pode processar se você puder pagar a justiça, e mesmo isso não é uma coisa certa. (Lembre-se as vítimas da catástrofe do Exxon Valdez,!) Mesmo se a pessoa que violou o relacionamento fica sancionada, vai ser “feito” tudo? O mais provável é que não! Basear-se na lei é um exercício inútil. É promulgada, imposta, e julgada por mentirosos.
A lei é um grande crime, muito maior do que as actividades que proíbe, e não há nenhuma maneira que você pode se proteger dela. A criação se protege. A lei não protege as pessoas. É apenas um instrumento de vingança. Só pode ser usada, muitas vezes ineficazmente, para voltar ao malfeitor. Nunca antes do crime. Executando o assassino não traz de volta os mortos. Colocando schemers Ponzi na cadeia não recebe seu dinheiro de volta. A BP ser responsabilizada e multada não restaura os pântanos da Louisiana, não vai trazer de volta a vida selvagem marinha morta e outras, e não vai compensar as vítimas por suas perdas. Observe cuidadosamente o que acontece nos próximos vinte anos, o governo usa a lei para proteger BP, Transocean, e Halliburton enquanto as reivindicações dos afectados pelo derramamento vai desaparecer na areia movediça do sistema legal americano.
Jim Kouri, citando estudos do FBI, escreve que “alguns dos traços de carácter exibido por criminosos ou assassinos em série podem ser observados em muitos dentro da arena política.”; Eles compartilham as características de psicopatas que não são sensíveis aos apelos altruístas, como a simpatia para as vítimas ou remorso ou culpa por seus crimes. Eles possuem os traços de personalidade de mentir, narcisismo, egoísmo e vaidade. Estas são as pessoas em quem temos confiado o nosso destino. Não é de espantar que a América está a falhar em casa e no mundo.
Alguns podem dizer que esta é uma reivindicação extrema, audaciosa. Eu também fiquei surpreso quando li a peça de Kouri. Mas a evidência anedótica disto é facilmente demonstrada: John McCain disse “bomba, bomba, bomba” durante a última campanha presidencial, em resposta a uma pergunta sobre o Irão. Ninguém no governo tem manifestado o menor pudor, sobre o assassinato de dezenas de milhares de pessoas no Iraque e no Afeganistão que não tinham absolutamente nada a ver com o que aconteceu em 9/11 ou o extermínio deliberado de mulheres e crianças por aviões não tripulados no Paquistão. E se nada distingue os serial killers desses funcionários públicos? Só que eles não fazem o assassinato em si, mas tem outros que o façam por eles. Mas isso é exactamente o que a maioria dos chefões da Cosa Nostra fez.
Assim, há questões que precisam ser colocadas: O governo dos Estados Unidos da América tornou-se uma empresa criminosa? É a nação governada por psicopatas? Bem, como pode o empobrecimento do povo, a promoção das guerras do complexo militar-industrial e sua matança genocida, a degradação do meio ambiente, o abandono da infra-estrutura em colapso, e o apoio a governos corruptos e autoritários (muitas vezes chamados democracias) no exterior pode ser explicado? Pior ainda, porque são empresas autorizadas a especular durante as guerras, enquanto as pessoas são chamadas a se sacrificar? Porque o governo não tentou proibir a exploração desse tipo? Não é que não pode ser feito.
No vernáculo, prejudicar as pessoas é considerado um crime. É tanto um crime quando feita por governos, por sistemas jurídicos, ou corporações. O governo usa a lei para prejudicar as pessoas ou um escudo contra o estabelecimento das consequências de prejudicar as pessoas o tempo todo. Veja como ninguém da Massey Energy Co. é perseguido pelo desastre na mina de carvão superior Big Branch. Quando as empresas são acusadas de irregularidades, eles sempre respondem que o que fez foi legal, mas legal não é sinónimo de direito. Quando os criminosos controlam, conseguem legalizar a criminalidade.
A menos que o governo dos Estados Unidos, mude o seu comportamento, esta nação está condenada. Ninguém no governo parece perceber que a desconfiança gera a dissimulação, a desconfiança gera desconfiança, suspeita e, eventualmente, desperta a censura. Não é que a falta de reconhecimento por parte do “establishment” um sinal de psicopatologia criminal?
*John Kozy é um professor aposentado de filosofia e lógica . Após servir no Exército E.U. durante a Guerra da Coreia, ele passou 20 anos como professor universitário e outros 20 anos trabalhando como escritor. Suas peças on-line podem ser encontrados no http://www.jkozy.com/
junio 23rd, 2010 a las 13:44
Será que lula lajá leu o pedido da Yoani? bem acho que nao… será que ele terá um dialogo com o ditador? ja que se diz que tudo tem que ser na base do dialgo… bem que ele poderia falar pra raul dialogar com a comissão de direitos humanos…… e em respeito ao topico onde se aluga ate revista em cuba… como tudo la esta em crise, na crise do acuçar pode beneficiar o povo, como la produziu muito acuçar foi justamente o que fidel deu nas o povo, pois o acuçar causa biabete e com isso a cegueira… agora o povo abrirá os olhosssssss
junio 23rd, 2010 a las 12:19
TRÊS ÓTIMOS POSTS DO ORLANDO. NO ÚLTIMO ELE ATÉ ME IMITA, HEHEHEHEHE
A lista dos piores ditadores do mundo
A Foreign Policy elegeu 23 dos piores tiranos do planeta. O primeiro da lista é o norte-coreano Kim Jong-Il, seguido de Robert Mugabe, do Zimbábue (amigo de Lula).
O tirano venezuelano Hugo Chávez (outro amigo de Lula) fica com a 17º posição, enquanto o cubano Raúl Castro (sim, sim, amigo de Lula também) ocupa o 23º posto.
Sobre Chávez, diz a revista que “o líder louco da revolução bolivariana promove uma doutrina de democracia participativa na qual ele é o único participante”.
Quanto a Raúl, zomba a FP: ficou entre os últimos talvez “porque tenha algum defeito intelectual que não lhe permita perceber que a revolução que lidera é antiquada”.
Ia esquecendo: Ahmadinejad (putz, pra variar, mais um amigo de Lula!) está em oitavo lugar.
Postado por Orlando Tambosi
Filho de general faz greve de fome em Cuba
Juan Almeida, que sofre de uma doença para a qual não há tratamento em Cuba, ficará em greve de fome até que o ditador Raúl Castro o deixe viajar para a Bélgica, onde reside sua família, que providenciou um médico.
O pai de Juan era o general Juan Almeida, “um dos poucos negros que acompanhou Fidel Castro em todas as suas aventuras revolucionárias” (morreu no ano passado).
Não, Frei Betto não pedirá pelo doente aos seus diletos amigos ditadores. E Lula, claro, também não se comoverá.
Direitos humanos não são para eles…
Postado por Orlando Tambosi
PT quer defender o que não tem
Só faltava esta: querer processar o candidato José Serra por “danos morais” contra esse bando ideológico que enlameou o país. O PT foi ferido em sua honra, geme José Eduardo Dutra.
Ora, ora, os petistas estão irados porque Serra os acusou de fabricantes de dossiês?! Por acaso os dossiês são obra do Espírito Santo?
Indenização por danos morais devem pedir todos os brasileiros pelo estrago feito pelos petistas nos últimos 8 anos.
Que vão se roçar nas ostras!
Postado por Orlando Tambosi
junio 23rd, 2010 a las 09:52
Manoel Francisco Gomes
É assim que surgirá o novo homem almejado pelos comunistas? Não foi diferente em outros países que adotaram este regime degradante e dele já se livraram, e continua sendo nos que ainda o adotam, além de Cuba.
O ideal comunista só produz degradação, desespero, terror e morte.
Só podemos esperar que não esteja longe o dia em que o povo cubano varrerá para o lixo da História o regime e as pessoas que o fizeram possível no país.
O pior é que, apesar de todas as informações disponíveis, ainda há idiotas que defendem ardorosamente a ditadura cubana. Um deles, célebre escritor português (José Saramago) laureado com o Prêmio Nobel, faleceu no último dia 18 de junho. Em que pese o eventual mérito de sua obra literária — discutível — foi um cúmplice dos desmandos cometidos pelos Castro. Outros, como ele, também emprestam o peso do prestígio e da fama para defender este regime criminoso. Infelizmente !
junio 23rd, 2010 a las 09:11
Trancrevo o texto de Laritza Diversent, do blog Jurisconculto Cubano, para que algum “Porqué no te callas?” da vida, em sua colossal ignorância, tome conhecimento de mais um exemplo de como é a vida real em Cuba. É a mesma coisa que acontecia em outras ditaduras comunistas que se livraram do regime, e é a mesma coisa em qualquer país que optou por esse regime de degradação humana, com seu discurso pretensioso de criar o “novo homem”. (mfgomes: 23/06/2010)
Meio de subsistência
jurisconsultocubapt | 23/06/2010 at 1:18 | Categories: Uncategorized | URL: http://wp.me/pRDrx-4q
Foto: Orlando Luis Pardo Lazo
Miguel era um trabalhador que há cinco anos trabalhava como cozinheiro numa empresa estatal. Levantava-se as três da madrugada para fazer uma viagem de mais de 12 kilômetros e chegar cedo ao trabalho. Seguiu todas as orientações do sindicato, cotizava e foi vanguarda em duas ocasiões.
O salário que recebia não lhe chegava para suprir suas necessidades econômicas. Não obstante, entre seus planos não estava a opção de abandonar o emprego. Tem uma esposa e três filhas menores para manter. Umas vezes mais e outras menos compensava as carências com o que alí havia.
Miguel levava parte dos alimentos do almoço dos outros trabalhadores para sustentar os seus. Azeite, frango, peixe, ovo, camarão, carne, grãos, etc. A necessidade o impelia a levar o que fosse. Era sua responsabilidade assegurar a subsistência imediata dos familiares a seu cargo.
Em algumas ocasiões, muito discretamente, vendia no bairro algum dos produtos que furtava. Com esse dinheiro cobria outros gastos. Suas filhas precisam de roupa de baixo e sapatos. Mercadorias que só são vendidas nas lojas arrecadadoras de divisas. Moeda que ele não recebe quando lhe pagam o salário.
Alguém delatou o que Miguel fazia. Foi despedido do centro e por ser sua primeira vez, o tribunal o condenou a seis meses de prisão por delito de furto, trabalhando como interno numa correcional de agricultura. Na sentença não levaram em conta os motivos que o impeliram a cometer os furtos. O sofrimento da sentença tampouco impede que, do seu novo trabalho, continue furtando alimentos para levá-los para casa quando sai de licença.
Antes do triunfo da revolução existia na legislação penal cubana a figura do furto famélico. Uma circunstância que, em alguns casos, eximia o autor da responsbilidade penal, e em outros, diminuía a pena. Avaliava-se quando uma pessoa, faminta ou indigente, apoderava-se dos objetos necessários para sua sobrevivência e das pessoas sob sua responsabilidade.
A justiça revolucionária eliminou esta figura do direito penal. Supostamente o novo sistema implantado em 1º de janeiro de 1959, atendia as necessidades de todos por igual. Havia se eliminado a vagabundagem, o desemprego, a mendicância e os vícios. Causas essenciais da miséria.
Visto assim era desnecessária essa figura no Código Penal. Para o legislador socialista ninguém, nas novas condições criadas, cumpriria o requisito de estado de necessidade extrema que o impeliria a cometer o delito de furto. Este é um país em que todos os cidadãos gozam da oportunidade e do direito ao trabalho.
É irônico que seja hoje precisamente a classe “proletária” cubana que se encontre num estado de necessidade tal que se vê obrigada a furtar os recursos do Estado para sobreviver e manter sua família. Este é um dos problemas sociais que mais afeta a economia nacional e que o governo enfrenta sob o título “a luta contra as ilegalidades”.
À benévola justiça revolucionária interessa mais penalizar como efeito exemplar do que perdoar um feito delitivo cometido por necessidade. A revolução, 50 anos depois, demonstra ser incapaz de atender por igual as necessidades da população. Aumenta a vadiagem, a indigência e as corrupções. O “pleno emprego” por sí só é insuficiente para fazer desaparecer a miséria, o estado de necessidade e, com ele, a figura do furto famélico.
A história de Miguel se repete em muitas famílias cubanas. Pode ser contada de diferentes formas e com outros personagens. A realidade é uma: a situação econômica que o país atravessa. A maioria dos trabalhadores vinculados laboralmente ao Estado convertem o furto num meio de vida indispensável para subsistir.
Laritza Diversent
junio 22nd, 2010 a las 16:11
Eu sei, por isso o título.
Esquerdista perde o pelo, mas não perde o vício.
Deveria ter colocado que acertou em parte.
É que para os idiotas esquerdopatas, ser de esquerda significa se humanitário, hehehehe.
Mas eles são assassinos violentos desde a revolução francesa, onde surgiram como cães raivosos.
Deveriamos prestar maior atenção à Revolução Gloriosa, mas como somos idiotas latinoamericanos….
junio 22nd, 2010 a las 15:35
maisvalia,
Não posso dizer que não gostei de ler o texto de Jabor. Há nele algumas afirmativas que parecem ir direto ao fígado (desculpe-me por não ter encontrado expressão melhor no momento ) da bandalha esquerdista alojada no governo. Reconheço, entretanto, que fiz apenas uma leitura ligeira, sem atentar para o passado do articulista. Será que ele acertou mesmo ? Há quem discorde. Só para nostrar uma outra visão, transcrevo abaixo o artigo de Nivaldo Cordeiro, a quem eventualmente leio. (mfgomes:22/06/2010)
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado
AS TOLICES DO ARNALDO JABOR
22 de junho de 2010
Uma leitura descuidada do artigo publicado hoje no Estadão (“O povo pensa que dossiê é doce”), do Arnaldo Jabor, pode levar o leitor desavisado a achar que o astro global se regenerou de sua esquerdice genética. Um engano colossal. Quando ele escreveu que gostaria de ver autocrítica de Marco Aurélio Garcia, nos moldes do stalinismo soviético ou chinês, sem explicar ao leitor o que foram essas autocríticas, ele passa a impressão de que há um passado idílico das ditaduras democrático-popular do totalitarismo comunista.
Aquelas supostas confissões nem eram confissões e nem eram para valer. Eram apenas um instrumento totalitário para humilhar e esmagar os supostos inimigos dos ditadores de plantão. Depois das confissões quase sempre havia fuzilamento ou prisão nos campos gelados da Sibéria. Repetir uma experiência dessas entre nós para enquadrar os “erros” de MAG é uma analogia que não procede: nem somos uma ditadura do proletariado e nem MAG ─ o Maléfico “top-top” ─ caiu em desgraça. Muito ao contrário, ele cada vez mais dá pinta de ser o secretário-geral do comitê central secreto do PT. É o manda-chuva.
Na visão dos poderosos do PT não houve nenhuma falha, apenas a correlação de forças mundial não tem permitido que sua visão iluminada tome conta do real. Jabor sabe disso perfeitamente e, a pretexto de fazer a crítica, encobriu o que há de mais essencial na estratégia revolucionária. Ainda por cima encobriu com uma leitura estúpida do passado comunista.
Jabor escreveu: “Depois que conseguiram entrar no Estado, através de Lula, os velhos esquerdistas perderam a aura mística, a beleza romântica que tinham na clandestinidade que os santificava. Eu conheci muitos heróis, sonhando realmente com a revolução, mesmo que utópica, mas honestos, sacrificando-se, morrendo. O comunista romântico não vemos mais”.
Veja, caro leitor, quanta mentira está escrita nesse curto parágrafo apologético. A beleza romântica exaltada por Jabor nunca existiu. Os velhos comunistas eram um bando de celerados que queriam, a ferro e fogo, implantar a ditadura do proletariado, isto é, deles mesmos. Nenhum deles era herói, eram um bando de alucinados que, quando confrontados com as forças da ordem, miavam como gatinhos. O caso mais conhecido é o de José Genoino, a dar crédito ao Coronel Lício, que o prendeu e quem recebeu a confissão integral do aloprado conterrâneo meu.
Revolucionário utópico (pleonasmo vicioso) jamais é honesto. A mentira é parte integrante da estratégia revolucionária e Jabor sabe disso perfeitamente. O sonho revolucionário é o sonho de Chê Guevara, o sonho sanguinário genocida que tem matado populações inteiras em toda parte. Não se pode nem por retórica elogiar essa corja de assassinos. É preciso dizer deles o que são: malfazejos, gente ruim que quer moldar o mundo à sua imagem e semelhança, ignorando o que os homens, enquanto tal, são.
“Esse quadrilheiros usurparam os melhores conceitos da verdadeira esquerda que pensa o Brasil no mundo atual, um esquerda reformada pelas crises internas e externas, que se conscientizou dos erros da agenda clássica”, completou. Mais soporífero para os leitores. Primeiro, não há meros “erros da agenda clássica”, mas crimes monstruosos contra a humanidade. Essa esquerda “verdadeira”, se renunciou à violência revolucionária, não renunciou a outros crimes hediondos. A social-democracia construiu o mais amplo e profundo sistema de roubo estatal de todos os tempos, na forma da exorbitante carga tributária, que agora entrou em colapso. A crise mundial atual é a crise dessa forma de roubo institucional, que não poderá ser mantido. Os clarins dos novos tempos tocaram na Grécia e em toda parte, onde o roubo precisa ser eliminado ou diminuído. Tocará por aqui também.
“Eles injuriam e difamam o melhor pensamento de uma esquerda contemporânea, em nome de uma ‘verdade’ deformada que teimam manter”. Mais mentiras do Jabor. Variações de uma tonalidade de uma cor não depõem contra a sua forma pura. Ser de esquerda é que é a grande mentira existencial, a barca furada, o crime contra a humanidade. O stalinismo é mais homicida, a social-democracia mais ladra. Ambas, todavia, querem moldar o mundo para praticar seus crimes impunemente.
No final do artigo, em um relance de lucidez que nada tem a ver com a lógica do artigo, ele escreveu: “A única revolução no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a Nação, com gastos crescentes e que só tem para investir 1,5% do PIB”. É o lado “neoliberal” da social-democracia, que tenta resgatar a ciência econômica do liberalismo clássico sem, todavia, abrir mão de sua ladroeira instintiva. Está contida no artigo toda a loucura esquizofrênica da modernidade.
junio 22nd, 2010 a las 12:22
Maisvalia como se diz aqui no Norte, “ÉGUA”, hoje tu foste PAID”EGUA.
junio 22nd, 2010 a las 11:42
mais do Janer
Dito isto, sempre fui tido como homem de direita. Pelas mais variadas razões. Primeiro, porque não sou nem nunca fui comunista. Para os comunistas, quem não é comunista é de extrema direita. Segundo, porque além de não ser petista abomino o PT. Para um petista, quem não é petista só pode ser de direita. Terceiro, porque não tenho papas na língua na hora de condenar ditaduras comunistas. Quarto, porque não considero Fidel nem Che libertadores do continente, mas operosos assassinos. Quinto, porque não hesito em afirmar que Francisco Franco salvou das garras de Stalin não só a Espanha como também a Europa. E por aí vai.
junio 22nd, 2010 a las 11:40
Domingo, Junho 20, 2010
SARAMAGO E NETCHAIEV
Minhas considerações sobre a morte de um dos mais ilustres stalinistas do século XXI geraram um efeito inesperado. Já recebi não poucos mails defendendo, não propriamente Saramago, mas o atentado às torres gêmeas. Recebi inclusive uma longa lista das invasões dos Estados Unidos mundo afora. Como se eu, algum dia, tivesse feito a defesa da política externa americana. Os americanos são responsáveis por não poucos massacres pelo mundo todo e não serei eu a negar o óbvio.
Uma leitora argumenta que os Estados Unidos provaram de seu próprio veneno ao terem treinado Bin Laden contra os russos. Vá lá. Os Estados Unidos também apoiaram Saddam Hussein na guerra contra o Irã. Longe de mim apoiar a cínica estratégia ianque. Daí a jogar dois aviões cheios de civis que nada têm a ver com o peixe contra dois prédios cheios de civis que tampouco nada têm a ver com o peixe vai uma longa distância. Entendo um ataque ao Pentágono ou à Casa Branca. Mas não consigo entender jogar inocentes contra inocentes.
Volto a Saramago. Se condenou os desmandos americanos, jamais disse uma palavrinha contra os crimes dos comunistas, fossem chineses, soviéticos ou cubanos. A teoria do terror tem suas origens no país onde eclodiu a revolução comunista. Em meados do século XIX, surgiu na Rússia tzarista um pequeno manifesto intitulado O Catecismo do Revolucionário, escrito na Suíça e assinado por dois revolucionários russos, Serguei Guennadovich Netchaiev e Mikhail Bakunin.
Este panfleto tem sido até hoje a cartilha que inspirou todo terrorismo do século seguinte, desde Lênin, Stalin, Yasser Arafat, George Habash, Wadi Haddad, Carlos, o Chacal, Che Guevara, Aloysio Nunes Ferreira, Lamarca, Marighella e Fernando Gabeira, etarras ou OLP. Entre milhares de outros, bem entendido. (Se alguém não lembra mais quem foi Aloysio Nunes Ferreira, eu ainda lembro. Foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique). As estratégias do catecismo influenciaram todo o século passado e foram utilizadas pela Frente de Liberação Nacional na Argélia, pelo Vietcong no Vietnã, e pelos movimentos guerrilheiros latino-americanos, entre outros.
Netchaiev tinha 22 anos na época da publicação do panfleto. Sem poder matar um tirano, acabou matando um estudante, Maxim Ivanov – suspeito injustamente de ser agente duplo da Ochrana, polícia política tzarista – o que lhe valeu o afastamento de Bakunin, que reprovou sua “repugnante tática”. Netchaiev, condenado a 25 anos de prisão, continua conspirando mesmo entre as grades, planejando inclusive o assassinato do tzar.
Morre nas masmorras da fortaleza Pedro e Paulo, em São Petersburgo, após doze anos de reclusão. Segundo o manifesto, “é necessário que o revolucionário, duro para com ele próprio, o seja também para os outros. Todas as simpatias, todos os sentimentos que poderiam emocioná-lo e que nascem da família, da amizade, do amor ou do reconhecimento, devem ser sufocados nele pela única e fria paixão da obra revolucionária. Para ele não existe mais que um prazer, que uma consolação, que uma recompensa, que uma satisfação: o sucesso da Revolução. Não deve haver, dia e noite, mais que um pensamento e um objetivo: a destruição inexorável. E prosseguindo com sangue frio e sem descanso a realização deste plano, deve estar pronto a morrer, mas pronto a matar com as suas próprias mãos todos aqueles que se oponham à sua realização”.
Segundo Bakunin e Netchaiev, “a nossa tarefa é de destruir, uma destruição terrível, total, implacável, universal”. Os autores pregavam ainda a necessidade de se unir “ao mundo selvagem dos bandidos, este verdadeiro e único meio revolucionário da Rússia”.
Sensível aos movimentos subterrâneos de sua época, Dostoievski toma Netchaiev como personagem em Os Possessos. Na obra, um outro personagem, Ouspenski, pergunta a Netchaiev:
- Que direito temos de tirar a vida de um homem?
- Não se trata de direito – diz Netchaiev – mas de nosso dever de eliminar tudo o que prejudica a causa.
A Rússia também provou de seu próprio veneno, quando mulheres-bomba chechenas se explodiram no metrô de Moscou, matando nove pessoas, e em dois aviões russo, matando outras 89. Os chechenos, ou ossetas, ou árabes – que também estavam entre os terroristas – apenas seguiam uma antiga tradição russa. Durante a Guerra Fria, a União Soviética – liderada pela Rússia – usou e abusou do terror. Nos campos de treinamento de Aden, Baalbek e Beirute, formaram-se os quadros que saíram a seqüestrar e matar mundo afora. Seu dever era eliminar tudo o que prejudicasse a causa.
O Brasil que o diga. Em 1935, antes mesmo da ativação destes campos, Luís Carlos Prestes, assessorado por um grupo de terroristas internacionais a mando de Stalin, voltou ao Brasil para defender a “causa”, isto é, a sovietização do país. Derrotada a Intentona, em 64 a União Soviética, desta vez tendo Cuba como ponta de lança, tenta de novo a conquista do país. Tentativas semelhantes ocorreram na Argentina, Uruguai e Chile.
Como a Revolução devia atingir o orbe todo, África e Ásia também foram manchadas de sangue. O saldo, segundo os autores de O Livro Negro do Comunismo, foi de cem milhões de cadáveres. A Europa, como santuário de terroristas do mundo todo, foi relativamente poupada. Em A Rede do Terror, a jornalista Claire Sterling nos mostra que até a Suécia, a pacata e aprazível Suécia de Olof Palme, foi uma mãe para terroristas de todos azimutes. Não bastasse abrigar carinhosamente os assassinos, chegou a fornecer 300 jovens suecos ao al-Fatah, para serem treinados em campos de guerrilha na Argélia, em 1969. Esta mesma complacência – e generosidade – em relação ao terrorismo, pode ser atribuída também a países como a França ou a então Alemanha Ocidental.
Em 1991, quando o império soviético se fragmentava, a Chechênia proclamou a independência da Federação Russa. Moscou não a reconheceu, mas esperou até dezembro de 1994 para intervir militarmente. Os combates se prolongaram até agosto de 1996. Saldo da chamada primeira guerra da Chechênia: cerca de 15 mil soldados russos, 10 mil guerrilheiros e mais de 80 mil civis mortos. Grozni, a capital chechena, foi arrasada a bombas e 80% da cidade foi destruída. O número de refugiados chegou a 350 mil. Claro que tais ações não inspirariam aos chechenos sentimentos exatamente amorosos.
Ou seja, massacres e terror não são exclusividade ianque. Quem quer que condene os EUA por suas invasões, tem também de condenar a Rússia pelas suas. Quem quer que defenda o atentado ao World Trade Center – como fez o prêmio Nobel luso – está seguindo a cartilha do terror de Netchaiev.
- Enviado por Janer Cristaldo
junio 22nd, 2010 a las 11:28
ÀS VEZES ELE ACERTA
‘O povo pensa que dossiê é um doce’
Arnaldo Jabor – O Estado de S.Paulo
Não me esqueço de um ataque de riso, muitos anos atrás, quando ouvi a autocrítica de um alto dirigente do PC da China, durante a revolução cultural. Quem foi? Lin Piao? Não me lembro. A “autocrítica” era um dos velhos hábitos comunas, uma espécie de confissão católico-vermelha, só que aos berros diante das massas. E o dirigente se criticou: “Eu sou um cão imperialista, eu sou o verme dos arrozais da China, eu sou a vergonha do comandante Mao…”
Queria de volta as autocríticas do tempo de Mao. Queria ver o Marco Aurélio Garcia, por exemplo, bater no peito se confessando: “Eu sou a praga do cerrado, eu sou um bolchevista fingindo de democrata. Acabei com o prestígio de Lula lá fora, beijando o Armadinejad, isolei o Brasil e provavelmente perderemos mais de US$ 3 bilhões em benefícios que os Estados Unidos nos davam para exportações, além da sobretaxa do etanol, que será mantida!”
Depois que conseguiram entrar no Estado, através do Lula, os velhos esquerdistas perderam a aura mística, a beleza romântica que tinham na clandestinidade que os santificava. Eu conheci muitos heróis, sonhando realmente com a revolução, mesmo que utópica, mas honestos, sacrificando-se, morrendo. O comunista romântico não vemos mais.
Hoje, eles não se consideram eleitos por uma democracia, mas guerreiros políticos que “tomaram” o poder. Vemos isso nos milhares de insultos no twitter, emails e bloguinhos que espoucam na internet. Recebo centenas, como outros jornalistas. São apavorantes os bilhetes na web: ofensas e ameaças. Não há uma luta por ideais, mas uma resistência carregada de ódio e medo daqueles que podem, eventualmente, tirar seus privilégios: os “canalhas neoliberais”…
Esses quadrilheiros usurparam os melhores conceitos da verdadeira esquerda que pensa o Brasil no mundo atual, uma esquerda reformada pelas crises internas e externas, que se conscientizou dos erros da agenda clássica. Eles injuriam e difamam o melhor pensamento de uma esquerda contemporânea, em nome de uma “verdade” deformada que teimam em manter. Esse crime abstrato muitos intelectuais e artistas não vêem, por temor ou ignorância. Falam de um lugar que seria da “esquerda”, mas que é o lugar de baixos interesses pelegos, de boquinhas a defender ? uma versão de socialismo decaída em populismo. Se dizem de esquerda, mas são de direita, para usar seus termos. Não só pilharam bilhões de reais de aparelhos do Estado, em chantagem com empresários, em fundos de pensão, contratos falsos, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos. E não é só a mentira que é vergonhosa. É a arrogância com que mentem, ao se apropriar do controle da inflação e de todas as reformas que o governo anterior lhes deixou, que eles chamam de “herança maldita”.
Não há mais “autocrítica”. Hoje temos o desmentido. O “desmentido” é o arrependimento do “se colar colou”. Quando uma ação revolucionária dá “chabu”, basta desmentir e ainda dizer que foi tudo invenção da vítima. Assim foi o caso Celso Daniel, o caso dos “aloprados” de São Paulo, das cuecas, tudo. “Nunca antes” um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema assim, um plano secreto de “desapropriação” do Estado, para fundar um “outro Estado” ou para ficar 20 anos no poder.
E agora no caso do “dossiê” contra o PSDB e Serra, mentem tranquilos: é a ”mentira revolucionária”. Lembro-me do Lula rindo do dossiê dos “aloprados”, dizendo: “Deixa pra lá… o povo nem entende o que é dossiê… pensa que é doce de batata… de abóbora…”
Como não têm um programa moderno para o Brasil, a não ser o imaginário sarapatel de ideologias que vão de um leninismo mal lido, passando por um getulismo tardio, uma recauchutagem de JK fora de época, eles escondem sua incompetência se dedicado à parte “espiritual” da velha ideologia: controle, fiscalização, tutela, espionagem e censura.
Agora, estamos assistindo ao início da “porrada revolucionária”, com os “militantes” atacando os “inimigos” do povo. É o zelo dos peões, dos pés-de-poeira, que se acham os guerreiros de uma missão bélica para impedir que os burgueses do PSDB ganhem ? (se aliam ao Sarney e Collor e dizem que Serra e FHC, que passaram mais de uma década no exílio são “fascistas neo liberais”… Pode?)
Os brutamontes da militância se acham imbuídos de uma missão sagrada: “Eu taquei um pé nos cornos daquele tucano filho de uma égua, esfreguei a cara dele no chão até ele gritar “Viva a Dilma!” É isso que é golpe de esquerda, não é, companheiro?”
Outro feito dos bolchevo-pelegos no poder é a desmoralização do escândalo. As verdades e delitos aparecem, mas, por negaças, recursos políticos e protelações o escândalo definha, entra em agonia e morre. Quantos já houve? Stalin apagava das fotos os membros do partido que ele expurgava; portanto, nunca existiram. Tudo é absolvido pela “mentira revolucionária”, porque ela vem por uma “boa causa”.
Quase todos esses cacoetes derivam de um sentimento: “Somos superiores.” Quando eu era estudante, um dirigente do PC dizia sempre: “Não estamos com a doutrina certa? Então… é só aplicá-la.” Essa “certeza superior” é encontradiça em homens-bomba, em bispos vermelhos. O autoritarismo e a truculência não são privilégio de fascistas.
A única revolução no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a nação, com gastos crescentes e que só tem para investir 1,5% do PIB. A única revolução seria administrativa, apontada para a educação e para as reformas institucionais, já que, graças a Deus, a macroeconomia herdada foi mantida e a economia mundial se dirige a países emergentes.
O Brasil está pronto para decolar, se modernizar e essa gente quer segurar o avião em nome de interesses de um patrimonialismo de Estado e de um socialismo morto que, em seu delírio, acham que virá. Como recomendou Stedile a seus “sem-terra”: “Tenham filhos; eles vão conhecer o socialismo…”
junio 22nd, 2010 a las 07:54
Este é o retrato de mais uma maravilhosa obra que só o comunismo pode proporcionar, arre